Três gols e duas assistências em quatro jogos. Esses são os números de Nenê com a camisa do Botafogo-PB no Campeonato Paraibano, artilheiro e garçom do Belo ao mesmo tempo — o perfil clássico do meia que decide estaduais por experiência quando o físico não aguenta mais 90 minutos em alta intensidade.
Da estreia apagada ao protagonismo na semifinal
A chegada de Nenê ao Botafogo-PB foi sacramentada em 12 de janeiro, e a estreia veio 12 dias depois, no empate em 1 a 1 com o Sousa no Almeidão, pela 3ª rodada. O camisa 10 entrou no segundo tempo, com o placar já igualado, e não conseguiu virar o jogo. A noite terminou com o Belo fora do G4 momentaneamente, e o próprio Nenê reconheceu o problema:
"Fico feliz pela estreia, mas triste pelo resultado. Tivemos muitos lances em que podíamos ter acertado mais... controlado mais o jogo quando o placar estava 1 a 0", disse o meia.
Parecia um início difícil. Mas o veterano reagiu rápido. Jogo a jogo, o entrosamento que ele mesmo cobrava foi aparecendo, e o pico veio na semifinal: foi dele a assistência para Henrique Dourado marcar o 2 a 1 sobre o Serra Branca na volta, lance que levou a decisão para os pênaltis. O Belo passou e está na final.
Meias que chegaram ao Paraibano e viraram referência
O Campeonato Paraibano tem histórico de se beneficiar de meias experientes contratados especificamente para disputas de inverno. Nomes como Marcelinho Paraíba — símbolo do próprio estado — e, mais recentemente, volantes e meias armadores que passaram pelo Treze e pelo Campinense em janelas de curto prazo, construíram campanhas relevantes com impacto imediato. A diferença de Nenê é o volume de participações diretas em gols: nenhum outro meia do Botafogo-PB acumulou três gols e duas assistências em apenas quatro rodadas nesta edição do estadual.
A análise do SportNavo mostra que, em estaduais nordestinos, meias com mais de 35 anos costumam demorar três a cinco jogos para atingir o pico de rendimento pelo ajuste físico ao calendário intenso. Nenê, que tem longa trajetória no futebol brasileiro, chegou lá em quatro partidas — quase no limite mínimo desse padrão.
"Precisamos construir o resultado, e saber controlar, acelerar e contra-atacar na hora certa. Jogo a jogo nós vamos melhorar, vamos pegar entrosamento", projetou o camisa 10 após a estreia.
O que Nenê muda taticamente no Belo
No esquema do Botafogo-PB, Nenê opera como pivot do meio-campo: dita o ritmo, distribui a bola e aparece na área em momentos pontuais. Os dois lances anulados por impedimento na estreia contra o Sousa já mostravam essa característica — ele ganha da marcação na corrida e se projeta para o ataque. Com o entrosamento consolidado, esse movimento virou ameaça real, como a assistência para Henrique Dourado na semifinal comprova.
O Belo chega à final com um trunfo histórico também: o clube está a um passo de encerrar um jejum de sete anos sem o título do Campeonato Paraibano. A última conquista foi em 2019, e a geração atual tem em Nenê o principal nome dessa retomada.

Final já tem data e o Belo joga em casa
O Botafogo-PB recebe o Sousa no sábado (22), às 16h45, no Almeidão, em João Pessoa, com a vantagem de 2 a 1 do jogo de ida. Um empate já garante o título ao Belo. Para Nenê, que chegou ao clube em janeiro exatamente para disputas como essa, é a chance de colocar o nome na história do futebol paraibano com um troféu estadual.









