Quantas vezes um treinador recebe uma terceira chance no clube mais exigente do mundo? Real Madrid e José Mourinho voltam a orbitar um ao outro com uma intensidade que já não surpreende quem acompanhou as duas passagens anteriores — mas que exige, desta vez, uma análise mais fria do que o entusiasmo habitual permite. As conversas avançaram de forma significativa, segundo o portal português Maisfutebol, e Florentino Pérez trata o técnico como a prioridade máxima para a temporada 2026/27, mesmo em meio ao anúncio de eleições antecipadas no clube, feito na última terça-feira, 12 de maio.

O Madrid encerrou a temporada 2025/26 sem conquistar nenhum título relevante — um jejum que Florentino não está disposto a prolongar. O contexto cria uma pressão que funciona, paradoxalmente, tanto a favor quanto contra Mourinho.

JULIA GUIMARÃES TRAZ INFORMAÇÕES DE REAL MADRID E MBAPPÉ | #shorts | sportv

O que a temporada sem títulos revela sobre o Madrid que Mourinho vai encontrar

A seca de títulos expõe um elenco que perdeu a coesão tática que caracterizou os anos de Ancelotti. O Madrid que Mourinho encontrará em 2026/27 não é o mesmo que ele domou entre 2010 e 2013 — quando ganhou uma La Liga com 100 pontos e construiu um dos pressing mais organizados da Espanha naquele período. Tampouco é o clube com recursos ilimitados de cinco anos atrás. A janela de transferências que se abre exige um técnico capaz de extrair máximo de um elenco em transição, com Bellingham ainda encontrando sua melhor posição e Vinicius Jr. oscilando entre o genial e o irregular.

O que a temporada sem títulos revela sobre o Madrid que Mourinho vai encontrar M
O que a temporada sem títulos revela sobre o Madrid que Mourinho vai encontrar M

A questão não é se Mourinho sabe montar uma linha defensiva sólida ou organizar um gegenpressing funcional. Isso ele sabe fazer como poucos na Europa. A questão é outra.

O vestiário do Bernabéu e o legado tóxico de 2013

Quando Mourinho deixou o Bernabéu pela segunda vez, em julho de 2013, os bastidores do clube vazavam relatos de tensão com jogadores sêniors — Casillas e Sergio Ramos foram os nomes mais citados pela imprensa espanhola na época. O técnico construiu resultados expressivos em campo, mas deixou um vestiário fraturado. Na avaliação do SportNavo, o maior desafio de uma eventual terceira passagem não será tático, mas humano: Mourinho terá de demonstrar que aprendeu a gerir egos galácticos sem transformar o processo numa guerra fria interna.

Segundo fontes próximas ao Maisfutebol, a diretoria do Benfica já trabalha internamente com a possibilidade concreta de perder o treinador para o futebol espanhol, e o nome de Marco Silva, atualmente no Fulham, é tratado como o favorito para substituí-lo.

O contrato de Mourinho com o Benfica vai até o fim da temporada 2026/27, o que torna qualquer negociação tecnicamente delicada. Uma proposta de renovação foi noticiada pela imprensa portuguesa nesta quarta-feira, 13 de maio, mas não foi confirmada oficialmente pelo clube lisboeta.

O que Mourinho precisaria mudar para que a história não se repita

Na Premier League, onde acompanhei de perto as passagens dele pelo Chelsea e pelo Manchester United, ficou evidente um padrão: Mourinho entrega sua melhor versão no segundo ano, quando o elenco já absorveu sua metodologia, e começa a perder o vestiário no terceiro. No Madrid, esse ciclo se compressa porque o nível de exigência é mais alto e a paciência dos jogadores, mais curta. Para que a terceira passagem funcione, ele precisaria adotar uma gestão mais colaborativa com o staff de análise de dados — algo que clubes como o Barcelona e o Bayern de Munique normalizaram como parte do processo decisório tático — e reduzir o controle obsessivo sobre a comunicação interna, que historicamente gera atritos desnecessários.

Se Florentino fechar o acordo nas próximas semanas, como indica o avanço das conversas, Mourinho chegaria ao Bernabéu em julho — e teria exatamente uma pré-temporada para responder à pergunta que o vestiário vai fazer em silêncio desde o primeiro dia: desta vez, ele vem para construir ou apenas para vencer?