A briga já estava em curso quando os detalhes chegaram ao público. No treino do Santos desta semana, Neymar e Robinho Júnior, atacante de 18 anos revelado na base do clube, trocaram palavras em tom de confronto direto — o segundo episódio de exaltação do camisa 10 em menos de 14 dias.

Dois episódios em duas semanas e um padrão que se repete no Santos

Há cerca de uma semana, Neymar já havia batido boca com um torcedor em situação separada. Antes disso, um gesto com o ouvido durante partida também virou manchete. Para o comentarista Bira, da Live do Santos no Canal UOL, os três episódios formam uma sequência que não pode ser tratada de forma isolada.

"Essa reação desproporcional do Neymar me surpreende muito. Ele deve estar passando por algum problema grave psicologicamente e tem que olhar sério para isso. Dá para ver que ele está abalado, e não é de hoje que ele vem pisando na bola e se exaltando."

Bira listou os três gatilhos recentes que transformaram o comportamento de Neymar em pauta recorrente no clube:

Dois episódios em duas semanas e um padrão que se repete no Santos Neymar acumul
Dois episódios em duas semanas e um padrão que se repete no Santos Neymar acumul
  • Gesto com o ouvido durante jogo — repercussão nas redes sociais
  • Bate-boca com torcedor — registrado há aproximadamente uma semana
  • Discussão com Robinho Júnior no CT Rei Pelé — o episódio mais recente

Robinho Júnior no centro do conflito e a omissão da comissão técnica

O fato de o confronto mais recente envolver um jogador de 18 anos amplia a preocupação dentro do elenco. Bira cobrou postura direta do técnico Cuca e de sua comissão diante do clima de confronto.

"Essa relação me preocupa, principalmente quando afeta um menino de 18 anos. Se é 'perna' ou não, isso é responsabilidade do Cuca e da comissão técnica dele. Eles têm que botar o Robinho Júnior no lugar. A conta desse problema não fecha. O que está acontecendo é grave."

O comentarista reconheceu que líderes de elenco costumam cobrar rendimento de companheiros mais jovens, mas avaliou que a dinâmica atual no Santos vai além de uma cobrança técnica rotineira — e que cabe à comissão técnica intervir antes que o ambiente se deteriore ainda mais.

O que muda no Santos nas próximas semanas com Neymar nesse estado

Neymar retornou ao Santos em 2025 após rescisão com o Al-Hilal, clube saudita com o qual tinha contrato até 2025 e recebia, segundo dados públicos à época, cerca de 100 milhões de euros anuais. No Santos, o vínculo foi firmado sem divulgação oficial de salário, mas fontes do mercado estimaram remuneração mensal na casa de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões — valor expressivo para o padrão da Série A do Brasileirão.

Com o Brasileirão 2026 em curso, o Santos depende de Neymar em campo para sustentar desempenho e relevância comercial. Patrocinadores atrelaram cotas de exposição à presença do jogador, o que torna episódios de instabilidade comportamental um risco financeiro concreto para o clube.

"Está numa hora de ele se recolher e de se reorganizar com os seus. De achar um lugar em que consiga ter paz para continuar fazendo a sua profissão. Está desandando muito rápido. Vem uma sequência de piores decisões que não é nem do perfil dele", avaliou Bira.

É o mesmo cenário que Adriano Imperador viveu no Flamengo em 2009 — só que agora a aposta financeira e simbólica em torno do jogador é ainda maior, e o Santos tem menos margem de erro para administrar o desgaste.