A televisão estava ligada na sala. Familiares espalhados pelo sofá, Bruninho e Thiaguinho no canto, Bruna Biancardi ao lado. A cerimônia no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, transmitida ao vivo — e aquele homem de 34 anos, que passou os últimos anos costurando joelhos e remontando a própria carreira, segurava o celular como quem espera uma sentença. Neymar estava desesperado, mas tentava não mostrar. Quando Carlo Ancelotti anunciou o nome dele entre os 26 convocados para a Copa do Mundo, o craque não segurou: vibrou, chorou e correu para abraçar seu fisioterapeuta — o homem que, talvez mais do que qualquer outro, soubesse o quanto aquele momento custou.
O choro que o Brasil esperava ver
No vídeo publicado no canal do YouTube do jogador na manhã desta terça-feira, 19 de maio, Neymar aparece confiante — mas nervoso. Ele havia desenvolvido uma tese: Ancelotti não havia ligado para ele antes do anúncio, e isso, na lógica do atacante, era bom sinal. "Estou com uma tese de que se ele não me ligou até agora...", disse, antes de ser interrompido por um amigo que sugeriu o contrário. A resposta foi direta: "Pelo contrário. Eu acho que ele ligaria [se não fosse convocá-lo]. Tô até com medo de ficar de olho no telefone. Tá na mão do homem. Tô desesperado."
"Fico feliz de ter feito um ótimo trabalho e estar apto a ser convocado. Agora, é esperar", disse Neymar momentos antes de ouvir o próprio nome na lista de Ancelotti.
O local explodiu. Gritos de "Olê, olê, olê, olá… Neymar, Neymar" tomaram o Museu do Amanhã assim que o nome foi pronunciado. E na sala em Santos, os abraços se multiplicaram antes das ligações — primeiro para o pai, depois para Raphinha, do Barcelona, também convocado. Nos minutos seguintes, quatro marcas diferentes — Mercado Livre, Red Bull, Puma e Canção Alimentos — soltaram reels celebrando a convocação, com uma alfinetada implícita no Burger King, que havia ironizado a possível ausência do jogador. A máquina Neymar nunca para.
A panturrilha que mudou o calendário do Santos
Mas antes da festa, havia um sinal de alerta. Desde 17 de maio, dois dias depois da derrota para o Coritiba no último fim de semana, o Santos lida com um edema na panturrilha direita do camisa 10. O problema foi detectado nos exames de rotina pós-jogo e, embora não represente risco para a Copa, já alterou o planejamento do clube para as próximas semanas.
O tratamento acontece no CT Rei Pelé, com acompanhamento compartilhado entre a comissão médica santista e a equipe da Seleção Brasileira. O modelo de gestão conjunta já era esperado: desde o início de 2026, Neymar cumpre um rígido controle de carga, o que resultou em 15 partidas pelo clube na temporada, com seis gols e quatro assistências. O edema tirou o atacante dos próximos compromissos contra San Lorenzo e Grêmio, e praticamente inviabiliza sua presença contra o Deportivo Cuenca, último jogo antes da apresentação à Seleção.
O prazo é conhecido: Neymar permanece à disposição do Santos até 26 de maio. No dia seguinte, 27 de maio, acontece a apresentação oficial ao grupo comandado por Ancelotti. A tendência, segundo apuração do SportNavo, é que o atacante não dispute mais nenhum jogo oficial pelo clube antes do Mundial — e o Santos já incorporou essa realidade ao planejamento da sequência do Brasileirão.
Quem apostou na volta por cima quando as cirurgias se acumulavam?
O próprio Neymar respondeu essa pergunta antes mesmo de saber que seria convocado. No vídeo de terça-feira, ele relembrou as lesões e as cirurgias que marcaram os últimos anos, declarando que a Copa do Mundo de 2026 "será a última de qualquer jeito". Será a quarta participação do jogador em Mundiais, depois de 2014, 2018 e 2022 — uma trajetória marcada pela ambição e pela dor em proporções quase iguais.
No futebol, como no ditado, quem não tem cão caça com gato — e Neymar, sem o físico de uma década atrás, reconstruiu sua relevância com controle, inteligência tática e os números que o Santos precisava ver. Seis gols e quatro assistências em 15 jogos na temporada 2026 foram suficientes para convencer Ancelotti de que o camisa 10 ainda tem o que oferecer num torneio de Copa do Mundo.
"Será a última de qualquer jeito", afirmou Neymar ao falar sobre a Copa de 2026, relembrando as lesões e cirurgias que precisou superar para chegar até aqui.
O que espera Neymar entre agora e a estreia do Brasil
O cronograma dos próximos dias é de recuperação controlada. O edema na panturrilha direita não impõe urgência, mas exige respeito: o objetivo é que o atacante chegue ao grupo de Ancelotti em condições plenas de treinar desde o primeiro dia de concentração. A apresentação em 27 de maio marca o início de uma etapa que o jogador descreve como o capítulo final da sua história com a amarelinha.
Com contrato com o Santos até dezembro de 2026, Neymar deve retornar ao clube após a Copa. O que acontece em 2027 permanece em aberto — uma nova experiência internacional, uma extensão no litoral paulista, ou simplesmente a decisão de um atleta que, aos 34 anos, tem direito de ditar o próprio ritmo. Por ora, o foco é único: chegar a 27 de maio com a panturrilha curada, o nome na lista e o sonho do hexa intacto. A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 está marcada para junho, e Neymar pretende estar em campo.









