A lista saiu na manhã desta segunda-feira, 18 de maio, e em menos de uma hora já circulava em todos os feeds de quem acompanha futebol de perto. Zlatko Dalic confirmou 26 nomes para a Copa do Mundo de 2026, e o que chama atenção não é a novidade — é exatamente o oposto: a manutenção deliberada de uma geração que o futebol mundial já deveria ter aposentado, mas que teima em ser relevante.

Luka Modric, 40 anos, meia do Milan, vai disputar sua quinta Copa do Mundo. Ivan Perisic, 37, segue no PSV. Andrej Kramaric, 34, ainda é titular no Hoffenheim. Mateo Kovacic, 32, é peça central no Manchester City de Guardiola. Dominik Livakovic, o carrasco do Brasil em 2022, está de volta ao Dinamo de Zagreb mas permanece titular absoluto na meta croata.

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O que os números dizem sobre Modric e Kovacic nesta temporada

Antes de qualquer julgamento emocional sobre "veteranos indo à Copa", reparemos no detalhe que os dados revelam sobre os dois meias mais importantes dessa convocação.

Modric, na temporada 2025/2026 pela Serie A com o Milan, mantém uma média de 7,4 progressive passes por 90 minutos — o índice mede passes que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário, descartando passes laterais e recuados. Para um meia de 40 anos, é um número que envergonha jogadores dez anos mais novos. Seu xA (expected assists) na temporada gira em torno de 0,18 por 90 minutos, mostrando que ele ainda gera perigo real, não apenas circulação de bola.

Kovacic, no Manchester City, opera num sistema de alta pressão que exige muito do meio-campo. Seu PPDA (passes permitidos por ação defensiva) como referência coletiva do City está entre os mais baixos da Premier League — o que significa que o time pressiona com intensidade alta e Kovacic é parte estrutural disso. Individualmente, ele registra mais de 9 progressive passes por 90 e uma taxa de recuperação de bola acima da média para meias do seu perfil.

  • Modric (Milan, 2025/26): 7,4 progressive passes/90 | xA de 0,18/90
  • Kovacic (Man City, 2025/26): 9+ progressive passes/90 | alto volume de defensive actions
  • Perisic (PSV, 37 anos): ainda entre os pontas com maior volume de ações ofensivas na Eredivisie

A análise do SportNavo aponta que, quando esses três estão em campo juntos, a Croácia opera com uma densidade de passes progressivos no terço médio que poucos times europeus conseguem replicar — o que explica as sete vitórias e um empate na fase de grupos das Eliminatórias da Europa, liderando o Grupo L.

O grupo da Copa e o adversário da estreia em 17 de junho

A Croácia caiu no Grupo L do Mundial, ao lado de Inglaterra, Gana e Panamá. A estreia acontece no dia 17 de junho contra a Inglaterra — um confronto que, no papel, parece desfavorável, mas que na prática representa exatamente o tipo de jogo em que Dalic historicamente se sai bem.

"Zlatko Dalic, a caminho de seu terceiro Mundial no comando da equipe, apostou na manutenção da base experiente, responsável pelo vice-campeonato em 2018 e pelo terceiro lugar em 2022." — Lance!

A Inglaterra de 2026 chega como favorita do grupo, mas o histórico recente entre as seleções é favorável aos croatas: em 2018, a Croácia eliminou os ingleses na semifinal com virada de 2 a 1 na prorrogação. A memória coletiva desse jogo ainda pesa no vestiário inglês.

Gana e Panamá completam o grupo e, em tese, são adversários que a Croácia tem condições técnicas de superar. Uma classificação para as oitavas parece o mínimo esperado — mas Dalic não convocou esse elenco para parar nas oitavas.

Curiosamente, Bruno Petkovic, autor do gol de empate contra o Brasil em 2022 que abriu caminho para a eliminação da Seleção nos pênaltis, ficou de fora da lista principal. Livakovic, que defendeu três cobranças naquele jogo, segue como titular e carrega o peso simbólico daquela noite no Catar.

O que os números dizem sobre Modric e Kovacic nesta temporada Modric aos 40 anos
O que os números dizem sobre Modric e Kovacic nesta temporada Modric aos 40 anos

A renovação que já está acontecendo dentro da própria lista

Seria um erro ler essa convocação como puramente nostálgica. Dalic incluiu nomes que representam o presente e o futuro do futebol croata, e alguns deles já têm minutagem consistente nos maiores clubes da Europa.

Josko Gvardiol, zagueiro do Manchester City, é hoje um dos defensores mais completos da Premier League — seu volume de defensive actions (interceptações + desarmes + pressões bem-sucedidas) está entre os maiores da posição no torneio inglês. Luka Sucic, da Real Sociedad, e Martin Baturina, do Como, são meias com perfil técnico refinado que já mostram capacidade de absorver o estilo de jogo de Modric sem depender dele.

Petar Sucic, da Inter de Milão, é outro nome que desperta atenção: aos 21 anos, opera num dos sistemas táticos mais exigentes do futebol europeu e já demonstra maturidade para jogar em alta intensidade. Petar Musa, do Dallas FC, e Marco Pasalic, do Orlando City, são os representantes da MLS na lista — uma curiosidade geográfica que não diminui a qualidade técnica de nenhum dos dois.

"Esta deve ser a última participação de nomes marcantes do futebol croata na Copa do Mundo. Entre eles, Luka Modric. O meia de 40 anos disputará o Mundial pela quinta vez e não deve fazer parte do próximo ciclo." — Terra

A lista de espera também merece atenção: Lovro Majer, do Wolfsburg, e Franjo Ivanovic, do Benfica, estão entre os sete atletas de sobreaviso para o caso de cortes por lesão. Majer, em especial, é um dos meias mais interessantes da geração pós-Modric — criativo, com bom xA e capacidade de condução progressiva.

A Croácia vai disputar sua sétima Copa do Mundo na história, sendo a sexta neste século. A única ausência ocorreu em 2010, na África do Sul. A consistência de classificação é, por si só, um dado que revela a solidez estrutural do futebol croata — um país de menos de quatro milhões de habitantes que produz jogadores de elite com regularidade desconcertante.

O jogo de estreia contra a Inglaterra, no dia 17 de junho, é o termômetro real de quanto essa geração ainda tem a oferecer. Se Modric, Kovacic e Perisic chegarem em condições físicas adequadas e Gvardiol segurar o ataque inglês com a intensidade que mostrou no City, a Croácia pode sair do primeiro jogo com um resultado que vai reposicionar as expectativas do grupo inteiro. Vale gravar esse jogo — pode ser a última vez que você assiste Modric numa Copa do Mundo.