O Internacional perdeu em casa, foi dominado na primeira fase e ainda assim avançou na Copa do Brasil. O Athletic-MG venceu em Recife, eliminou o Sport por 3 a 1 e chegou à quinta fase com moral — mas hoje é o time que precisa de dois gols no Beira-Rio para sobreviver. Esse é o paradoxo desta terça-feira (12), às 19h30, em Porto Alegre.
Como o Athletic chegou até aqui e por que isso torna o desafio ainda mais cruel
A campanha do Athletic na Copa do Brasil 2026 é, objetivamente, uma das histórias mais surpreendentes do torneio. O Esquadrão de Aço eliminou Rio Branco-ES, Ypiranga-RS e depois o Sport — com uma goleada de 3 a 1 no Ilha do Retiro — para chegar à quinta fase. Nenhum desses resultados foi fácil. Todos foram construídos com o time comandado por Alex de Souza jogando com identidade.
O problema é que essa identidade sumiu nas últimas semanas. Cinco jogos sem vencer na Série B — incluindo um empate por 1 a 1 com o Vila Nova e um 0 a 0 contra o Cuiabá, em São João del-Rei, no último sábado — colocaram o clube na 11ª posição da segunda divisão, com 10 pontos em oito rodadas. Quando o Athletic ganhava, parecia um time diferente. Quando não ganha, parece que esqueceu como se faz.
O jogo de ida, em Florianópolis, seguiu o mesmo roteiro. Kauan Rodrigues abriu o placar para o Athletic, mas Bruno Henrique empatou e Alexandro Bernabei, saído do banco, fez o gol da virada no segundo tempo. O Colorado venceu por 2 a 1 e trouxe para casa a vantagem que precisava.
O Beira-Rio que o Athletic vai encontrar não é o mesmo de meses atrás
Existe um precedente que o Athletic precisa conhecer antes de entrar em campo. Ao longo de 2026, o Internacional venceu apenas uma vez em sete partidas como mandante no Beira-Rio antes da Copa do Brasil. O ambiente era de pressão, a torcida cobrava e Paulo Pezzolano ainda buscava consistência. Era, em tese, o momento ideal para um visitante ambicioso explorar a fragilidade colorada.
Só que esse cenário mudou. O Inter conquistou a Recopa Gaúcha sobre o Brasil de Pelotas (2 a 1, em 6 de maio), depois goleou o Fluminense por 2 a 0 no Brasileirão e, apesar do empate em 2 a 2 com o Coritiba no último sábado — nos acréscimos, no Couto Pereira —, chega a esta decisão com moral renovado e expectativa de bom público. O Beira-Rio que o Athletic vai encontrar não é o mesmo que estava vulnerável. É uma arena que voltou a acreditar.
Segundo o levantamento do SportNavo com base nos dados da temporada, o Inter só precisa de um empate para avançar. Vitória por qualquer placar também classifica. Isso significa que Pezzolano pode gerir o jogo de forma conservadora, algo que times grandes em vantagem raramente fazem bem — mas que o Colorado tem feito com mais competência nas últimas semanas.
O que Alex de Souza precisa resolver que vai além do esquema tático
Quando o Athletic ataca com volume, ele cria chances reais — foi assim contra o Sport, foi assim no primeiro tempo em Florianópolis. Quando o Athletic recua e tenta se proteger, ele perde o controle do jogo e empata ou perde por pouco. Esse padrão se repetiu nas últimas cinco partidas e é o maior adversário do técnico Alex de Souza nesta terça-feira.
Quando o time mineiro precisa de dois gols fora de casa, a única opção é pressionar desde o início — o que abre espaço para o contra-ataque colorado, exatamente onde Bruno Henrique e Bernabei se encontram melhor. O Athletic está preso em uma armadilha tática que o próprio jejum de resultados construiu: jogar para frente é arriscado, jogar para trás é inútil.
A equipe de Alex de Souza tem peças para incomodar. Kauan Rodrigues já marcou no Beira-Rio na ida — e marcar em Florianópolis conta como referência psicológica para o grupo. Mas uma coisa é reduzir o placar agregado para 2 a 2 e levar aos pênaltis. Outra, completamente diferente, é fazer dois gols sem sofrer nenhum contra um time que joga em casa e tem vantagem.
O que está em jogo além da classificação
Para o Internacional, avançar na Copa do Brasil não é só questão de prestígio. O Colorado ocupa apenas a 13ª colocação no Brasileirão, com 18 pontos em 15 rodadas — distante do G-6 e sem margem para descuidos. A premiação financeira do torneio e a possibilidade de buscar o bicampeonato (o primeiro foi em 1992) fazem desta competição um dos poucos objetivos ainda em aberto na temporada.
Para o Athletic, a Copa do Brasil já foi além do esperado. Chegar à quinta fase é histórico para o clube mineiro. Mas histórico não classifica. Dois gols no Beira-Rio, sim.

O Athletic entra em campo às 19h30 desta terça precisando de um resultado que não consegue há cinco jogos. O Inter entra sabendo que empate basta.












