Domingo, 3 de maio de 2026. A tarde no CT Rei Pelé, em Santos, terminou de forma diferente do que a comissão técnica de Cuca havia planejado. O treino que deveria preparar o elenco para o duelo contra o Recoleta, nesta terça-feira (5), no Estádio Monumental Río Parapití, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, virou palco de um desentendimento entre Neymar e Robinho Jr. — dois atacantes que, ao menos no papel, deveriam puxar o mesmo carro.
O que mudou
Neymar havia ficado de fora do empate com o Palmeiras e retorna à delegação justamente para o jogo mais urgente que o Santos tem pela frente na Copa Sul-Americana. O clube ocupa a lanterna do Grupo D com apenas dois pontos, atrás de San Lorenzo (cinco), Deportivo Cuenca (quatro) e do próprio Recoleta (três). Perder ou empatar nesta terça pode encerrar matematicamente qualquer esperança continental do Peixe ainda na fase de grupos.

É nesse contexto de pressão que o episódio de domingo precisa ser lido.
As versões sobre o que aconteceu no CT divergem de forma significativa. Segundo apuração do SportNavo, há relatos que descrevem um leve empurrão, enquanto outras fontes internas ao clube falam em um suposto tapa de Neymar no jovem atacante. A diferença entre as duas versões não é apenas semântica — ela determina o grau de gravidade do que ocorreu e o tipo de resposta institucional que deveria ter sido tomada.
Segundo fontes ouvidas pelo UOL, o clube tratou o episódio com naturalidade, e o Santos embarcou na tarde desta segunda-feira (4) focado em somar os três pontos no Paraguai.
A decisão de relacionar ambos foi, ao mesmo tempo, pragmática e reveladora. Pragmática porque o Santos não tem margem para dispensar nenhum dos dois num momento de urgência na Sul-Americana. Reveladora porque expõe como o clube prefere silenciar conflitos internos a enfrentá-los com transparência.
Por que agora
Quem defende a postura do clube argumenta que brigas em treino são comuns no futebol de alto rendimento, que a adrenalina e a pressão competitiva produzem atritos que se dissolvem rapidamente. O argumento tem algum amparo histórico — casos de desentendimentos entre companheiros que voltaram a jogar juntos no dia seguinte não são raridade no futebol brasileiro.
O problema é que esse raciocínio ignora duas variáveis centrais deste episódio específico. Primeiro, a assimetria de poder: Neymar é o camisa 10 e a principal referência salarial do elenco, enquanto Robinho Jr. é um jovem atacante em construção de carreira. Quando o mais experiente parte para o confronto físico com o mais jovem — seja empurrão ou tapa —, a equação de força não é horizontal, e o clube tem obrigação institucional de reconhecer isso. Segundo, o momento: o Santos está na lanterna do Grupo D da Sul-Americana, com uma sequência de resultados que não permite qualquer perturbação adicional no ambiente.
A análise do SportNavo sobre o histórico recente de Neymar no Santos mostra que este não é um episódio isolado de comportamento explosivo. O retorno do atacante ao Peixe, em 2025, foi marcado por polêmicas dentro e fora de campo, e cada novo incidente alimenta a percepção — dentro do próprio vestiário — de que as regras que valem para o elenco não necessariamente valem para o camisa 10.
Nas palavras de uma fonte próxima ao elenco, ouvida pela reportagem, "o problema não é a briga em si, é a sensação de que tem um jogador acima das normas do grupo".
O que vem em seguida
O Santos embarcou nesta segunda-feira (4) para Pedro Juan Caballero com Neymar e Robinho Jr. na delegação. Cuca terá de gerir o ambiente no vestiário durante as próximas 48 horas, garantindo que o desentendimento de domingo não vire ruído no vestiário paraguaio.
A missão em campo é objetiva: vencer o Recoleta para sair da lanterna do Grupo D e manter viva a participação na Sul-Americana. Um tropeço — empate ou derrota — pode ser fatal para as aspirações continentais do clube nesta temporada de 2026.
A bola rola nesta terça-feira, dia 5 de maio, às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Monumental Río Parapití. O Santos precisa dos três pontos. Neymar e Robinho Jr. precisarão, ao menos por 90 minutos, estar do mesmo lado do campo.









