O campo estava cheio, o treino era integrado, e um atacante corria entre os companheiros como se nunca tivesse parado. Mas quando a lista de relacionados para a Copa do Brasil foi fechada, o nome de Paulinho não estava lá. Quem acompanha a situação do camisa 10 do Palmeiras já sabe que participar do treino e estar disponível para jogar são coisas completamente diferentes quando se fala de uma recuperação de nove meses.
Duas cirurgias, dois anos de dor e um músculo que precisa ser reconstruído
Paulinho passou pela segunda operação na perna direita e carrega no corpo a marca de dois anos de sofrimento físico. A fratura da tíbia, que o perseguiu no período anterior à chegada ao Palmeiras, está estabilizada. O problema atual é de outra natureza: o músculo que precisou ser cortado durante o procedimento cirúrgico para a colocação do implante de fixação do osso agora exige recondicionamento progressivo. O coordenador médico do clube, Pedro Pontin, foi preciso ao explicar a distinção.
"O Paulinho está treinando com o elenco desde o início do mês, aumentando progressivamente a carga de trabalho em seu processo de recondicionamento físico. Ele já atingiu níveis competitivos, mas optamos por aguardar um pouco mais para que o atleta se adapte à carga de trabalho atual", declarou Pontin.
Há quem argumente que, se o atleta já treina em nível competitivo, a cautela do departamento médico beira o excesso. O argumento tem alguma lógica superficial, mas ignora um dado relevante: Paulinho ficou afastado por um período prolongado também no clube anterior, o que significa que o corpo acumulou meses de inatividade antes mesmo de chegar ao Allianz Parque. Reintroduzir um atleta nessas condições sem o controle adequado da carga é receita para recidiva — e o Palmeiras claramente não quer correr esse risco.
O que o Palmeiras perde enquanto Paulinho observa do banco
Quando atua, Paulinho é o tipo de centroavante que muda a geometria do ataque alviverde. Sua presença força a linha defensiva adversária a recuar, abre espaço para Estêvão e Raphael Veiga pelos lados e ancora jogadas de profundidade que o elenco atual não reproduz com a mesma eficiência sem ele. Contra o Jacuipense, nesta quinta-feira, pela quinta fase da Copa do Brasil, Abel Ferreira terá de reorganizar o setor ofensivo sem essa referência.
Quando o Palmeiras enfrenta adversários de menor porte em mata-mata, a ausência de Paulinho dilui a pressão imediata sobre o resultado. Quando o calendário aperta com confrontos de maior peso — Brasileirão, Libertadores —, essa ausência vira déficit concreto de gols e de presença na área. A temporada de 2026 já está em ritmo acelerado, e cada rodada sem o atacante é uma variável que Abel precisa administrar com o que tem.
"Felizmente, temos controlado isso muito bem. A proposta para os próximos dias é manter a carga atual de trabalho e observar a resposta adaptativa que o corpo dele nos dará para que possamos decidir, em conjunto, o retorno dele aos jogos", afirmou Pontin, sinalizando que não há data fechada.
O cronograma que o Palmeiras não quer anunciar antes da hora
Na avaliação do SportNavo, a postura do departamento médico palmeirense reflete uma lição aprendida da pior forma: apressar Paulinho já custou meses de tratamento no passado. Pontin mencionou explicitamente que os incômodos atuais são "naturais durante as fases de incremento de carga" e não têm relação com a fratura anterior — mas a ressalva existe justamente porque o histórico do atleta exige esse nível de vigilância diária.
Quando o atleta responde bem à carga, a equipe médica avança. Quando aparecem sinais de fadiga muscular acima do esperado, o protocolo recua. Esse ciclo de avanço e observação é o que impede qualquer previsão de data de retorno com precisão. O Palmeiras joga a partida de volta contra o Jacuipense em data ainda a ser confirmada pela CBF — e mesmo esse prazo pode não ser suficiente para garantir a presença do atacante.
O retorno de Paulinho aos gramados depende de uma única variável que nenhum cronograma controla: a resposta do próprio corpo. Está quase pronto — falta o aval do músculo.










