Dois titulares de Carlo Ancelotti, o mesmo técnico que comandará o Brasil na Copa do Mundo, estão fora ou em situação crítica a 42 dias do início do torneio. Éder Militão foi operado em 28 de maio na Finlândia para corrigir uma grave lesão muscular na coxa esquerda — sua terceira cirurgia de grande porte em menos de três anos, depois de intervenções no ligamento cruzado anterior de ambos os joelhos. O prognóstico é de até cinco meses de recuperação, o que o elimina definitivamente do Mundial.
O caso Estêvão e a aposta no tratamento conservador
Mais delicada, pelo grau de incerteza, é a situação de Estêvão. O atacante do Chelsea apresenta ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita — lesão que, na maioria dos protocolos médicos de alta performance, indicaria cirurgia imediata. A opção pelo tratamento conservador, que Estêvão tenta negociar com o clube inglês, reduz o tempo de recuperação estimado, mas carrega o risco de recidiva num torneio de alta intensidade. Segundo apuração do SportNavo, a decisão final depende do aval do departamento médico do Chelsea, que tem autonomia contratual sobre o tratamento do atleta.
Rodrygo, outro brasileiro que atuaria no Real Madrid sob Ancelotti, já está confirmado fora do torneio desde março: ao retornar de uma tendinite no músculo posterior da coxa direita, rompeu o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho direito numa partida contra o Getafe pelo Campeonato Espanhol. O quadro de Rodrygo encerra qualquer discussão sobre sua participação.

O mapa global de lesões e o peso do calendário
O Brasil não enfrenta essa situação sozinho. Raphinha e Alisson também estão em tratamento, embora com perspectivas mais otimistas de recuperação a tempo. No cenário internacional, Lamine Yamal (Espanha), Kylian Mbappé (França) e Cuti Romero (Argentina) são dúvidas nos respectivos elencos. Arrascaeta, peça central do Uruguai e do Flamengo, foi submetido a cirurgia em 30 de maio para corrigir fratura na clavícula direita — seu compatriota Joaquin Piquerez também está no grupo de risco. Luka Modric passou por cirurgia em 27 de maio após fratura no osso da bochecha esquerda, mas a Croácia não confirmou sua ausência definitiva.
"A janela de recuperação é muito estreita para lesões musculares graves. O atleta pode estar tecnicamente apto, mas o risco de nova lesão em condições de Copa é significativamente mais alto", afirmou médico esportivo consultado pelo portal após o diagnóstico de Estêvão.
A Espanha perde ainda Samu Aghehowa, do Porto, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito em fevereiro, numa partida contra o Sporting, e já foi operado. A França contabiliza a baixa de Ekitike, do Liverpool, que rompeu o tendão de Aquiles nas quartas de final da Champions League contra o PSG — lesão com recuperação estimada entre nove e doze meses, tornando sua ausência definitiva.
O que a história das Copas ensina sobre recuperações de última hora
A pressão para que atletas tentem chegar ao Mundial mesmo com lesões graves não é nova, e o histórico mostra resultados ambíguos. Na Copa de 2014, Neymar fraturou uma vértebra ainda no torneio e desfalcou o Brasil na semifinal contra a Alemanha — derrota por 7 a 1 que se tornou um marco traumático do futebol brasileiro. Em 2002, Ronaldo superou convulsões e problemas físicos severos para ser o artilheiro do torneio com oito gols. Esses dois exemplos opostos sintetizam a equação impossível que comissões técnicas enfrentam: o risco de forçar um atleta lesionado pode custar o torneio inteiro.
"Cada caso é único, mas a pressão psicológica sobre o atleta para jogar uma Copa do Mundo frequentemente interfere na avaliação clínica objetiva", disse o fisioterapeuta esportivo Paulo Zogaib em entrevista à imprensa especializada.
As opções de Ancelotti e o reajuste tático obrigatório
A ausência confirmada de Militão abre espaço para Gabriel Magalhães, do Arsenal, e Marquinhos como dupla titular na zaga. Beraldo, do PSG, surge como terceira opção. Na ausência de Rodrygo, Savinho, Luiz Henrique e Gabriel Martinelli entram nas cogitações para o setor ofensivo. A análise do SportNavo indica que a maior fragilidade está na lateral direita e na construção de jogo a partir da defesa — justamente as funções que Militão cumpria com excepcional qualidade técnica no Real Madrid.
A Copa do Mundo começa em 19 de junho. O Brasil estreia no torneio em data ainda não confirmada pela FIFA na fase de grupos, mas o prazo para a convocação definitiva de Ancelotti está se encerrando. Estêvão tem aproximadamente três semanas para demonstrar evolução clínica e convencer o Chelsea a liberar o tratamento no Brasil — caso contrário, sua vaga na lista dos 26 convocados será redistribuída antes mesmo do primeiro apito.









