Três coisas: ranking, salário e presença. Tudo se explica daí.
Vinicius Jr. fechou o ciclo mais recente dos rankings globais como o único brasileiro no top 50 da Forbes — 34º lugar, US$ 60 milhões anuais, sendo US$ 40 milhões em campo e US$ 20 milhões em publicidade e ações comerciais. Neymar, que aparecia na 25ª posição do levantamento anterior com US$ 76 milhões, simplesmente saiu da lista. Não caiu. Desapareceu.
O tamanho do abismo entre Vini Jr. e Neymar nos rankings
A diferença entre os dois não é apenas de posição. É de universo. Na edição mais recente da FourFourTwo, Vini Jr. está em 10º entre os melhores jogadores do planeta. Neymar não é mencionado. A distância entre os dois, em termos de relevância global, já é maior do que a distância entre Recife e Porto Alegre — dois extremos de um país continental que, durante anos, apostou todas as fichas num único nome.
Na temporada 2025/26, Vini Jr. acumula 17 gols e 9 assistências em 43 partidas pelo Real Madrid. São números que justificam qualquer ranking, qualquer contrato, qualquer capa de revista. E que contrastam duramente com os 17 jogos e seis gols de Neymar no ano em que sofreu a ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco do joelho esquerdo, em outubro de 2023, durante a derrota do Brasil para o Uruguai pelas Eliminatórias.
A geração que cresceu enquanto Neymar operava
Enquanto Neymar passava meses no departamento médico, uma geração inteira se consolidou. Rodrygo aparece em rankings de valor de transferência do CIES Football Observatory. Alisson, Bruno Guimarães e Ederson figuram entre os 25 melhores do mundo pela FourFourTwo. Gabriel Martinelli, Marquinhos, Douglas Luiz e Lucas Paquetá também aparecem na lista dos 100. O futebol brasileiro nunca teve tantos representantes de alto nível espalhados pela Europa — e, paradoxalmente, nunca dependeu tão pouco do jogador que era seu símbolo máximo.
Segundo apuração do SportNavo, a mudança não é apenas estatística. É narrativa. Neymar sequestrou o debate sobre a seleção brasileira por anos — convocado ou não, lesionado ou não. Em amistosos recentes nos Estados Unidos, com o Brasil sendo derrotado pela França por 2 a 1 em Orlando, o nome dele foi gritado pela torcida mesmo sem estar em campo. Mas a realidade do campo diz outra coisa.
Vini Jr. assume o protagonismo — dentro e fora do campo
O próprio Vinicius Jr. já incorporou o papel de voz da seleção. Em entrevista coletiva em março de 2026, nos EUA, durante a preparação para amistosos contra França e Croácia, ele foi direto sobre o momento da equipe nacional.

"Acredito que não é a favorita pelos resultados que tivemos na Eliminatória, mas o peso da camisa, dos jogadores que temos aqui, muitos que atuam nas melhores equipes do mundo, onde todos têm o seu protagonismo. Só faltava encaixar", disse o atacante de 25 anos.
A seleção brasileira encerrou as Eliminatórias Sul-Americanas na quinta posição — o pior desempenho desde a adoção do formato atual, com oito vitórias, quatro empates e seis derrotas. Mesmo assim, Vini Jr. projeta tranquilidade, não arrogância.
"A gente não quer o favoritismo, queremos chegar na Copa do Mundo como estamos chegando para esses amistosos, com muita tranquilidade, paciência, mas focados em tudo aquilo que a gente quer", completou.
O efeito cascata para a Copa do Mundo
A virada geracional tem consequências diretas para o que vem pela frente. Com a Copa do Mundo se aproximando, o Brasil chega sem o aura de favorito, mas com um elenco que inclui nomes como Rodrygo, Estevão, Raphinha e o próprio Vini Jr. — todos titulares em clubes de elite europeia. A ausência de Neymar, que parece cada vez mais definitiva no contexto da seleção, deixou de ser uma crise e passou a ser, para muitos dentro do grupo, um dado neutro.
O problema, como apontam observadores, é que Vini Jr. ainda soma apenas oito gols em 45 jogos pela seleção — desempenho muito abaixo do que apresenta pelo Real Madrid, onde é mais ousado, sai da ponta para o meio e busca combinações com companheiros. Carlo Ancelotti, que comanda tanto o clube quanto a seleção, precisará resolver essa equação antes de julho. A estreia do Brasil na Copa do Mundo acontece com o grupo ainda sendo definido — e o número 7 de Vinicius Jr. carregando, pela primeira vez sem sombras, o peso inteiro de uma nação.









