A disputa pelas duas últimas vagas no setor ofensivo da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 ganhou contornos definitivos. Com sete nomes já consolidados - Vinicius Jr, Estêvão, Martinelli, Raphinha, Matheus Cunha, Luiz Henrique e João Pedro -, restam apenas duas posições em aberto entre os 26 convocados que Carlo Ancelotti anunciará nas próximas semanas.

Os números de Neymar em 2025 preocupam

Neymar, aos 33 anos, acumula 128 jogos pela Seleção com 79 gols marcados, estatística que o coloca como segundo maior artilheiro da história do Brasil, atrás apenas de Pelé (95 gols em 91 partidas). Porém, sua temporada 2025 pelo Santos apresenta oscilações técnicas evidentes. Na derrota por 3 a 2 para o Fluminense, o camisa 10 registrou 34 bolas perdidas em 90 minutos, completou apenas dois de cinco passes longos tentados e acertou somente um de sete dribles. Embora tenha percorrido 255,6 metros em condução total e participado da jogada que resultou no gol de Gabigol, o aproveitamento técnico ficou aquém do esperado para um jogador de seu calibre.

A sequência de três jogos consecutivos após o tratamento com PRP (plasma rico em plaquetas) demonstra melhora física, mas o rendimento em campo ainda não atingiu os padrões históricos. Em Copas do Mundo, Neymar possui média de 0,6 gol por partida considerando as edições de 2014 (4 gols em 5 jogos) e 2018 (2 gols em 5 jogos), além da participação frustrante em 2022, quando marcou apenas 2 gols em 4 partidas antes da eliminação nas quartas de final.

Rayan desponta como alternativa consistente

Rayan, de 21 anos, surge como principal concorrente direto pela vaga. Suas atuações recentes pelo Bournemouth na Premier League chamaram atenção de Ancelotti, especialmente na vitória por 2 a 1 sobre o Newcastle, quando sua arrancada pela esquerda desmontou a marcação adversária e originou o primeiro gol da partida. O jovem atacante mantém regularidade que contrasta com as oscilações de Neymar, apresentando média de 0,4 gol por jogo na atual temporada inglesa.

Durante a última Data FIFA, conforme apuração do SportNavo, Rayan impressionou a comissão técnica com sua versatilidade tática e capacidade de atuar tanto pelas beiradas quanto centralizado. Sua velocidade (pico de 34,2 km/h registrado contra o Newcastle) e finalização precisa (67% de acerto no alvo em 2025) representam características que se alinham ao estilo de jogo proposto por Ancelotti.

Os números de Neymar em 2025 preocupam Neymar ou Rayan disputam última vaga no
Os números de Neymar em 2025 preocupam Neymar ou Rayan disputam última vaga no

Perfis táticos distintos para estilos diferentes

A comparação entre os dois jogadores revela perfis completamente opostos. Neymar oferece experiência comprovada em Mundiais - participou das Copas de 2014, 2018 e 2022, somando 14 partidas e 8 gols -, além de liderança técnica demonstrada em 128 jogos pela Seleção desde 2010. Sua capacidade de criação (média de 2,8 passes decisivos por partida na carreira pela Seleção) e conhecimento tático adquirido em clubes europeus de elite constituem argumentos favoráveis.

Rayan desponta como alternativa consistente Neymar ou Rayan disputam última vaga
Rayan desponta como alternativa consistente Neymar ou Rayan disputam última vaga

Rayan, por outro lado, representa a renovação que Ancelotti tem buscado implementar. Seu aproveitamento físico superior - corridas de alta intensidade 23% mais frequentes que a média dos atacantes brasileiros na Premier League - e adaptação ao futebol inglês podem ser diferenciais em uma Copa disputada nos Estados Unidos, onde o ritmo de jogo tende a ser mais físico.

Endrick complica ainda mais o cenário

A situação se complexifica com Endrick emergindo como terceiro postulante às vagas restantes. O atacante do Lyon, de 18 anos, marcou 1 gol e deu 1 assistência na vitória por 2 a 1 sobre o PSG no último final de semana, mantendo sequência positiva que inclui participação ativa na vitória sobre a Croácia pela Seleção. Ancelotti, que conhece Endrick dos tempos de Real Madrid, elogiou publicamente a versatilidade do jovem, criando triangulação competitiva que pode deixar Neymar de fora pela primeira vez desde 2010.

As estatísticas históricas mostram que o Brasil conquistou suas últimas Copas (1994 e 2002) com elencos que mesclavam experiência e juventude. Em 1994, Romário (28 anos) dividia protagonismo com Bebeto (30), enquanto Ronaldo (25) e Ronaldinho (32) foram decisivos em 2002. A Copa de 2026 nos Estados Unidos será disputada entre junho and julho, dando a Ancelotti até maio para avaliar a forma física e técnica de todos os candidatos antes da convocação final.