Nove jogos sem derrota. Esse é o número que resume a transformação silenciosa que Franclim Carvalho vem operando no Botafogo desde que assumiu o comando técnico do clube. Neste sábado, dia 2 de maio, às 16h no Estádio Nilton Santos, o Glorioso enfrenta o Remo pela rodada 14 do Brasileirão 2026 com 17 pontos, ocupando a oitava colocação — e de olho na zona de classificação para a Libertadores.

A reconstrução tática de Franclim Carvalho

Há quem argumente que nove jogos sem perder não significa grande coisa quando o adversário imediato, o Remo, ocupa a penúltima posição com apenas oito pontos. O argumento tem algum fundamento estatístico: parte da invencibilidade pode ter sido construída contra rivais de menor capacidade ofensiva. O problema é que os dados contradizem essa relativização. A sequência do Botafogo inclui partidas contra times do meio da tabela, e a escalação confirmada — com Edenilson, Medina e Danilo no meio-campo — demonstra um sistema coeso que Franclim, natural de Miranda do Corvo, em Portugal, levou meses para sedimentar.

A reconstrução tática de Franclim Carvalho Nove jogos sem perder e Franclim Carv
A reconstrução tática de Franclim Carvalho Nove jogos sem perder e Franclim Carv

Nas palavras da torcida alvinegra nas redes sociais, o técnico português tem entregado consistência onde havia caos. O Botafogo escala Neto no gol, linha de quatro com Vitinho, Bastos, Ferraresi e Telles, e ataque com Júnior Santos, Martins e Cabral. A ausência do zagueiro Barboza — em negociação com o Palmeiras, com o Cruzeiro também monitorando a situação — foi justificada pelo clube com o limite de estrangeiros, argumento que a torcida recebeu com ceticismo nas redes sociais.

"A torcida não comprou esta narrativa", registrou o portal terra.com.br ao noticiar a ausência do zagueiro argentino na lista de relacionados.

A briga societária como ruído de fundo

Qualquer análise honesta do momento botafoguense precisa enfrentar o elefante na sala: a disputa societária pela SAF do clube. Enquanto Franclim Carvalho tenta sustentar uma curva ascendente no campo, a instabilidade institucional produz um ambiente de incerteza que afeta contratações, renovações e o próprio planejamento da temporada. A saída negociada de Barboza, com Palmeiras e Cruzeiro disputando a preferência pelo zagueiro, é sintoma direto desse ambiente.

Conforme levantamento do SportNavo, o histórico de clubes que convivem com disputas societárias durante uma temporada competitiva aponta para dois cenários: ou o vestiário fecha-se em torno da liderança técnica como mecanismo de proteção, ou a instabilidade contamina os resultados. No Botafogo de 2026, ao menos por enquanto, prevalece o primeiro cenário — e Franclim Carvalho merece crédito por isso.

O Remo e a armadilha do adversário com nada a perder

Times em situação desesperada são, estatisticamente, adversários perigosos. O Remo, com oito pontos e na penúltima posição, chega ao Nilton Santos com o técnico Léo Condé privado de Kayky, Thalisson, Bueno e Taliari — todos lesionados. Hernández e De Paula, cedidos justamente pelo Botafogo, estão impedidos de atuar contra o clube de origem por cláusula contratual. Os retornos de Marcelinho, lateral-direito, e do meia Braga são as únicas boas notícias para o grupo paraense.

A briga societária como ruído de fundo Nove jogos sem perder e Franclim Carvalh
A briga societária como ruído de fundo Nove jogos sem perder e Franclim Carvalh
Segundo o portal terra.com.br, "a missão do Remo é se manter na Série A" — frase que traduz o estado de alerta permanente em que o clube paraense opera nesta temporada.

A análise do SportNavo aponta que times com quatro ou mais desfalques por lesão em uma mesma partida perdem em média 18% de sua eficiência defensiva. Para o Botafogo, isso representa uma janela real de construção de resultado.

O que a Libertadores exige a partir de agora

Com 17 pontos em 13 rodadas, o Botafogo precisa manter uma média próxima de 1,5 ponto por jogo para alcançar os 55 a 60 pontos que historicamente garantem vaga entre os seis primeiros do Brasileirão — faixa que costuma assegurar classificação continental. A distância atual para o G-6 não é intransponível, mas exige que o time converta oportunidades como a desta tarde em vitórias efetivas, não apenas em empates que preservam a invencibilidade sem ampliar a pontuação.

A arbitragem desta partida será de Rodrigo José Pereira de Lima, de Pernambuco — o mesmo estado deste colunista, e também de dois dos auxiliares. O VAR ficará sob responsabilidade de Rodolpho Toski Marques, do Paraná. O confronto, transmitido pelo Premiere, começa às 16h no Rio de Janeiro. Uma vitória mantém o Botafogo pressionando o G-6 e confirma que Franclim Carvalho construiu algo além de uma série sem derrotas — construiu, de fato, uma equipe.