Três fatos: 20 de junho de 2026, centro de treinamento da Seleção Brasileira, Neymar de chuteiras no gramado ao lado de Alex Sandro. Tudo se explica daí.

Enquanto a maioria do elenco aproveitava a folga prevista pela comissão técnica após a vitória sobre o Haiti, na Filadélfia, Neymar optou por seguir o cronograma estabelecido pela CBF. O atacante do Santos realizou a sessão completa — alternando exercícios físicos com atividades técnicas como chutes, passes e dribles — e sinalizou ao departamento médico que a evolução está dentro do esperado. A busca agora é pelo 100% do condicionamento físico antes do confronto com a Escócia, marcado para 24 de junho, às 19h (de Brasília), em Miami.

Quase três anos de ausência e o peso de um retorno na Copa do Mundo

A última vez que Neymar vestiu a camisa amarela em uma partida oficial foi em outubro de 2023, quando sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo durante o confronto das Eliminatórias contra o Uruguai, em Montevidéu. Desde então, o Brasil disputou ao menos 18 jogos sem seu camisa 10, período em que Carlo Ancelotti precisou reinventar o setor ofensivo com combinações variadas envolvendo Vinicius Jr., Rodrygo e Endrick.

A lacuna temporal é expressiva. Para ter uma referência concreta: a distância entre a última partida de Neymar pela Seleção e esta Copa do Mundo 2026 é proporcional à que separa Recife de Porto Alegre — dois extremos do mesmo país, mas com realidades completamente distintas. Manter ritmo competitivo internacional após esse intervalo exige não apenas recuperação física, mas também reaquisição de repertório tático em contexto de alta intensidade.

Quase três anos de ausência e o peso de um retorno na Copa do Mundo Neymar trein
Quase três anos de ausência e o peso de um retorno na Copa do Mundo Neymar trein

No Santos, clube pelo qual retornou ao Brasil depois de passagens por PSG e Al-Hilal, Neymar somou minutos pontuais na temporada, longe do volume de jogo que uma Copa do Mundo exige. O número de partidas completas disputadas em 2026 pelo atacante ainda está abaixo do que a comissão técnica considera ideal para um titular de início, dado que alimenta diretamente a cautela de Ancelotti na gestão do retorno.

Ancelotti confirma Neymar e define a janela de trabalho até quarta-feira

Logo após o apito final da vitória sobre o Haiti, Carlo Ancelotti foi direto ao ponto quando questionado sobre o camisa 10: confirmou que conta com Neymar para o jogo contra a Escócia. A declaração transformou os próximos quatro dias em uma janela decisiva de observação.

"Conto com Neymar para o jogo contra a Escócia", afirmou Ancelotti após a partida contra o Haiti, deixando claro que a presença do atacante no duelo de quarta-feira está nos planos da comissão técnica.

O cronograma que o departamento médico da CBF traçou é preciso: Neymar terá as atividades de domingo (21), segunda (22) e terça (23) para trabalhar integrado ao restante do elenco e demonstrar que está apto para entrar em campo. O protocolo não abre mão do critério: o atacante só será utilizado se mostrar condições físicas plenas, para evitar qualquer risco de recidiva que o mandasse de volta à fisioterapia no meio do Mundial.

A lógica de Ancelotti parece clara. Com o mata-mata do Brasil programado para começar em 29 de junho, o duelo contra a Escócia funciona como ensaio controlado — uma oportunidade de inserir Neymar por alguns minutos, medir sua resposta física em ritmo real de Copa e calibrar o uso do jogador para as fases decisivas. Não se trata de arriscar; trata-se de construir uma curva de condicionamento com jogo real.

O papel tático de Neymar no esquema da Seleção contra a Escócia

A tendência, segundo informações apuradas em matéria do SportNavo, é que Neymar comece no banco de reservas contra a Escócia e ganhe minutos no segundo tempo, caso o placar e o cenário físico permitam. A ideia de Ancelotti não é sobrecarregar o atacante, mas sim garantir que ele chegue ao mata-mata com pelo menos uma partida no corpo — o que faz diferença considerável em termos de adaptação ao ritmo e à pressão de jogo eliminatório.

Taticamente, a presença de Neymar reorganiza o ataque brasileiro. Com ele em campo, Ancelotti tem a opção de posicioná-lo mais centralizado, atuando como referência criativa entre as linhas, liberando Vinicius Jr. para a velocidade nas costas da defesa adversária. Essa combinação, que funcionou em ciclos anteriores da Seleção, ainda não foi testada nesta Copa — e a Escócia, adversária com menor poder de pressão alta que as equipes do mata-mata, oferece um contexto favorável para o experimento.

A Escócia chega à partida já eliminada da competição, o que reduz a intensidade do confronto e abre espaço para Ancelotti fazer ajustes sem pressão de resultado extremo. Para Neymar, entrar nessas condições — com o Brasil em situação confortável na tabela — é o cenário menos arriscado para um primeiro contato com o ambiente da Copa após quase três anos de ausência.

O jogo contra a Escócia acontece na quarta-feira, 24 de junho, às 19h (de Brasília), em Miami. Se Neymar entrar em campo e responder bem fisicamente, Ancelotti terá cinco dias para afinar o camisa 10 antes do início do mata-mata em 29 de junho — e aí saberemos se o retorno virou protagonismo.