Norma Dumont encara Joselyne Edwards neste sábado (25), no UFC Vegas 116, carregando mais do que a pressão de uma vitória obrigatória contra a 11ª colocada do ranking dos galos. A terceira posicionada da divisão ainda digere a frustração de ter sido rejeitada por Amanda Nunes quando se ofereceu para substituir Kayla Harrison no UFC 324, em janeiro.
A recusa que mexeu com os bastidores
Com apenas dez dias de antecedência, Dumont aceitou enfrentar a 'Leoa' quando Harrison se lesionou e deixou o combate principal do evento. A luta poderia valer até mesmo o cinturão interino dos galos, mas Nunes recusou categoricamente, alegando que só retornaria ao octógono para disputar o título linear contra a americana.

"Foi um pouco frustrante. Primeiro porque aceitei a luta com dez dias e ela não quis, ela queria lutar pelo cinturão linear. Foi frustrante porque, se ela só voltou para lutar contra a Kayla, então imagino que a Amanda se aposentaria depois dessa luta. Senti que poderia ser até mesmo algum medo de perder", declarou Norma ao MMAFighting.
A análise de Dumont vai além da simples recusa. A brasileira enxerga uma estratégia de proteção da ex-bicampeã, que preservaria a aguardada superluta contra Harrison evitando qualquer risco de derrota prematura. Nunes possui cartel de 23-5 no MMA profissional, com finish rate de 65%, enquanto Dumont acumula 11-2, com 45% de finalizações.
Risco calculado contra Edwards
Enfrentar a panamenha Joselyne Edwards representa um teste de confiança para Dumont, que encara uma adversária oito posições abaixo no ranking. Edwards vem de sequence mista, com duas vitórias e uma derrota nos últimos três combates, mantendo takedown defense de 67% e striking accuracy de 42%.
"Tem muita gente que vê e fala 'você vai lutar contra a número 11 do ranking, é uma luta arriscada'. Só gente que não confia em si tem medo de se arriscar. Sei do meu trabalho e sei do meu nível. A Joselyne é uma lutadora perigosa, tem mãos fortes e é boa na curta distância, mas ela também tem seis pontos fracos", analisou Norma.
Do ponto de vista técnico-tático, Edwards apresenta vulnerabilidades no ground game que Dumont pode explorar. A brasileira possui superior wrestling pedigree, com 71% de takedown accuracy, contra apenas 33% da panamenha. No clinch work, Dumont demonstra controle superior, utilizando dirty boxing e knee strikes para quebrar o ritmo adversário.
Sterling busca title shot no card principal
Enquanto Dumont luta no card preliminar, Aljamain Sterling protagoniza o main event contra Youssef Zalal, mirando uma oportunidade de título nos penas. O ex-campeão peso-galo migrou para os 66kg e ocupa a quinta posição do ranking, atrás apenas do invicto Movsar Evloev na corrida pelo title shot.
Sterling, com cartel de 24-4 e especialista em submission game (13 finalizações por mata-leão), projeta finalização no terceiro round contra Zalal. O marroquino chega embalado por oito vitórias consecutivas, mas enfrenta o superior grappling do americano, que mantém 89% de takedown defense.
"Eu aposto em uma finalização no terceiro round. É quando eu planejo tirá-lo de lá. Acho que vai requerer alguns ajustes de posições. Vou ter que quebrá-lo", projetou Sterling à Ag Fight.
A avaliação do SportNavo indica que Sterling possui vantagem técnica significativa no ground and pound e submission attempts, enquanto Zalal depende de striking volume e pressure fighting para neutralizar o wrestling game do ex-campeão.
Cenário dos galos femininos em disputa
Com Nunes afastada e Harrison lesionada, a divisão dos galos femininos atravessa momento de indefinição. Dumont precisa de performance dominante para forçar uma chance ao título, especialmente considerando que Raquel Pennington detém o cinturão com apenas uma defesa bem-sucedida.
O card do UFC Vegas 116 acontece neste sábado, no Apex Center, com Sterling x Zalal às 22h (horário de Brasília) e Dumont x Edwards prevista para as 19h30, em combates que podem redefinir as hierarquias de duas divisões em ebulição no Ultimate Fighting Championship.









