O cheiro de cola e papel cuchê. Quem cresceu no Brasil dos anos 1990 sabe exatamente do que se trata — aquela sensação tátil de abrir um envelope de figurinhas e torcer para não repetir. Décadas depois, a Panini confirmou que Neymar e Endrick estão entre os cinco brasileiros que integram o pack de atualização do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026. O pacote, vendido exclusivamente pelo site da editora por R$ 119,90, já é o item mais procurado entre colecionadores do país.
Quem entra e quem sai do álbum oficial
A lógica do pack é simples, mas o impacto é considerável. Cinco jogadores brasileiros ganham cromos novos para substituir atletas que constavam na versão inicial do álbum, mas não foram convocados para o torneio — seja por lesão, seja por opção técnica do treinador. Além de Neymar e Endrick, o goleiro Weverton, o lateral-esquerdo Alex Sandro e o centroavante Igor Thiago completam o quinteto de novidades.
Do lado dos que saem, os nomes pesam: o goleiro Bento, o zagueiro Éder Militão, o meia Rodrygo e os atacantes João Pedro e Estêvão perdem seus cromos na versão atualizada. Cinco erros em uma lista de 18 jogadores representam um índice de 28% de imprecisão — o pior desempenho da Panini em quatro décadas de álbuns da Seleção Brasileira.
Outros convocados, no entanto, ficam de fora mesmo da atualização. O álbum comporta apenas 18 jogadores por seleção, e nomes como Léo Pereira, Ibañez, Ederson, Fabinho e Rayan não aparecem em nenhuma figurinha. O lateral Wesley, que consta na lista final de convocados mas não jogará o torneio, tampouco recebe um cromo substituto — a Panini optou por não criar uma sexta figurinha de reposição para esse caso específico.
Como funciona o pack de 120 figurinhas
O pacote de atualização reúne 120 figurinhas organizadas em seis cartelas com 20 cromos cada. Não há repetição dentro do kit — ao contrário dos envelopes avulsos, que funcionam no esquema aleatório tradicional. O produto já está disponível para compra no site oficial da Panini, mas a entrega física está prevista apenas para a segunda quinzena de julho, o que significa que parte dos jogos da fase de grupos já terá acontecido quando os álbuns chegarem às mãos dos colecionadores.
A distribuição é exclusivamente digital-para-físico. As novas figurinhas não serão vendidas em bancas de jornal, aplicativos de entrega ou lojas físicas. Quem quiser completar o álbum com os convocados oficiais precisará, obrigatoriamente, adquirir o pack pelo canal oficial. Essa exclusividade, combinada com a tiragem limitada, já criou uma pressão de demanda que os grupos de colecionadores no WhatsApp e no Telegram registram com frequência diária.
O mercado paralelo que Neymar e Endrick já movimentam
Nos grupos de troca e venda de figurinhas — fenômeno que ganhou dimensão nacional durante a Copa do Catar em 2022 —, as figurinhas de Neymar e Endrick já aparecem cotadas acima do valor proporcional do pack. A lógica é conhecida: quando um item tem distribuição restrita e demanda ampla, o mercado secundário precifica o excesso de procura. Quem comprar o kit completo e já possuir as demais figurinhas tende a negociar os dois cromos mais desejados separadamente.
O retorno de Neymar ao álbum tem peso simbólico que vai além da coleção. Ausente das Copas de 2022 por lesão parcial e das convocações regulares da Seleção nos últimos anos, o atacante voltou à lista oficial e, com ela, recuperou seu espaço no colecionável mais popular do futebol mundial. Endrick, aos 18 anos, chega ao torneio como um dos jogadores mais jovens da competição — e sua figurinha carrega a expectativa de quem ainda não sabe exatamente o que vai encontrar dentro do envelope.

Segundo a Panini, a previsão de entrega das figurinhas físicas é para a segunda quinzena de julho — o que coloca o produto nas mãos dos colecionadores já durante a fase de grupos do torneio.
Em matéria do SportNavo, o fenômeno dos álbuns de figurinha já foi tratado como um termômetro cultural da Copa — e esta edição não foge à regra. A raridade do pack de atualização replica, em escala menor, o mesmo mecanismo das edições especiais de discos de vinil ou das primeiras tiragens de livros: o valor não está apenas no objeto, mas na escassez que o cerca.
O que o colecionador precisa fazer agora
A compra é feita exclusivamente em panini.com.br, pelo valor de R$ 119,90 por kit. O produto já consta como disponível no site, mas os estoques são limitados e a demanda cresceu de forma expressiva após a confirmação das imagens dos novos cromos pela própria editora. Quem deixar para depois corre o risco de enfrentar indisponibilidade e, consequentemente, depender do mercado secundário — onde os preços já começam acima do valor oficial.
Para quem coleciona em formato digital, o aplicativo Panini Digital também recebe as atualizações, mas os cromos físicos seguem sendo o objeto de maior procura entre os grupos organizados de trocas. A figurinha de papel ainda tem algo que o pixel não consegue replicar: aquela resistência leve entre os dedos, o brilho específico do verniz, a imperfeição mínima de um corte levemente torto. Como um prato feito à mão numa cozinha de bairro — o valor mora exatamente no que não pode ser reproduzido em série.








