Diz-se que o Santos joga bem com Neymar. Na verdade, joga bem sem ele também — e o motivo dessa distinção importa muito para o que vem aí.
A cena
Sábado, 2 de maio, Allianz Parque. O Santos chegou atrasado — Cuca pediu desculpas publicamente pela logística caótica antes mesmo de falar de futebol. "Fizemos um tour em São Paulo, passamos pela Paulista, Ibirapuera", disse o treinador com deboche irônico sobre o trajeto que atrasou a delegação em quase uma hora e prejudicou o aquecimento do elenco.
Dentro de campo, o Peixe ficou no 1 a 1 contra o Palmeiras, pela 14ª rodada do Brasileirão. Do outro lado, o alviverde teve Paulinho de volta após 302 dias fora por fratura por estresse na tíbia — uma lesão incomum que manteve o atacante fora da temporada inteira. O clássico foi equilibrado, mas o que mais gerou engajamento nas redes foi a ausência de número 10 santista: Neymar ficou fora.
O contexto que explica
A explicação de Cuca foi direta na coletiva pós-jogo. O gramado sintético do Allianz Parque é incompatível com o histórico de lesões no tornozelo de Neymar.
"Neymar sente muito em jogar no gramado sintético e por essa situação ele não veio. Quem tem problema de articulação, como o Neymar tem, daí o sintético faz ruim para ele."
— Cuca, após o empate com o Palmeiras
Seria injusto chamar de protocolo médico o que o Santos está montando — mas é um protocolo médico em escala de Copa do Mundo. O atacante, que retornou ao clube nesta temporada de 2026, tem o tornozelo direito como ponto frágil desde a lesão de 2023 no Al-Hilal. Jogar em superfícies sintéticas aumenta o impacto nas articulações e eleva o risco de recaída — algo que o Santos não pode se dar ao luxo de ignorar com a convocação da seleção marcada para 18 de maio, no Rio de Janeiro.
Apesar da ausência no clássico, Cuca garantiu que Neymar tem presença confirmada nos próximos compromissos. A frase do treinador circulou muito nas redes ainda durante o segundo tempo do jogo:
"Neymar claro que vai jogar, depois ter sequência até convocação. Fazer o melhor possível para estar pronto e energizado e agora é largar tudo em campo. Primeiro, para nos ajudar. Depois, para se ajudar."
— Cuca, em entrevista coletiva
As implicações imediatas
O calendário do Santos até 18 de maio é denso e mistura superfícies diferentes — exatamente o dilema que o clube precisa administrar. Confira a sequência:
- 05/05 — Deportivo Recoleta (fora, Paraguai) — Copa Sul-Americana, 21h30, Disney+
- 10/05 — Red Bull Bragantino (casa) — Brasileirão, 18h30
- 13/05 — Coritiba (fora) — Copa do Brasil, 19h30
Neymar deve estar disponível já contra o Recoleta na terça-feira — jogo em grama natural, fora do Brasil. A partida contra o Bragantino e os dois confrontos com o Coritiba, um pela Copa do Brasil e outro pelo Brasileirão, ainda precisam ter as superfícies dos estádios confirmadas para definir se o craque entra em campo ou fica de fora novamente.
A análise do SportNavo mostra que, das quatro partidas restantes até a convocação, pelo menos dois jogos devem ocorrer em gramados naturais — o que abre caminho para Neymar acumular minutos sem o risco adicional do sintético. O desafio está nos jogos em que o piso for artificial: preservar o jogador pode custar pontos no Brasileirão, mas escalar com risco de lesão pode custar a Copa.

Cuca também foi transparente sobre o desempenho coletivo sem a estrela. "O time está jogando bem com Neymar, sem o Neymar, porque estamos fazendo bons jogos. Mas resultados não vêm. Precisamos fazer por onde melhorar e colocar a bola para dentro", afirmou o treinador. O Santos soma apenas um ponto nos últimos dois jogos no Brasileirão — empates que mostram solidez defensiva mas falta de eficiência ofensiva.
Nas redes sociais, a ausência de Neymar no clássico movimentou as menções ao Santos: o nome do atacante foi o mais citado no Twitter/X durante o primeiro tempo do jogo, superando inclusive os jogadores que estavam em campo. Isso resume bem o dilema do clube — o craque gera mais engajamento fora do campo do que qualquer resultado dentro dele.
Diz-se que o Santos joga bem com Neymar. Na verdade, joga bem sem ele também — mas só com ele dentro de campo o Peixe tem chance real de transformar bons jogos em resultados antes de 18 de maio.








