Diz-se que o Millonarios tem o melhor aproveitamento ofensivo entre os colombianos na Copa Sudamericana 2026. Na verdade, não tem — e o motivo importa mais do que o número em si. O empate por 1 a 1 diante do Boston River, nesta quinta-feira (07/05), no Estadio Centenario, expôs uma equipe que produz chances mas não as converte com a eficiência que o discurso institucional do clube em Bogotá faz questão de propagar. Marcelo Hornos abriu o placar para os uruguaios aos 18 minutos, e um pênalti convertido por Rodrigo Contreras aos 50 garantiu a igualdade para os colombianos — mas não apagou as contradições da noite.

Os três nomes do jogo

O primeiro nome é Marcelo Hornos. Curiosamente, ele entrou em campo apenas na segunda etapa, aos 56 minutos, numa substituição dupla que reorganizou o Boston River — mas seu nome já estava na ficha de gol antes disso, marcado aos 18 minutos do primeiro tempo. A assistência coube a Gonzalo Reyna, que encontrou Hornos na área com um cruzamento preciso para o cabeceio. O lance revelou o padrão de jogo uruguaio: transições rápidas pelas laterais e bola aérea como recurso principal. O segundo nome é Rodrigo Contreras, autor do pênalti que salvou o Millonarios aos 50 minutos do segundo tempo. O chute com o pé esquerdo foi firme o suficiente para empatar, mas insuficiente para apagar a imagem de uma equipe que dependeu de um lance de bola parada para não sair derrotada do Centenário.

O herói esquecido pelos holofotes

Gonzalo Reyna merece parágrafo próprio. Quando faz a jogada de transição, ele encontra espaços que a defesa adversária simplesmente não fecha. Quando faz o cruzamento, ele calibra a trajetória com uma precisão que poucos meias do futebol sul-americano conseguem repetir com consistência. A assistência para o gol de Hornos não foi um acidente — foi a síntese de um jogador que lê o jogo com velocidade acima da média do grupo. O SportNavo rastreou as jogadas ofensivas do Boston River na Copa Sudamericana 2026 e Reyna aparece como o jogador com mais envolvimentos diretos em gols da equipe nas quatro rodadas disputadas até agora. Ele é o tipo de nome que os olheiros europeus anotam sem alarde.

O vilão da partida

O VAR entrou em cena já aos 11 minutos, numa revisão que envolveu Andrés Llinás — o defensor colombiano que passou a noite inteira sob pressão da arbitragem e da própria inconsistência defensiva do Millonarios. O lance analisado pelo VAR não resultou em punição imediata, mas estabeleceu o tom de uma partida nervosa. A tensão explodiu nos acréscimos do primeiro tempo, quando Alexander González e Agustín Aguirre receberam cartão amarelo aos 45 minutos — dois jogadores de times diferentes sendo advertidos simultaneamente, o que indica um confronto direto que saiu do controle nos instantes finais do primeiro tempo. González ainda foi utilizado na segunda etapa, entrando aos 46 minutos no lugar de Francisco Bonfiglio, o que demonstra que a advertência não foi considerada grave o suficiente para tirá-lo do plano tático.

Os três nomes do jogo Millonarios empata com Boston River no C
Os três nomes do jogo Millonarios empata com Boston River no C

A mensagem do banco de reservas

Quando faz uma substituição dupla aos 56 minutos — Gastón Ramírez no lugar de Agustín Amado e Marcelo Hornos no lugar de Facundo Muñoa —, o técnico do Boston River envia uma mensagem clara sobre como pretende gerir os minutos finais de uma partida equilibrada. A entrada de Ramírez trouxe mais controle para o meio-campo uruguaio, enquanto Hornos, já com o gol no currículo da noite, voltou ao campo para pressionar a saída de bola do Millonarios. A estratégia não resultou na virada, mas mostrou que o Boston River tem profundidade de elenco suficiente para não depender de um único sistema tático durante 90 minutos.

Com o empate, o Millonarios segue sem vencer fora de casa na Copa Sudamericana 2026 e vê sua posição na tabela da fase de grupos ameaçada por equipes que têm convertido suas oportunidades com mais objetividade. O Boston River, por sua vez, soma mais um ponto e mantém vivo o sonho de avançar às fases eliminatórias — algo que, há dois anos, seria considerado improvável para um clube de orçamento modesto como o da margem do Rio da Prata em Montevidéu.

A próxima rodada da Copa Sudamericana 2026 chegará em menos de duas semanas, e o Millonarios terá de decidir se mantém a estrutura tática atual ou se realiza ajustes no setor ofensivo antes de um confronto que pode definir matematicamente suas chances de classificação. A pergunta que fica é concreta e urgente: se o Millonarios não vencer o próximo jogo em casa, ainda terá aritmética suficiente para alcançar a fase eliminatória sem depender de tropeços simultâneos de todos os concorrentes diretos no grupo?