Doze gols em 18 confrontos contra equipes argentinas. Esse número, silencioso mas eloquente, é o pano de fundo mais relevante quando o Santos desembarca no Estadio Pedro Bidegain nesta terça-feira (28), às 19h de Brasília, para enfrentar o San Lorenzo pelo Grupo D da CONMEBOL Sul-Americana. O Peixe chega na lanterna da chave, com apenas um ponto em dois jogos — derrota para o Deportivo Cuenca na estreia e empate com o Recoleta em casa —, e tem em Neymar sua principal arma para reverter um quadro que começa a se tornar preocupante.
O historial que Buenos Aires não esquece
Neymar já cruzou o caminho do San Lorenzo em duas ocasiões, acumulando um gol e uma assistência. O registro mais significativo data de 2012, quando o então jovem atacante santista marcou na vitória por 2 a 1 pela Copa Libertadores — uma daquelas partidas que ajudaram a construir a lenda do camisa 10 no futebol sul-americano. Treze anos depois, o contexto é diferente: o San Lorenzo lidera o Grupo D com quatro pontos e chega embalado por uma vitória por 1 a 0 sobre o Platense fora de casa pelo Campeonato Argentino, enquanto o Santos de Cuca patina.
A relação de Neymar com o futebol argentino sempre teve aquele sabor particular que os europeus chamam de derby de prestige — um confronto em que a reputação pesa tanto quanto o resultado. Nos anos de Barcelona, convivi com a naturalidade com que Messi encarava as finais contra o Atlético de Madrid ou a Juventus: havia uma frieza clínica, um pressing alto mental que precede o físico. Neymar, quando diante de rivais do Río de la Plata, parece acionar esse mesmo mecanismo. São 12 gols em 18 jogos contra times argentinos — uma média que qualquer centroavante de primeira linha na Premier League invejaria.
Santos em estado de alerta no Nuevo Gasómetro
O momento do Santos fora do continente não inspira tranquilidade. Na 15ª colocação do Campeonato Brasileiro, a equipe desperdiçou uma vantagem de dois gols no último sábado (25) para empatar com o Bahia por 2 a 2 na Arena Fonte Nova — o tipo de resultado que, em qualquer clube europeu de médio porte, já seria suficiente para colocar o técnico em xeque. Cuca, no entanto, terá reforços consideráveis para a partida: além de Neymar, recuperado de uma virose que o manteve fora do último treino, retornam Gabriel Barbosa e Igor Vinícius, que cumpriam suspensão.

O goleiro Gabriel Brazão também reaparece na lista de relacionados após ausências motivadas pelo falecimento de seu pai no início da semana — um detalhe humano que frequentemente passa despercebido nas análises táticas, mas que o SportNavo considera relevante para entender o clima interno do elenco. A escalação provável do Santos traz Brazão; Igor Vinícius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Willian Arão e Oliva; Bontempo, Neymar e Barreal; Gabigol.
O San Lorenzo e o peso de jogar em casa
O Ciclón tem na liderança do grupo e no apoio do Nuevo Gasómetro seus maiores trunfos. O treinador Gustavo Álvarez deve manter a base que tem utilizado ao longo da temporada, com Cuello, Auzmendi e Reali formando o trio ofensivo. Para uma equipe que pratica um futebol de transição rápida — algo próximo do que na Europa se convencionou chamar de gegenpressing adaptado ao estilo portenho —, um Santos sem ritmo de competição pode ser presa fácil.
Segundo análise exclusiva do SportNavo, o Santos precisará de no mínimo uma vitória nesta terça para manter chances reais de classificação direta, já que na Sul-Americana apenas o líder de cada grupo avança diretamente às oitavas de final — os segundos colocados enfrentam um playoff contra eliminados da Libertadores.
A arbitragem fica a cargo do colombiano Jhon Ospina, com VAR conduzido por David Rodriguez, também da Colômbia — uma escolha neutra que dificilmente agradará plenamente a nenhum dos dois lados, mas que segue o protocolo padrão da CONMEBOL para jogos de alto impacto na fase de grupos.
O que está em jogo além dos três pontos
Há uma dimensão simbólica neste jogo que vai além da tabela. Neymar voltou ao Santos carregando o peso de uma narrativa de redenção — e cada partida em competições continentais é, de certa forma, uma resposta àqueles que questionaram a relevância do retorno. Contra o San Lorenzo, em 2012, ele era o garoto que prometia conquistar a Europa. Agora, aos 33 anos, é o veterano que precisa mostrar que ainda pode decidir em noites sul-americanas. O gol marcado naquele 2 a 1 de 13 anos atrás virou referência histórica; o duelo desta terça pode adicionar mais um capítulo.
Uma derrota no Pedro Bidegain praticamente elimina o Santos da corrida pela liderança do Grupo D antes da metade da fase de grupos. A próxima rodada da Sul-Americana terá o Santos novamente em campo, com a necessidade de encadear resultados positivos para não depender de combinações na reta final — um cenário que Cuca certamente prefere evitar desde já.









