Não é a briga entre Neymar e Robinho Jr. que define a crise do Santos em 2026 — é o que a briga revela sobre um clube que acumula resultados ruins, clima instável e uma estrela de 34 anos cada vez mais distante do ritmo necessário para disputar uma Copa do Mundo em julho. O tapa no treino de domingo, 3 de maio, e o abraço no Pedro Juan Caballero na terça, 5, são dois frames do mesmo filme problemático.
O que aconteceu entre Neymar e Robinho Jr. no CT Rei Pelé
Durante o treino de domingo, Neymar desferiu uma bofetada no rosto de Robinho Jr., de 18 anos, seu companheiro de Santos. A cena poderia ter ficado restrita ao vestiário. Não ficou. Na noite de terça-feira, 5 de maio, os dois jogadores concederam entrevistas separadas e confirmaram o episódio — confirmação que transformou o que seria um incidente interno em pauta de imprensa nacional e internacional.
O jornal Marca, da Espanha, registrou o desfecho público da história com o seguinte trecho:
"Neymar (34 anos) abraçou Robinho Jr. (18 anos) e deu-lhe um tapinha amigável após marcar pelo Santos contra o Deportivo Recoleta, em partida que terminou em 1 a 1 no estádio Pedro Juan Caballero e válida pela quarta rodada da Copa Sul-Americana."
O AS foi além da cena e avaliou o contexto esportivo com menos condescendência:
"A sorte de Neymar parece ter acabado. Num dia que parecia destinado a ser um ponto de virada para o Santos, após a reconciliação da equipe, a realidade se mostrou mais um resultado ruim que deixa o Peixe na lanterna do grupo e desencadeia uma nova crise dentro do clube."
Santos na lanterna do grupo D e a aritmética que não fecha
O empate em 1 a 1 com o Deportivo Recoleta, do Paraguai, foi o quarto jogo do Santos na fase de grupos da Copa Sul-Americana. O Peixe acumula três pontos — fruto de uma vitória e três jogos sem vencer — e ocupa a última posição do grupo D. A tabela é clara:
- San Lorenzo (ARG): 6 pontos — líder
- Deportivo Cuenca (EQU): 5 pontos
- Deportivo Recoleta (PAR): 4 pontos
- Santos (BRA): 3 pontos — lanterna
O próximo compromisso do Santos na Sul-Americana está marcado para 20 de maio, às 19h (horário de Brasília), contra o San Lorenzo, na Vila Belmiro — confronto direto contra o líder do grupo. Uma derrota praticamente encerra as chances de classificação. Uma vitória reabre o grupo, mas exige que Cuenca e Recoleta percam pontos nas rodadas restantes.
O SportNavo mapeou a sequência de resultados do Santos nas últimas semanas e o padrão é consistente: o time não vence fora de casa há sete jogos em todas as competições, e o aproveitamento no Brasileirão 2026 também está abaixo da média esperada para um clube com a folha salarial do Peixe — que inclui o contrato de Neymar, estimado em torno de R$ 2,5 milhões mensais segundo fontes do mercado.
O peso financeiro de Neymar e o cálculo do retorno
Do ponto de vista econômico, o retorno de Neymar ao Santos em 2025 foi estruturado como uma operação de reativação de marca — bilheteria, cotas de patrocínio e visibilidade internacional. O atacante, avaliado pelo Transfermarkt em aproximadamente €4 milhões, não representa mais um ativo de revenda. O ROI esperado pelo clube sempre foi indireto: aumento de receita comercial e exposição midiática.
O problema é que episódios como o tapa em Robinho Jr. corroem exatamente o ativo intangível que justifica o investimento. Patrocinadores monitoram reputação. A imprensa espanhola — Marca e AS dedicaram espaço ao caso — amplifica o ruído para além das fronteiras do futebol brasileiro, alcançando mercados onde o Santos precisa de visibilidade positiva para fechar contratos.
Robinho Jr., por contraste, tem 18 anos e valor de mercado em ascensão. Um jovem que confirma publicamente um tapa de um ídolo e volta ao campo para marcar — ou ao menos para ser abraçado após o gol do veterano — sai do episódio com capital simbólico intacto. O ativo que se deprecia no curto prazo é o de Neymar.
A Copa do Mundo de 2026 e o prazo que se estreita
A Copa do Mundo começa em junho de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México. A janela de convocações da Seleção Brasileira para os jogos preparatórios é curta — e o técnico da CBF observa não apenas desempenho técnico, mas disponibilidade física e comportamento dentro do grupo.
Neymar completou 34 anos e carrega um histórico de lesões que reduziu drasticamente seu tempo em campo desde 2023. O Santos, ao confirmar o episódio do tapa por meio do próprio jogador em entrevista, criou um precedente documentado de instabilidade emocional. Não é um dado isolado — é mais um ponto numa curva que a comissão técnica da Seleção lê com atenção.
O gol marcado contra o Recoleta e o abraço subsequente em Robinho Jr. foram lidos pela imprensa espanhola como sinal de reconciliação. O AS chegou a registrar que "a polêmica em torno de Robinho Jr. parece estar diminuindo". Mas diminuir uma polêmica não é o mesmo que resolver um problema de performance — e o Santos precisa dos dois.
Na Vila Belmiro, em 20 de maio, Neymar e Robinho Jr. entram em campo juntos contra o San Lorenzo. Dois jogadores que se olharam de frente numa segunda-feira de treino e se abraçaram numa terça de jogo, com o placar ainda em 1 a 1 e a torcida no Paraguai assistindo a tudo de longe.









