A visita foi discreta, mas não passou despercebida. Quando a delegação do Santos desembarcou em Buenos Aires para a rodada da Libertadores, Neymar aproveitou a folga para conhecer o CT do Boca Juniors — e o gesto, que poderia ser lido como turismo entre amigos, na verdade carregava um peso que a diretoria xeneize não ignorou. O Diário Olé apurou que o Boca monitora de perto a situação contratual do camisa 10 e alimenta, de forma concreta, o sonho de tê-lo na Bombonera.

O que une Neymar ao Boca além da amizade

Leandro Paredes e Ander Herrera, dois ex-companheiros de Neymar no Paris Saint-Germain, integram o elenco do Boca Juniors nesta temporada. Essa rede de relações pessoais não é detalhe menor — no futebol de alto nível, a presença de rostos conhecidos costuma ser o primeiro argumento informal numa negociação. O clube argentino sabe disso e usa os dois jogadores como pontes naturais de convencimento.

O TIMÃO TÁ NO MERCADO | News | #shorts | sportv

A situação contratual de Neymar torna a janela de oportunidade mais concreta do que parece. O vínculo com o Santos vai até dezembro de 2026, o que significa que, a partir de junho deste ano, o atacante estará juridicamente livre para assinar um pré-contrato com qualquer clube estrangeiro sem que o Peixe receba um centavo de compensação. Esse mecanismo — previsto pela FIFA para contratos com menos de seis meses de vigência — é o mesmo que já movimentou transferências bilionárias no futebol europeu e que agora coloca o Santos numa posição delicada: ou negocia uma renovação antes de junho, ou assiste à saída do maior ativo simbólico do clube sem retorno financeiro.

"O Boca sonha com a contratação do astro do Santos", revelou o Diário Olé, descrevendo o monitoramento da situação como algo que vai além de uma sondagem inicial.

Do lado santista, não há declaração pública sobre renovação. O silêncio da diretoria alvinegra, neste momento, é mais eloquente do que qualquer nota oficial.

Quanto custaria a operação e o que o Boca pode oferecer

A variável financeira é o nó central de qualquer análise séria sobre esse negócio. Neymar, aos 34 anos, já não carrega o mesmo valor de mercado dos tempos de Barcelona e PSG, mas seu salário histórico e as exigências de staff pessoal ainda representam um investimento significativo para qualquer clube. O Boca Juniors, apesar de ser um dos maiores clubes da América do Sul, opera com uma estrutura financeira incompatível com os contratos que o atacante assinou ao longo da carreira — no PSG, chegou a receber 36 milhões de euros anuais.

A equação, portanto, passaria por uma redução salarial expressiva de Neymar — algo que só se tornaria palatável se o projeto esportivo convencesse o jogador de que a Libertadores, com a camisa xeneize, seria um objetivo real e não apenas um capítulo de fim de carreira. O Boca foi eliminado na fase de grupos da edição de 2025 e busca reconstrução competitiva para o torneio continental em 2026 e 2027.

A apuração do SportNavo indica que, caso o Santos não apresente proposta de renovação com valores compatíveis até maio, o ambiente interno no clube praiano tende a aceitar a saída sem resistência — o que abriria espaço para o pré-contrato com o Boca ainda neste semestre.

Canobbio e Arboleda — o mercado sul-americano ferve em paralelo

O caso Neymar não é o único que movimenta os bastidores do futebol brasileiro neste início de maio. O jornalista Germán Balcarce, do jornal La Nación, revelou que o River Plate fará esforços concretos para contratar Agustín Canobbio, atacante uruguaio do Fluminense, na próxima janela. O TyC Sports confirmou a informação, acrescentando que o técnico Eduardo Coudet já entrou em contato direto com o jogador em mais de uma ocasião para apresentar o projeto millonario.

"Coudet já teria conversado com o atleta em mais de uma oportunidade, o que indica um interesse concreto e não apenas uma sondagem inicial", segundo apuração do La Nación.

O problema para o River é que o Fluminense tem o contrato de Canobbio até 31 de dezembro de 2028 e investiu R$ 37 milhões por 80% dos direitos econômicos do jogador. O Transfermarkt avalia o atacante em 6 milhões de euros — cerca de R$ 35 milhões pela cotação atual —, mas o Flu dificilmente negociará abaixo do valor investido, especialmente com um vínculo tão longo garantindo poder de barganha. Canobbio acumula 79 partidas, 17 gols e 6 assistências desde que chegou ao clube, mas atravessa um jejum de 10 jogos sem marcar, o que pode, paradoxalmente, abrir uma janela de negociação caso a diretoria tricolor entenda que o momento é propício para realizar lucro.

No São Paulo, outro movimento de bastidores ganhou contornos mais definidos: o clube descartou rescindir o contrato de Robert Arboleda após ato de indisciplina grave do zagueiro equatoriano. A decisão da diretoria soberana, apurada pelo ge.globo, é utilizar o defensor como moeda de troca no mercado que se aproxima — uma rescisão unilateral seria interpretada internamente como um prêmio ao mau comportamento, além de deixar o clube sem qualquer compensação financeira.

O que une Neymar ao Boca além da amizade Neymar na Bombonera — o sonho do Boca t
O que une Neymar ao Boca além da amizade Neymar na Bombonera — o sonho do Boca t
  • Neymar — contrato com o Santos até dezembro de 2026; pré-contrato com clube estrangeiro liberado a partir de junho
  • Canobbio — vínculo com o Fluminense até dezembro de 2028; avaliado em 6 milhões de euros pelo Transfermarkt
  • Arboleda — São Paulo descarta rescisão e planeja uso como moeda de troca na janela

O prazo que separa o mercado de uma virada real é curto. Neymar completa 35 anos em fevereiro de 2027 — e a janela de pré-contrato que se abre em junho de 2026 pode ser a última vez que o Santos ainda tem algum poder de negociação sobre o destino do jogador.