A menos de 48 horas do embarque para Buenos Aires, o Santos amanheceu o domingo sem Neymar. O jogador não compareceu ao treino marcado para as 10h no CT Rei Pelé e, segundo apuração da ESPN, não apresentou qualquer justificativa. O clube entrou em contato com o jogador e seu estafe na tentativa de compreender o motivo da falta — sem resposta oficial até o momento da publicação desta reportagem.
O peso simbólico de uma cadeira vazia
Num ambiente esportivo, a gestão do grupo é tão determinante quanto qualquer estratégia tática. Um estudo publicado em 2022 pelo Centro de Pesquisa em Psicologia do Esporte da Universidade de Stirling, no Reino Unido, identificou que episódios de indisciplina de atletas de alto perfil elevam o índice de ansiedade coletiva em elencos profissionais em até 34% nos três dias que antecedem competições. O caso de Neymar, conforme levantamento do SportNavo a partir das informações disponíveis, encaixa-se com precisão nessa moldura: uma figura de referência que desaparece da preparação sem palavra.
A ausência é ainda mais pregnante porque os companheiros que estavam em Salvador — parte do grupo havia viajado para o empate por 2 a 2 diante do Bahia, na Arena Fonte Nova, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro — realizaram treino regenerativo no próprio hotel. Quem ficou em Santos, incluindo Gabigol, Gabriel Brazão, Willian Arão e Igor Vinícius, foi convocado justamente para esse trabalho de domingo, que inaugurava a preparação para o San Lorenzo. Um estava faltando.
Aritmética cruel na Sul-Americana
O contexto competitivo agrava qualquer leitura sobre o episódio. O Santos ocupa a última posição do Grupo D da Copa Sul-Americana com apenas um ponto conquistado em dois jogos disputados. O San Lorenzo, adversário de terça-feira (28), às 19h no Estádio Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, lidera a chave com quatro pontos. Uma derrota tornaria matematicamente muito improvável a classificação do Peixe ainda na fase de grupos, exigindo uma sequência perfeita nas rodadas restantes.
Não se trata apenas de um clube em dificuldade na competição continental. No Campeonato Brasileiro, o Santos está a dois pontos da zona de rebaixamento — com a possibilidade concreta de entrar no Z4 a depender dos resultados deste mesmo domingo. O acúmulo de pressão institucional cria um ambiente onde cada gesto, cada presença ou ausência nos treinos, adquire dimensão amplificada.
Reforços confirmados, mas pergunta permanece
Há, evidentemente, boas notícias na logística do elenco. Gabigol e Igor Vinícius retornam após cumprirem suspensão e não atuarem contra o Bahia. Gabriel Brazão, que esteve ausente nas últimas duas partidas em razão do falecimento do pai no início da semana, viajará com o grupo — uma presença que já carrega um peso humano próprio. Willian Arão, preservado no sábado, também fica à disposição do técnico Cuca. Gustavinho, que também estava suspenso, não deve viajar por conta de uma lesão muscular na coxa esquerda.
A pergunta que estrutura toda a semana, no entanto, segue sem resposta: Neymar viajará para a Argentina? Participará do treino programado para a segunda-feira (27), em Buenos Aires? A linha de comunicação entre clube e estafe, segundo a ESPN, estava ativa — mas ainda sem retorno oficial.
Liderança, vestiário e a sociologia de um elenco sob pressão
Há uma dimensão que os números de tabela não capturam diretamente: a coesão interna de um grupo que precisa, simultaneamente, lutar contra o rebaixamento no Brasileirão e evitar a eliminação precoce na Sul-Americana. A análise do SportNavo aponta que o Santos acumulou, em menos de dois meses, três episódios de ausência ou poupança de Neymar em sequências críticas — padrão que alimenta narrativas sobre comprometimento e que os líderes de vestiário precisam administrar independentemente da veracidade das especulações.
Neymar foi poupado do jogo contra o Bahia justamente após uma sequência de quatro partidas em que atuou os 90 minutos. Cuca optou pela preservação física com critério técnico aparente. O domingo, porém, foi diferente: não era jogo, era treino. E treino, num momento de crise dupla, tem caráter de pacto coletivo.
"O Santos já está em contato com o jogador e seu estafe para entender o motivo da falta", informou a ESPN, sem que clube ou representantes de Neymar tenham se pronunciado oficialmente até a publicação.
O Santos enfrenta o San Lorenzo na terça-feira (28), às 19h, no Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, precisando vencer para se manter matematicamente vivo no Grupo D da Copa Sul-Americana. A participação de Neymar permanece incerta até que o clube obtenha uma explicação formal do jogador ou de seus representantes.









