Uma assistência milimétrica para Gabigol, 90 minutos jogados em Buenos Aires e um jornal espanhol repercutindo a partida a 10 mil quilômetros de distância. O empate do Santos por 1 a 1 com o San Lorenzo, no Estádio Pedro Bidegain, pela terceira rodada da Copa Sul-Americana, colocou Neymar de volta no radar de Carlo Ancelotti — e o relógio não para. A convocação final da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo está marcada para 18 de maio, e o camisa 10 tem, no máximo, cinco partidas para mudar o que o treinador italiano pensa sobre levá-lo ao torneio.
O que a Espanha viu em Buenos Aires
O jornal As, de Madri, não ficou indiferente ao desempenho de Neymar na Argentina. O diário destacou a jogada em tabela com Rollheiser que terminou no gol de Gabriel Barbosa e reconheceu a qualidade técnica do brasileiro, mas fez uma avaliação que resume bem o momento do atleta de 33 anos.
"Em campo, Neymar mostrou lampejos de genialidade técnica, como a jogada que resultou no gol de Gabriel. No entanto, faltou-lhe potência nas arrancadas, precisava ser mais consistente no ataque e não conseguiu criar perigo real quando suas pernas começaram a cansar", escreveu o jornalista Juan Lopesino.
O texto do As ainda registrou que o desempenho do atacante caiu ao longo da partida, com sinais evidentes de cansaço no segundo tempo. Um dado curioso reforça o tabu do camisa 10 na Argentina: este foi apenas o segundo jogo de Neymar no país atuando por clubes. Em 2012, ele perdeu para o Vélez. O resultado de sábado foi um empate — e o Santos permanece na lanterna do grupo. A única vitória do jogador em solo argentino veio pela Seleção, na Copa América de 2011, quando marcou dois gols sobre o Equador numa edição em que o Brasil foi eliminado nas quartas de final.

Cinco jogos, uma decisão de carreira
A menos de vinte dias para a lista de Ancelotti ser divulgada, o Santos tem cinco compromissos no calendário em que Neymar poderia atuar. O primeiro dilema aparece já no sábado, dia 2, no Allianz Parque, contra o Palmeiras, em gramado sintético. O técnico Cuca admitiu a dúvida de Neymar publicamente:
"Ainda não sei se vou contar com Neymar e Gabigol por conta das coisas que vocês sabem o que eles pensam sobre o gramado sintético. Vamos conversar com os dois. Lógico que, se puder tê-los diante do Palmeiras, a gente fica mais fortalecido", afirmou o treinador.
O histórico recente de Neymar com o sintético explica a cautela. Desde o retorno ao Brasil, em janeiro de 2025, o jogador disputou apenas uma partida nesse tipo de piso — o empate por 1 a 1 com o Atlético-MG, na Arena MRV, em setembro de 2024. Após aquela partida, Neymar sofreu uma lesão na coxa que o tirou de campo por 43 dias e ainda criticou o gramado nas redes sociais: "Comprovado… Sintético é uma merda". Gabigol, por sua vez, desmentiu a resistência ao piso artificial e se colocou à disposição para o clássico.
Se Neymar não jogar contra o Palmeiras, o roteiro seguinte é: dia 5 de maio, diante do Deportivo Recoleta pela Sul-Americana, no Paraguai; dia 10, contra o Red Bull Bragantino na Vila Belmiro pelo Brasileirão; dia 13, no Couto Pereira, contra o Coritiba na volta da quinta fase da Copa do Brasil; e dia 17, novamente contra o Coritiba, desta vez na Vila, pelo Campeonato Brasileiro — exatamente um dia antes da convocação. Quatro ou cinco jogos em 15 dias para um atleta que ainda está construindo sua consistência física.

O que Ancelotti precisa enxergar além das assistências
A avaliação do SportNavo mostra que a questão em torno de Neymar vai além de uma assistência bonita na Sul-Americana. Ancelotti precisa de evidências de regularidade física, e o camisa 10 ainda não entregou uma sequência de partidas de alto nível sem recair em lesões ou queda de rendimento ao longo dos jogos. A descrição do As — genialidade no primeiro tempo, cansaço no segundo — é exatamente o perfil que preocupa uma comissão técnica que prepara um Mundial.
O contexto também pesa. Rodrygo, Vinicius Jr. e Raphinha têm sido os pilares ofensivos da Seleção nos últimos ciclos, com minutagem e consistência que Neymar ainda não igualou nesta reta final de temporada. Para o craque do Santos, não basta ser o maior nome do futebol brasileiro historicamente — é preciso ser o mais confiável nos próximos dez dias. O jogo contra o Bragantino, em 10 de maio na Vila Belmiro, tende a ser o termômetro mais realista: adversário de alto nível, gramado natural e palco nacional com visibilidade máxima para a decisão de Ancelotti.









