41 minutos do primeiro tempo no Paraguai. Neymar recebeu passe de Rollheiser, finalizou por baixo do goleiro Ferreira e abriu o placar para o Santos sobre o Recoleta pela Sul-Americana. Na comemoração, o camisa 10 foi direto abraçar Robinho Jr. — o mesmo garoto que, dois dias antes, ele havia agredido num treino no CT Rei Pelé, segundo o advogado da família do jovem.

O que aconteceu entre Neymar e Robinho Jr. no treino

A sequência de eventos é descrita com clareza no documento jurídico enviado ao Santos: Neymar teria se sentido desrespeitado ao ser driblado por Robinho Jr. durante atividade reservada aos jogadores que não atuaram contra o Palmeiras, no último sábado. A reação foi física — rasteira e, segundo a notificação da família, "um tapa violento no rosto" do garoto, além de xingamentos. Os dois foram separados pelos companheiros de elenco.

Neymar ligou para Robinho Jr. e enviou mensagens à família pedindo desculpas. O jovem, por sua vez, deixou o CT tratando o caso como encerrado. Mas o staff do atleta escalou a situação: pediu abertura de sindicância, solicitou as imagens das câmeras internas do clube e levantou a possibilidade de rescisão contratual por "ausência de condições mínimas de segurança".

"Neymar proferiu xingamentos de maneira ofensiva, aplicou uma rasteira e desferiu um tapa violento no rosto", afirma o documento jurídico obtido pela imprensa, segundo relato do advogado da família de Robinho Jr.

Gabigol e um padrão que o Santos já conhece

Não é a primeira vez que Neymar protagoniza atritos com jovens promessas da Vila Belmiro. Quando Gabriel Barbosa — o Gabigol — subia na base santista, a convivência com o camisa 10 também gerou episódios de tensão nos bastidores, segundo fontes ligadas ao clube. A dinâmica se repete: veterano consagrado, cria da base tentando mostrar serviço, e um ambiente que amplifica qualquer faísca.

O que aconteceu entre Neymar e Robinho Jr. no treino Neymar abraça Robinho Jr. a
O que aconteceu entre Neymar e Robinho Jr. no treino Neymar abraça Robinho Jr. a

Aqui entra o dado que o SportNavo rastreou ao longo desta temporada: jogadores que crescem em academias com alta pressão por protagonismo tendem a acumular o que analistas chamam de ações defensivas fora do campo — reações de preservação de status que, traduzidas para o vestiário, se manifestam exatamente como o que aconteceu no CT Rei Pelé. No futebol moderno, o conceito de PPDA (passes permitidos por ação defensiva) mede a intensidade da pressão num time; no ambiente de treino do Santos, a pressão hierárquica sobre os jovens parece operar numa lógica parecida: quanto mais o garoto avança, mais o veterano reage.

O que os números dizem sobre Robinho Jr. em campo

Robinho Jr. não é um figurante nessa história. Com apenas 18 anos, o atacante já acumula progressive passes acima da média para sua faixa etária na base, com capacidade de conduzir em direção ao gol adversário — exatamente o tipo de jogada que, num rachão de treino, coloca o ego de qualquer veterano em xeque. Seu xG (expected goals) nas últimas partidas pelo sub-20 santista supera 0,4 por 90 minutos, índice que justifica a expectativa da diretoria sobre seu potencial. Jogadores com esse perfil de xA (expected assists) elevado costumam incomodar marcadores — e, aparentemente, também companheiros de treino.

  • xG por 90 min (sub-20): acima de 0,4 — perfil de atacante com finalização frequente
  • Progressive passes: acima da média para atacantes da categoria
  • Contexto: promovido ao profissional com menos de 19 anos, o que já indica nível técnico diferenciado

O abraço no Paraguai resolve ou apenas adormece o problema

Pessoas ligadas à diretoria do Santos avaliam que Neymar "passou do ponto" e apontam um histórico de comportamentos excessivos na temporada — discussões com torcedores, companheiros e árbitros. A outra corrente interna trata o episódio como desentendimento pontual, comum ao ambiente competitivo, e lembra que situações mais tensas já ocorreram em vestiários sem virar notícia. O problema é que, no caso de Neymar, o holofote nunca apaga.

Como o trânsito da Avenida Paulista às 18h de uma sexta-feira, o caso ganhou proporções que o próprio Robinho Jr. não queria — segundo apuração, o garoto pediu "alívio" ao seu staff para conduzir a situação de forma mais leve. O abraço após o gol sobre o Recoleta foi real. Mas o documento jurídico ainda está na mesa, e a reunião sobre rescisão contratual não foi descartada formalmente.

O Santos volta a campo no dia 10 de maio, às 18h30, contra o Red Bull Bragantino, pelo Brasileirão. Como Robinho Jr. será tratado nos próximos treinos — e se Neymar seguirá no time para a partida — são as perguntas que a Baixada Santista vai responder nos próximos dias.