Cinco meses de recuperação, cirurgia em Helsinque e uma vaga na zaga da Seleção Brasileira em aberto para a Copa do Mundo de 2026. A lesão no bíceps femoral da perna esquerda de Éder Militão, confirmada após o zagueiro ser substituído antes do intervalo na partida do Real Madrid contra o Alavés no dia 21 de maio, representa a perda do defensor mais regular da equipe nacional nos últimos dois ciclos competitivos. O procedimento será conduzido pelo ortopedista finlandês Lasse Lempainen, reconhecido internacionalmente por cirurgias desta natureza — a previsão é de retorno apenas na temporada 2025-2026 da LaLiga, o que inviabiliza qualquer presença no torneio norte-americano.
A cicatriz que não fechou e o peso do histórico de lesões
Militão já havia sofrido grave lesão na coxa em dezembro, e a cicatriz resultante daquele trauma reabriu durante o esforço muscular contra o Alavés. Segundo apuração da ESPN, o quadro exigiu intervenção cirúrgica imediata, descartando qualquer tentativa de tratamento conservador. O defensor, que completou 27 anos em janeiro de 2025, acumula agora dois procedimentos cirúrgicos em sequência, o que torna sua trajetória até a Copa uma incógnita mesmo após a recuperação. O Real Madrid perde um titular de peso, mas é a Seleção que sente a ausência de forma mais estrutural, dado que Militão havia se consolidado como parceiro preferencial de Marquinhos desde as Eliminatórias Sul-Americanas de 2022.
Para contextualizar a dimensão do problema, basta observar os números do Brasil nas últimas três Copas do Mundo. Em 2014, a defesa construída em torno de Thiago Silva e David Luiz sofreu 14 gols em 7 jogos, com o trauma histórico do 7 a 1 contra a Alemanha. Em 2018, com Miranda e Thiago Silva, foram 8 gols sofridos em 5 partidas. Em 2022, com Marquinhos e Militão titulares, o Brasil encerrou a fase de grupos com apenas um gol sofrido — antes de ser eliminado nos pênaltis pela Croácia nas quartas de final, com 1 gol cedido no tempo regulamentar e na prorrogação. A solidez defensiva de 2022 tinha endereço certo: a dupla titular que agora perde metade de sua composição.

As quatro alternativas de Dorival Júnior
O técnico Dorival Júnior tem quatro opções concretas para ocupar a vaga ao lado de Marquinhos, cada uma com perfil distinto. Gabriel Magalhães, 27 anos, vive a melhor fase da carreira no Arsenal, clube que disputou a Premier League até a última rodada com chances de título em 2023-2024 e terminou vice-campeão inglês naquela temporada. Bremer, quando disponível — o próprio zagueiro da Juventus sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior em outubro de 2024 e está em fase avançada de recuperação —, representa a opção mais física e experiente do grupo. Ibañez, no Al-Ahli da Arábia Saudita após passagens por Roma e Bayer Leverkusen, mantém regularidade, mas enfrenta o estigma de atuar em liga de menor nível técnico. A análise exclusiva do SportNavo aponta Gabriel Magalhães como o candidato natural ao posto, dada a consistência demonstrada sob pressão na liga mais competitiva do mundo.
"Gabriel tem tudo para ser o zagueiro da Seleção por muitos anos. A questão é se Dorival vai confiar nele num torneio tão decisivo quanto uma Copa do Mundo", avaliou fonte próxima à comissão técnica da CBF, segundo apuração da ESPN.
O levantamento do SportNavo sobre o histórico das duplas de zaga em Copas do Mundo revela dado revelador: das seis semifinais disputadas pelo Brasil entre 1994 e 2022, cinco tiveram ao menos um dos zagueiros titulares com experiência prévia no torneio. A única exceção foi em 1994, quando Aldair e Marcio Santos chegaram ao Mundial sem ter disputado edições anteriores — e conquistaram o tetracampeonato. A estatística não é determinante, mas reforça a tradição brasileira de valorizar a maturidade no sistema defensivo.
Rodrygo, Militão e o vazio deixado pelo Real Madrid na convocação
Militão é o segundo jogador do Real Madrid confirmado fora da Copa do Mundo pelo Brasil. Rodrygo, 24 anos, passou por cirurgia no joelho direito em março de 2025, após lesão no ligamento cruzado anterior e no menisco, com prazo de recuperação estimado em oito meses — o que também descarta o atacante do torneio. O clube merengue, que havia sido a maior vitrine de jogadores convocáveis para Dorival, contribuirá com zero representantes no Mundial norte-americano, considerando Vinicius Júnior como o único nome remanescente do elenco madridista em condições físicas para a competição.
"A perda de Militão é muito grande. Ele era o zagueiro mais completo que tínhamos, equilibrava bem a marcação individual e a saída de bola", declarou um integrante do staff técnico da Seleção à ESPN, sem autorização para se identificar.
A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México entre junho e julho. O Brasil integra o Grupo D, e Dorival Júnior terá de apresentar a nova dupla de zaga já nas primeiras rodadas da fase de grupos — sem a possibilidade de rodagem gradual que os amistosos de preparação dificilmente replicam com a fidelidade necessária. Os próximos jogos da Seleção nas Eliminatórias, previstos para a última janela de 2025, serão o laboratório real para que o técnico defina quem será o substituto definitivo de Militão antes da lista final ser entregue à FIFA.









