Uma ruptura no tendão proximal do bíceps femoral da perna esquerda tirou Éder Militão da Copa do Mundo de 2026. O zagueiro do Real Madrid passou por cirurgia na terça-feira, 28 de abril, em uma clínica na Finlândia, com previsão de afastamento de cinco meses — período suficiente para encerrar qualquer chance de presença no torneio que começa em junho nos Estados Unidos, Canadá e México. O procedimento foi declarado bem-sucedido pela própria família do atleta ainda nas redes sociais.
A lesão, a cirurgia e o cenário clínico
A ruptura ocorreu durante a vitória do Real Madrid por 2 a 1 sobre o Alavés, pela 32ª rodada da La Liga, no Santiago Bernabéu. Trata-se de uma lesão de alta complexidade: o tendão proximal do bíceps femoral é responsável pela estabilidade da parte posterior da coxa e sua ruptura exige reparo cirúrgico preciso, seguido de um protocolo rigoroso de fisioterapia que raramente permite retorno antes de quatro a cinco meses — no caso de Militão, o prazo de cinco meses projetado pelos médicos praticamente coincide com o período de disputas do Mundial.
Ainda na quarta-feira, 29 de abril, Tainá Castro, esposa do jogador, confirmou o sucesso do procedimento por meio de uma publicação no Instagram ao lado do marido:
"Cirurgia foi um sucesso. Cada vez mais unidos e fortes. Contigo sempre!"Militão respondeu na mesma postagem, reforçando o vínculo familiar em um momento de vulnerabilidade:
"Sempre juntos, meu amor, obrigado por estar ao meu lado sempre!"
O próprio zagueiro se pronunciou em outra publicação, com um texto que revelou sua consciência sobre os limites do corpo e o peso da decisão de operar:
"Quem convive comigo sabe o quanto eu me dediquei e esforcei para estar na minha melhor condição física, mas infelizmente, tenho que cuidar do meu corpo para poder jogar no Real Madrid e na Seleção com confiança."O atleta, de 28 anos, também mencionou que foca agora na recuperação para almejar a Copa do Mundo de 2030.
O impacto direto na Seleção Brasileira
A ausência de Militão priva o técnico da Seleção de um dos dois zagueiros mais experientes do grupo no cenário europeu. O defensor acumula passagens pelo Zaragoza, Porto e pelo próprio Real Madrid, clube pelo qual conquistou duas edições da Champions League (2021-22 e 2023-24) e três títulos de La Liga. Sua capacidade de atuar tanto pelo lado direito quanto pelo lado central da zaga oferecia ao treinador uma versatilidade que poucos nomes do elenco reproduzem com a mesma consistência.
A análise do SportNavo aponta que, entre os zagueiros convocáveis, Marquinhos segue como titular incontestável e referência de liderança defensiva — o capitão do PSG disputou 42 partidas na temporada 2024-25. Gabriel Magalhães, do Arsenal, que encerrou a Premier League 2024-25 com 3.100 minutos em campo, surge como o nome mais natural para assumir a vaga de Militão no lado direito da zaga. Bremer, da Juventus, também entra no radar, embora ele próprio tenha passado por lesão grave no joelho esquerdo em outubro de 2024 e sua condição física para junho ainda demande acompanhamento.
Outros nomes que figuram no debate são Beraldo (PSG) e Fabrício Bruno (Cruzeiro), mas nenhum deles reúne, neste momento, o volume de partidas em nível continental que Militão acumulou nos últimos três anos na Espanha.
Histórico de lesões e um padrão preocupante
Esta não é a primeira vez que Militão enfrenta uma lesão grave em momento decisivo. Em setembro de 2023, o zagueiro rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo durante aquecimento em partida pelo Real Madrid e ficou afastado por mais de oito meses, perdendo toda a primeira metade da temporada 2023-24. A recorrência de lesões no membro inferior esquerdo acende um sinal clínico que o departamento médico do clube merengue já deve investigar com profundidade — o joelho esquerdo em 2023, o bíceps femoral esquerdo em 2026.
O padrão reforça a declaração do próprio atleta sobre a necessidade de cuidar do corpo. Aos 28 anos, Militão ainda está no auge de seu potencial, mas a sequência de traumas em lados idênticos do mesmo membro sugere que o processo de reabilitação e prevenção precisará ser ainda mais criterioso desta vez para que ele volte ao nível anterior.
O que a Seleção perde e o que pode ganhar
Na avaliação do SportNavo, a perda de Militão não é apenas numérica — é de perfil. Ele é um dos poucos zagueiros brasileiros habituados a defender em sistemas de linha alta na Champions League, onde o espaço nas costas é explorado por atacantes de velocidade. Substituí-lo exige mais do que simplesmente preencher uma vaga no 11 inicial; demanda um jogador que entenda o posicionamento ofensivo do adversário antes de ele acontecer.
Com Tainá grávida do segundo filho do casal — ela também é mãe de Helena e Matteo, do relacionamento anterior com Léo Pereira, e Militão já é pai de Cecília, filha com Karoline Lima —, o contexto pessoal adiciona uma camada humana a uma decisão técnica complexa. O foco do atleta agora é a recuperação completa, e o horizonte esportivo mais próximo que ele mesmo sinalizou é a Copa do Mundo de 2030, a ser disputada em parceria entre Espanha, Portugal, Marrocos e Brasil.
A Seleção Brasileira estreia na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 em junho, com datas e adversários a serem confirmados após o sorteio final da FIFA. A convocação do técnico deve ser divulgada nas próximas semanas, já oficialmente sem o nome de Éder Militão na lista.









