Uma ruptura do tendão proximal do bíceps femoral da perna esquerda tirou Éder Militão da Copa do Mundo de 2026. O zagueiro do Real Madrid passou por cirurgia na terça-feira, dia 28, após sofrer a lesão no primeiro tempo da vitória merengue sobre o Alavés por 2 a 1, em 21 de maio, pelo Campeonato Espanhol. A intervenção cirúrgica, realizada pelo médico finlandês Lasse Lempainen, encerrou qualquer esperança de participação no torneio que define a elite do futebol mundial.

Uma lesão que colocou a carreira em jogo

A gravidade do caso surpreendeu até os mais experientes. Lempainen foi direto ao ponto ao explicar a decisão cirúrgica ao jornal espanhol Marca:

Uma lesão que colocou a carreira em jogo Militão opera tendão rompido e perde Co
Uma lesão que colocou a carreira em jogo Militão opera tendão rompido e perde Co
"Não havia outra opção. O que posso dizer é que a lesão dele foi muito grave. A única opção era a cirurgia: com essa lesão na coxa, ele não conseguiria continuar sua carreira profissional no mais alto nível. A decisão foi clara. Lamentamos muito que, por isso, ele não poderá participar da Copa do Mundo."

O tratamento conservador chegou a ser considerado pelo próprio Militão, de 28 anos, que reconhecia ser essa a única janela para tentar chegar ao Mundial. O departamento médico do Real Madrid, porém, descartou a hipótese com base no risco elevado de recidiva que o método sem cirurgia representaria no médio e longo prazo. Quando um clube da envergadura do Real Madrid barra uma opção terapêutica, o argumento clínico costuma ser incontestável.

Um historial de lesões que alerta há anos

A análise exclusiva do SportNavo sobre o dossiê físico de Militão revela um padrão preocupante: nos últimos quatro anos, o zagueiro acumulou rupturas do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, depois do direito — ambas com danos no menisco —, e agora enfrenta a terceira lesão somente na temporada 2025/26, temporada em que atuou em apenas 24 partidas. Para efeito de comparação histórica, zagueiros de alto rendimento em campanhas de Copa do Mundo costumam disputar entre 45 e 55 jogos na temporada anterior ao torneio. Militão chegou a 2026 com menos da metade desse volume competitivo.

O bíceps femoral da perna esquerda é, precisamente, o mesmo músculo que o afastou anteriormente dos gramados por cerca de quatro meses. Retornar a campo e, no primeiro ciclo de exigência alta, romper o tendão proximal da mesma estrutura anatômica configura o que a medicina esportiva classifica como lesão de repetição com agravamento estrutural — situação que demanda reconstrução cirúrgica e protocolo de reabilitação significativamente mais longo do que uma simples intervenção conservadora.

O peso da ausência para Carlo Ancelotti e a Seleção Brasileira

Para Carlo Ancelotti, que assumiu o comando da Seleção Brasileira com a missão de encerrar o jejum de títulos mundiais desde 2002 — portanto 24 anos sem uma conquista, o maior intervalo da história brasileira em Copas —, a perda de Militão representa um reajuste obrigatório na espinha dorsal defensiva. O zagueiro estava inserido nos planos táticos do italiano, que agora soma ao problema de Militão a ausência de Rodrygo, fora após ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco do joelho direito.

A CBF já monitorava o estado físico de Militão com preocupação desde o primeiro semestre de 2025. A Seleção Brasileira, nas cinco últimas edições da Copa do Mundo disputadas (1994, 1998, 2002, 2006 e 2010), teve ao menos um de seus titulares absolutos da zaga presente nos 90 minutos dos sete jogos da fase final do torneio. A estabilidade defensiva historicamente antecede os títulos: nas campanhas de 1994 (Estados Unidos) e 2002 (Japão e Coreia do Sul), o Brasil sofreu, respectivamente, 3 e 4 gols em sete partidas cada — índices que dependem diretamente de uma dupla central consolidada e íntegra fisicamente ao longo de todo o torneio.

Recuperação e o caminho para voltar

Com base nos protocolos contemporâneos de reabilitação para rupturas do tendão proximal do bíceps femoral operadas cirurgicamente, o prazo estimado para retorno às atividades competitivas gira em torno de quatro a seis meses. Isso significa que Militão poderá retomar os treinamentos no Real Madrid entre outubro e novembro de 2026, dependendo da evolução do processo cicatricial e da resposta muscular ao trabalho de fisioterapia intensiva. O zagueiro completará 29 anos em janeiro de 2027, o que o coloca em idade compatível com um ciclo final de alto rendimento — desde que os problemas físicos recorrentes sejam controlados de forma definitiva. A janela de contratações do Real Madrid para o segundo semestre de 2026 será o próximo termômetro sobre como o clube projeta o futuro do brasileiro após a cirurgia.