Quatro meses de recuperação. Esse é o prazo que separa Éder Militão de qualquer possibilidade de disputar a Copa do Mundo de 2026. O zagueiro do Real Madrid foi submetido a uma cirurgia na Finlândia nesta semana após diagnóstico de ruptura no tendão proximal do bíceps femoral da perna esquerda — a mesma região que já o havia machucado anteriormente, o que levou a equipe médica a optar pelo procedimento cirúrgico para evitar recidivas. Com a estreia do Brasil marcada para 13 de junho contra Marrocos no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e a convocação prevista para 18 de maio, a matemática é cruel: Militão fica de fora.
Duas lesões que mudam o quadro do Mundial
Ao mesmo tempo em que o Brasil absorve a ausência do zagueiro, a Argélia enfrenta uma crise similar. Luca Zidane, goleiro titular da seleção argelina em toda a fase de classificação para o Mundial, fraturou a mandíbula e o queixo após um choque durante a partida do Granada contra o Almería, pela Segunda Divisão da Espanha — jogo que o time perdeu por 4 a 2 no estádio Nuevo Los Cármenes. O clube confirmou as fraturas em comunicado oficial e informou que o tratamento ainda seria definido nas horas seguintes ao incidente, sem descartar cirurgia. A Argélia estreia no Grupo J em 16 de junho, contra a Argentina, atual campeã mundial.
O próprio Militão se manifestou nas redes sociais com um tom de equilíbrio que revela maturidade após o baque:
"Quem convive comigo sabe o quanto eu me dediquei e esforcei para estar na minha melhor condição física, mas infelizmente, tenho que cuidar do meu corpo para poder jogar no Real Madrid e na seleção com confiança. A todos que me enviaram mensagens de carinho e apoio, meu mais sincero agradecimento. E também a todos que estão ao meu lado, minha família, meus filhos, minha esposa, saibam que a luta continua, porque o melhor ainda está por vir."
Rodrygo e a solidariedade de quem já passou pelo mesmo
A mensagem de Rodrygo no Instagram não foi protocolar. O atacante, que também não disputará a Copa após sofrer ruptura de ligamento no joelho e passar por cirurgia, escreveu nos Stories:
"Sei exatamente o seu sentimento nesse momento, mas estaremos juntos como sempre, irmão."A frase tem peso técnico e humano: Rodrygo foi titular absoluto de Carlo Ancelotti no Real Madrid e era esperado como peça importante na estratégia ofensiva da Seleção. A dupla ausência — Militão na defesa, Rodrygo no ataque — representa uma perda combinada de qualidade e experiência de alto nível europeu que Carlo Ancelotti, agora à frente do Brasil, terá de contornar.
Quem substitui Militão na zaga brasileira
A questão central, do ponto de vista analítico, é quem ocupa a vaga de Militão. Segundo levantamento do SportNavo, o Brasil tem ao menos quatro nomes com perfil para atuar na zaga central em alto nível: Gabriel Magalhães (Arsenal), Marquinhos (PSG), Bremer (Juventus, ainda em recuperação de lesão no joelho) e Murillo (Nottingham Forest). Gabriel Magalhães foi titular indiscutível do Arsenal na Premier League 2024-25, disputando mais de 30 partidas na temporada e participando de uma das melhores campanhas da história recente do clube. Murillo, 22 anos, consolidou-se no Nottingham Forest como um dos zagueiros mais consistentes da competição entre os sub-25. Marquinhos, aos 30 anos, segue como capitão do PSG e referência de liderança — provável titular mesmo sem a ausência de Militão.
Bremer seria o nome mais próximo do perfil físico e tático de Militão — marcação de área, saída de bola e duelos aéreos — mas a ruptura do ligamento cruzado anterior sofrida em outubro de 2024 coloca sua presença no Mundial em dúvida semelhante à do próprio Militão. A comissão técnica acompanha de perto a evolução do defensor da Juventus. A convocação em 18 de maio será o termômetro definitivo.
O impacto tático para Brasil e Argélia
Na análise do SportNavo, a ausência de Militão afeta mais o equilíbrio defensivo do que o esquema em si: ele era o zagueiro com maior volume de atuação no futebol de alto nível entre os convocáveis pelo Brasil, com passagem sólida pelas categorias de base do São Paulo — profissionalizou-se aos 17 anos — e consolidação no Real Madrid desde 2019. A Seleção, escalada por Ancelotti num 4-3-3 com saída de bola curta, perde um defensor acostumado ao estilo de construção desde trás que o técnico italiano valoriza.
Para a Argélia, a lacuna de Luca Zidane é ainda mais complexa de preencher. O goleiro foi titular em todos os jogos da fase de classificação e sua ausência obriga o técnico argelino a recorrer a Raïs M'Bolhi, de 36 anos e com longa história na seleção, ou a Alexandre Oukidja, do Metz, como opções de reposição. O Grupo J coloca a Argélia diante de Argentina, Jordânia e Áustria — um teste imediato de altíssimo nível logo na estreia, em 16 de junho. Com ou sem o filho de Zinedine Zidane entre as traves, a decisão sobre a titularidade no gol precisará ser tomada pelo técnico Vladimir Petkovic antes do início de junho.
O Brasil realiza sua estreia contra Marrocos no dia 13 de junho no MetLife Stadium; na sequência, encara Haiti e Escócia para completar a fase de grupos do Grupo C. A lista definitiva de 26 convocados de Ancelotti será divulgada em 18 de maio, data que também deve esclarecer o estado físico de Alisson, Raphinha e Estêvão — outros nomes monitorados pela comissão técnica brasileira.









