Não é Roger Machado o problema central do São Paulo de 2026 — embora ele seja, neste momento, o rosto mais visível de um declínio que precede sua chegada ao Morumbis. O Majestoso da 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, encerrado em derrota tricolor por 3 a 2 para o Corinthians, funcionou menos como resultado isolado e mais como radiografia de um clube que perdeu o fio condutor tático e financeiro ao mesmo tempo.

O que os números de Roger Machado dizem sobre o momento tricolor

Hernán Crespo entregou ao São Paulo uma sequência de 10 pontos em 12 possíveis no Brasileirão, aproveitamento de 83,3% — padrão de candidato ao título. Desde que Roger Machado assumiu o cargo, esse índice despencou para 42,4%: três derrotas, uma vitória e um empate nas últimas cinco rodadas. O clube permanece na quarta posição com 24 pontos, sustentado pela gordura acumulada antes da troca, não pela produção recente.

Luís Fabiano e Amoroso desmontam o Majestoso ponto a ponto

Luís Fabiano, ídolo tricolor, foi direto ao ponto no Resenha da Rodada da ESPN desta segunda-feira (11):

"O São Paulo, depois da troca de treinador, não culpando o treinador, mas o rendimento deu uma queda muito grande. Se não tivesse essa gordura de pontos, estaríamos falando em uma situação muito mais preocupante."
A ressalva é elegante, mas o diagnóstico é severo: o time não compete como competia. Amoroso, por sua vez, foi ao detalhe tático que o SportNavo identificou como o nó estrutural da partida — o meio-campo desprotegido.
"Começou tudo errado, primeiro porque quando você joga um clássico, na casa do adversário, você tem que se proteger. Pelo elenco que tem, não pode jogar com dois cabeças de área, que nem cabeças de área são, e não proteger o meio-campo"
, afirmou o ex-atacante, referindo-se à dupla Danielzinho e Bobadilla escalada por Roger Machado.

A armadilha financeira que paralisa qualquer decisão no Morumbis

O que torna esse cenário particularmente complexo é que a solução mais óbvia — a troca de treinador — está bloqueada por uma variável que nada tem a ver com futebol. Um áudio do presidente Harry Massis Jr., publicado com exclusividade pela ESPN nesta segunda, deixou explícito que o clube não tem "condição" financeira de demitir Roger Machado. Não há tragédia: há contabilidade. Clubes que gastam além do que arrecadam constroem, ao longo do tempo, prisões administrativas que os impedem de reagir quando o campo exige flexibilidade.

Copa do Brasil como termômetro imediato para o técnico e o clube

A quarta-feira (13) coloca o São Paulo diante do Juventude, no Alfredo Jaconi, às 19h (de Brasília), no jogo de volta da quinta fase da Copa do Brasil — com vantagem de 1 a 0 construída no confronto de ida. Luís Fabiano descartou eliminação, mas acrescentou uma sentença que resume a fragilidade da situação: "Se o São Paulo não se classificar, acho que já era para o Roger Machado", completou Fábio Luciano. Depois disso, o clube enfrenta o Fluminense, fora de casa, no dia 16 de maio, às 20h30. São dois jogos que, somados, funcionam como um plebiscito tático sobre a continuidade do técnico — independentemente do que o caixa determine.

Na arquibancada do Morumbis, uma bandeira tricolor balança devagar enquanto a equipe deixa o campo. Ninguém vaia. Ninguém aplaude. É o silêncio de quem já calculou o prejuízo e ainda não sabe a conta final.