Todo mundo sabe que São Paulo contratou Dorival Júnior. O que poucos esperavam é que o técnico de 64 anos estrearia como espectador, sentado nas arquibancadas do Maracanã enquanto Milton Cruz tenta resolver, com o que sobrou, um confronto direto na briga pelo G4. A partida contra o Fluminense, válida pela 16ª rodada do Brasileirão, começa às 19h deste sábado (16) e chega em momento delicado: o Tricolor ocupa a quarta colocação com 24 pontos e sabe que uma derrota pode expulsá-lo das primeiras posições.
Sete baixas e um ataque que precisa ser reinventado
A lista de desfalques do São Paulo para este jogo tem tamanho desproporcional à importância da partida. Calleri está suspenso; Luciano, lesionado. Os dois artilheiros titulares simplesmente não viajaram ao Rio de Janeiro. Junto a eles, outros cinco jogadores completam o rol de ausências por lesão: Alan Franco, Rafael Tolói, Pablo Maia, Marcos Antônio e Lucas. A diferença entre o elenco que Milton Cruz gostaria de escalar e o que tem à disposição é, para usar uma medida concreta, algo da distância entre Recife e São Paulo — não se atravessa no improviso.
Segundo informações divulgadas antes do jogo, André Silva herdará a responsabilidade de liderar o ataque são-paulino, ladeado por Ferreirinha e Artur. É um trio de características distintas das de Calleri — que acumula 11 gols no Brasileirão nos últimos dois anos pelo clube — e que exigirá de Milton Cruz uma proposta tática diferente: menos apoio na área, mais mobilidade e transições rápidas para explorar espaços.
O retorno de Lucas Ramon e a provável escalação de Milton Cruz
Nem tudo, porém, são más notícias. O lateral-direito Lucas Ramon, que se recuperou de lesão muscular na panturrilha esquerda, retorna ao time e deve começar entre os titulares no lugar de Cédric. A provável escalação que Milton Cruz deve mandar a campo é: Rafael; Lucas Ramon, Dória, Sabino e Wendell; Danielzinho, Bobadilla e Cauly; Ferreirinha, Artur e André Silva.
A formação mantém a espinha dorsal que o São Paulo vinha utilizando, mas com a linha ofensiva completamente reconfigurada. Cauly, que costuma atuar mais recuado, pode ganhar liberdade para aparecer com mais frequência na área. Nos bastidores, conforme apurou o SportNavo, Milton Cruz estuda variações táticas que permitam ao trio ofensivo pressionar a saída de bola do Fluminense, dado que o adversário carioca também atravessa oscilações defensivas nesta temporada.
Dorival observa, a estreia aguarda e o G4 cobra resposta
Há um precedente histórico curioso nesta situação: em 2004, Muricy Ramalho assumiu o São Paulo em meio a um campeonato turbulento, com o elenco desgastado, e construiu um dos ciclos mais vitoriosos da história do clube — três Brasileirões consecutivos entre 2006 e 2008. Dorival, que já comandou o Tricolor em passagem anterior, conhece a dinâmica da reconstrução. Mas a noite de hoje não é dele. É de Milton Cruz.
O técnico interino carrega sobre os ombros a responsabilidade de manter o São Paulo no G4 e, simultaneamente, de entregar ao novo treinador um ambiente minimamente estável. A eliminação na quinta fase da Copa do Brasil já desgastou a relação com a torcida, e uma derrota no Maracanã aprofundaria a crise antes mesmo de Dorival apitar seu primeiro treino. A estreia oficial do novo técnico está prevista para a rodada seguinte, e até lá, a resposta que o torcedor são-paulino quer ver está nas mãos de quem foi chamado a tapar o buraco — com sete ausências e um Maracanã cheio.









