Voltou. Com um gol na vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, na Vila Belmiro, Neymar reabriu um debate que o futebol brasileiro nunca consegue fechar de vez: o camisa 10 ainda tem lugar na seleção de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026? Os números da temporada — seis gols e três assistências em 13 partidas — sustentam o argumento de quem diz que sim.
Neymar ressurge no Santos enquanto o relógio da convocação corre
A atuação contra o Bragantino foi o gatilho para que o ex-atacante e apresentador Craque Neto mudasse de posição publicamente. No programa Os Donos da Bola, na segunda-feira (11), ele foi direto ao ponto:
"Hoje eu levaria ele! Se ele continuar fazendo o que fez ontem, eu levaria. Mas se ele achar que é o Batman, o Coringa, aí não", declarou Neto, antes de completar: "Prefiro ele do que o Matheus Cunha, João Pedro e Martinelli."
A declaração tem peso histórico: Neto foi um dos críticos mais contundentes de Neymar ao longo dos últimos anos. Quando um opositor histórico muda de lado, o mercado de apostas nota. O Santos, ciente do momento, decidiu transferir o próximo jogo do clube — contra o Coritiba — para a Neo Química Arena, buscando exposição maior para o camisa 10 justamente na reta final antes da divulgação da lista.

João Pedro aceita o desafio da camisa 9 sem ignorar o peso da história
Do outro lado da disputa por espaço na frente de ataque está João Pedro, do Chelsea, que vive sua melhor fase na carreira europeia atuando como centroavante titular na Premier League. Aos 24 anos, o atacante reconhece a herança da camisa 9 sem fingir que pode repeti-la.
"Comparar qualquer jogador com Ronaldo Fenômeno é impossível. Grandes jogadores já vestiram a camisa nove, mas entregar o trabalho igual ao do Ronaldo vai ser difícil. Cada jogador é um jogador", afirmou João Pedro em entrevista ao Lance!.
A referência a Ronaldo Fenômeno não é retórica vazia. Nas Copas de 1998, 2002 e 2006, o ex-jogador de Real Madrid, Inter de Milão e Barcelona marcou 15 gols em 19 partidas de Copa do Mundo — uma taxa de 0,79 gols por jogo que nenhum centroavante brasileiro subsequente sequer se aproximou. Luís Fabiano, Fred, Gabriel Jesus e Richarlison somaram juntos 10 gols em Mundiais, menos do que Ronaldo sozinho. João Pedro aponta Kane e Lewandowski como modelos atuais — centroavantes participativos, que constroem jogo — e define seu próprio estilo como um "nove que não fica parado esperando bola na área".
Argentina já tem dois palmeirenses na pré-lista e o contexto amplia a pressão sobre Ancelotti
Enquanto o Brasil calibra seu ataque, a Argentina de Lionel Scaloni divulgou nesta segunda-feira (11) a pré-lista de 55 jogadores para a Copa do Mundo de 2026. Entre os nomes, dois atuam no futebol brasileiro: o lateral Agustín Giay e o centroavante Flaco López, ambos do Palmeiras. Scaloni tem até o início de junho para reduzir a relação aos 26 convocados que viajarão para Estados Unidos, México e Canadá.
A Argentina está no Grupo J, com estreia marcada para 26 de junho contra a Argélia. Lionel Messi, do Inter Miami, lidera a lista e pode se tornar o único jogador da história a disputar seis edições de Copa do Mundo — feito que Cristiano Ronaldo e o goleiro mexicano Guillermo Ochoa também perseguem neste torneio. A presença de Giay e Flaco López na pré-lista reforça o prestígio do Palmeiras no cenário sul-americano e, indiretamente, eleva o nível de escrutínio sobre cada jogador brasileiro que disputa vaga na lista de Ancelotti.
A lista oficial de todas as 48 seleções será publicada pela Fifa no dia 2 de junho. Para Neymar, o calendário é claro: o Santos enfrenta o Coritiba primeiro no Couto Pereira, pela Copa do Brasil, antes do duelo na Neo Química Arena — dois jogos que podem definir se o maior artilheiro da história da seleção brasileira, com 79 gols em 128 partidas, estará no banco de reservas de um Mundial ou assistindo de casa — presente no debate, ausente do torneio.












