A cicatriz do procedimento cirúrgico realizado em dezembro de 2025 se abriu — e com ela, a esperança de Éder Militão de disputar a Copa do Mundo. O zagueiro do Real Madrid sofreu nova lesão no bíceps femoral da perna esquerda e será submetido a nova cirurgia, confirmando o afastamento do defensor de 27 anos do torneio mais importante do futebol mundial. O clube merengue formalizou o diagnóstico em nota oficial, e Carlo Ancelotti, agora técnico da Seleção, terá de resolver essa equação antes do dia 18 de maio, quando anuncia a convocação no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A extensão do problema e o histórico recente de Militão
A primeira cirurgia de Militão aconteceu após uma partida contra o Celta de Vigo, em dezembro de 2025, afastando o jogador por quatro meses dos gramados. Que a cicatriz desse procedimento tenha se aberto agora representa uma complicação médica de gravidade superior à lesão isolada — significa que o tecido cicatricial não consolidou adequadamente, exigindo nova intervenção e um período de recuperação ainda maior. O jornalista Miguel Ángel Díaz, da Rádio COPE da Espanha, foi o primeiro a noticiar a extensão do problema.
"Após exames realizados hoje pelo Serviço Médico do Real Madrid em nosso jogador Éder Militão, foi diagnosticada uma lesão muscular no bíceps femoral da perna esquerda. Sua recuperação será acompanhada", comunicou oficialmente o Real Madrid.
Para dimensionar a perda, basta olhar os números recentes: Militão disputou 38 partidas pelo Real Madrid na temporada 2023-24 antes de sua primeira grande lesão, consolidando-se como titular absoluto ao lado de Antonio Rüdiger. Na Seleção, foi peça central nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2026, tendo atuado em 11 das 18 partidas do ciclo classificatório.
Uma lacuna que ecoa no passado da zaga brasileira
A história do futebol brasileiro registra momentos em que ausências na zaga mudaram trajetórias em Copas. Em 2014, a saída de Thiago Silva por suspensão na semifinal contra a Alemanha — somada à lesão de Neymar — expôs uma defesa que levou 7 gols em Belo Horizonte, no placar que ficou gravado como 7 a 1 no imaginário coletivo. Em 1998, Aldair e Junior Baiano formavam dupla sólida, mas a equipe chegou à final sem a consistência defensiva que se esperava de uma seleção campeã. A saída de um zagueiro de nível europeu às vésperas do torneio é, historicamente, um fator de desequilíbrio que o Brasil conhece bem.
Conforme levantamento do SportNavo, nas últimas três edições de Copa do Mundo em que o Brasil perdeu ainda nas quartas de final ou antes — 2006, 2010 e 2014 —, a equipe apresentou algum tipo de descontinuidade no setor defensivo nos meses anteriores ao torneio, seja por lesão, suspensão ou mudança de esquema tático de última hora.
As opções concretas para Ancelotti
Marquinhos, capitão do Paris Saint-Germain com 30 anos e mais de 80 partidas pela Seleção, é o nome mais óbvio para assumir a titularidade ao lado de algum parceiro. Mas a questão central não é quem lidera a zaga — é quem faz o par com o camisa 5. Bremer, da Juventus, seria a resposta natural: zagueiro de marcação física, destro, acostumado a jogar pelo lado direito — justamente a posição de Militão. O problema é que o próprio Bremer também enfrenta problemas físicos recentes, tendo rompido o ligamento cruzado anterior em outubro de 2024 e retornado apenas em abril de 2025, com minutagem ainda restrita pela Juventus.
Gabriel Magalhães, do Arsenal, emerge como a alternativa mais sólida em termos de forma atual. O zagueiro de 27 anos disputou 35 partidas na Premier League 2024-25, com desempenho reconhecido pelo técnico Mikel Arteta como peça indispensável na campanha que levou o Arsenal à disputa do título inglês. Sua leitura de jogo e domínio aéreo — registrou 4 gols na temporada — o credenciam para uma vaga na convocação.

Existe ainda a possibilidade de Ancelotti recorrer a Lucas Beraldo, do Paris Saint-Germain, revelação com apenas 21 anos que já acumula experiência europeia em alto nível. A análise exclusiva do SportNavo sobre o histórico de convocações brasileiras mostra que técnicos raramente apostam em jovens defensores como titulares em Copas — Thiago Silva tinha 23 anos em 2010, mas já era veterano do Milan italiano antes de ser alçado à titularidade da Seleção.
O esquema tático como fator decisivo
Ancelotti utilizou no Real Madrid variações entre o 4-3-3 e o 4-4-2 com linha de quatro defensores, e a tendência é que a Seleção siga estrutura semelhante. Nesse sistema, o zagueiro do lado direito precisa ter capacidade de saída de bola e velocidade para cobrir espaços nas costas do lateral — características que Militão domina com distinção e que nenhum dos substitutos reúne na mesma proporção.
Segundo avaliação de membros da comissão técnica, conforme apurado pela imprensa espanhola, a convocação de Ancelotti para 18 de maio deve priorizar jogadores com ritmo de jogo regular nas últimas seis semanas — critério que elimina automaticamente qualquer nome em processo de recuperação.
A convocação de Ancelotti será anunciada às 17h do dia 18 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com o Brasil estreando na Copa do Mundo de 2026 ainda em junho — data e adversário a serem confirmados pelo sorteio da FIFA. Está nas mãos do técnico italiano, em seu primeiro grande ato oficial como selecionador, apresentar ao país uma resposta convincente para o maior problema defensivo do Brasil às vésperas do torneio.









