Todo mundo sabe que o estádio do Palmeiras agora se chama Nubank Parque. O que pouca gente acompanhou de perto é como um contrato de naming rights defasado virou o gatilho para uma renegociação que quase dobrou a receita da arena em uma única tacada.
A cena
Na noite de sábado, 2 de maio, o Palmeiras empatou em 1 a 1 com o Santos pelo Brasileirão. Foi o último jogo disputado no Allianz Parque — 348 partidas, 8,7 milhões de torcedores e R$ 564,6 milhões em bilheteria acumulados ao longo de 12 anos, segundo levantamento do historiador do clube Fernando Galuppo. Na manhã desta segunda-feira, 4, o Nubank publicou nas redes sociais o resultado da votação popular: Nubank Parque, com 47% das quase 500 mil escolhas únicas registradas entre 10 e 30 de abril.
As outras opções — Parque Nubank e Nubank Arena — ficaram para trás. A votação era aberta a qualquer pessoa maior de idade, com limite de um voto por CPF.
"Vocês votaram e agora a arena tem um novo nome: Nubank Parque. Sejam bem-vindos a essa nova era que está apenas começando", publicou o banco digital em suas redes sociais.
O contexto que explica
A Allianz Seguros havia fechado contrato com a WTorre em 2013, antes mesmo da reinauguração do estádio, por 20 anos. O acordo era corrigido anualmente pelo IPCA — mecanismo que, com o tempo, tornou os valores financeiramente defasados. A seguradora pagava cerca de US$ 5 milhões por temporada, equivalente a aproximadamente R$ 25 milhões na cotação atual. O vínculo foi rescindido após 13 anos, antes do prazo original de 2033.

O Nubank entra com um contrato que vai até 2034, pagando aproximadamente US$ 10 milhões por ano — R$ 49 milhões na cotação atual, segundo apuração do SportNavo com base nas informações divulgadas pelas fontes envolvidas na negociação. O acordo foi firmado diretamente entre o banco digital e a WTorre, administradora da arena. O Palmeiras não participou da negociação, mas tem direito a 15% do valor mensalmente — percentual que aumenta a cada cinco anos, com a última atualização registrada em novembro de 2025.
Seria injusto chamar de revolução financeira — mas é uma revolução em escala de naming rights brasileiros. A diferença entre os dois contratos representa quase R$ 24 milhões extras por ano, somente nessa rubrica.
O Nubank, fundado no Brasil em 2013, já havia estampado seu nome em outra arena antes desta negociação: em março deste ano, anunciou parceria com o Inter Miami, dos Estados Unidos, cujo estádio passou a se chamar Nu Stadium — a casa do argentino Lionel Messi.
As implicações imediatas
A transformação visual do estádio está prevista para o final de julho, aproveitando o período sem jogos durante a Copa do Mundo 2026. WTorre e Nubank vão repaginar a arena com a paleta de cores do banco: roxo e diferentes tons de verde — cor que, segundo o próprio Nubank, foi incorporada à identidade visual da empresa após o fechamento do acordo com a arena palmeirense.
"Ao assumir os naming rights da arena em uma parceria de longo prazo firmada com a WTorre, o Nubank fortalece sua conexão com esportes, música e grandes eventos, ampliando sua presença em momentos que fazem parte da vida das pessoas", comunicou o banco em nota oficial.
Para o torcedor, a mudança mais imediata será visual: placas, fachadas, sinalizações internas e comunicação do estádio passarão por atualização completa. A oficialização do novo logo e das novas cores está marcada para o mesmo período, no fim de julho.
O primeiro jogo com o novo nome já tem data: 20 de maio, quando o Palmeiras recebe o Cerro Porteño pela Copa Libertadores. A partida será disputada antes da reforma visual completa, mas já sob o contrato e a identidade do Nubank Parque. Conforme levantamento do SportNavo, o estádio acumulou mais de 2.400 eventos nos 12 anos de Allianz Parque, incluindo 269 shows de 148 artistas internacionais e 121 nacionais, com repasses totais acima de R$ 235 milhões ao Palmeiras e à WTorre pelo uso das propriedades da arena.
O contrato vigente garante ao Palmeiras pelo menos 15% de R$ 49 milhões anuais — R$ 7,35 milhões por ano só de naming rights — com reajuste programado antes de 2030.








