Não é só a novela Arboleda que corrói o São Paulo neste início de maio. Na tarde de domingo (3), em Bragança Paulista, o empate por 2 a 2 com o Bahia pela 14ª rodada do Brasileirão deixou como saldo mais do que dois pontos perdidos: Alan Franco saiu com estiramento no adutor direito, Lucas Ramon com lesão muscular na panturrilha esquerda, e o clube seguiu sem resposta sobre quando — ou se — Robert Arboleda voltará ao país. Três problemas defensivos simultâneos, num clube que já havia perdido Lucas Moura para a ruptura do tendão calcâneo da perna direita semanas antes.

A cena

Dois jogadores saindo mancando do mesmo jogo é o tipo de imagem que ficou gravada nas piores temporadas do Tricolor.

Lucas Ramon sentiu o desconforto muscular na panturrilha esquerda logo no início do segundo tempo e precisou ser substituído por Cédric Soares. Alan Franco permaneceu em campo mesmo machucado, já sem possibilidade de troca — as substituições haviam se esgotado. O estiramento no adutor direito confirmado pelo departamento médico do São Paulo no SuperCT apenas oficializou o que a coxeada do equatoriano já denunciava nas câmeras. A dupla iniciou tratamento imediatamente após o apito final, mas os prazos de recuperação ainda não foram divulgados pelo clube.

A cena Não é só Arboleda que falta ao São Paulo
A cena Não é só Arboleda que falta ao São Paulo

O resultado em si, um empate com gols de Artur, Ferreirinha e dois de Juba pelo Bahia, colocou o São Paulo na quarta colocação com 24 pontos, enquanto o Bahia aparece em sexto com 22. A tabela ainda sorri ao Tricolor, mas o custo físico do jogo foi desproporcional ao que o placar sugere.

O contexto que explica Não é só Arboleda que falta ao São Paulo
O contexto que explica Não é só Arboleda que falta ao São Paulo

O contexto que explica

O São Paulo convive há semanas com uma erosão silenciosa no seu elenco, e o caso Arboleda é o símbolo mais perturbador desse processo.

O zagueiro Robert Arboleda viajou ao Equador sem autorização do clube no início de abril. Depois de notificado formalmente com prazo de 10 dias para reapresentação — período considerado juridicamente suficiente para que ele saísse de Esmeraldas, cidade no interior equatoriano, e embarcasse rumo a São Paulo —, o defensor tinha passagem comprada para desembarcar na capital paulista por volta de 0h30 do dia 1º de maio. Representantes do São Paulo aguardavam no aeroporto. Arboleda não apareceu e permaneceu em Guayaquil.

Segundo apurou o SportNavo, o clube chegou a pagar o salário de abril do atleta justamente para se cercar juridicamente e evitar qualquer contestação futura por parte do jogador. Ainda assim, a situação segue em aberto nesta segunda-feira (4), com a possibilidade de retorno do zagueiro ao Brasil até terça-feira (5) ainda não confirmada. Três caminhos estão sobre a mesa da diretoria do Morumbis: demissão por justa causa, rescisão amigável ou reintegração mediante multa, com o atleta treinando em horários separados do restante do elenco enquanto se aguarda uma janela de transferências para negociá-lo.

A terceira opção existe porque, nos corredores do Morumbis, Arboleda ainda é visto como um ativo com valor de mercado — um zagueiro de seleção equatoriana que não pode ser simplesmente descartado sem compensação financeira. Mas o entendimento interno, conforme a ESPN apurou, é que o jogador "merece todas as críticas internas do clube e também da torcida". A conversa definitiva entre diretoria, jogador e seus representantes ainda não aconteceu.

A comparação histórica que vem à mente é inevitável. Em 2013, o São Paulo também enfrentou uma crise de disciplina com jogadores que descumpriram compromissos contratuais durante a pré-temporada, gerando desgaste institucional que se arrastou por meses. Naquele caso, a diretoria optou por rescisões silenciosas. Agora, a diferença é que o conflito é público, o jogador está fora do país e o time precisa de zagueiros disponíveis já na próxima semana.

As implicações imediatas

Com Franco e Lucas Ramon no departamento médico e Arboleda em situação indefinida, o técnico tem menos opções defensivas do que em qualquer outro momento desta temporada.

A análise do SportNavo sobre o elenco disponível mostra que o São Paulo enfrenta uma acumulação rara de baixas no setor defensivo ao mesmo tempo. Lucas Moura, embora seja meia, era peça importante na articulação ofensiva que aliviava a pressão sobre a defesa — sua cirurgia no tendão calcâneo o tira de campo até o final do ano. Com Franco e Lucas Ramon agora em recuperação, a margem de manobra para escalar a equipe nas próximas rodadas fica comprometida de forma concreta.

O clube ainda não divulgou os prazos de retorno de Franco e Lucas Ramon, mas estiramentos no adutor e lesões musculares na panturrilha costumam exigir entre duas e quatro semanas de afastamento, dependendo da gravidade. Isso significa que os dois podem desfalcar o Tricolor em pelo menos três ou quatro partidas do Brasileirão.

O encaminhamento do caso Arboleda depende de uma reunião entre as partes que ainda não tem data marcada. Enquanto isso, o São Paulo volta a campo pela Copa Sul-Americana, onde enfrenta o O'Higgins do Chile, antes de retornar ao Brasileirão para defender a quarta colocação com 24 pontos — e com um setor defensivo que nunca esteve tão exposto nesta temporada. Não é só a novela Arboleda que desgasta o São Paulo neste momento difícil.