O placar já marcava 5/4 no segundo set quando Jannik Sinner sacou com 197 km/h no corredor direito — um ace que não precisava de resposta. O Foro Italico, lotado como raramente esteve numa quinta-feira de maio, entendeu antes do árbitro anunciar: a história havia mudado de endereço. Com aquele ponto, o italiano de 24 anos fechou o jogo contra Andrey Rublev em 6/2 e 6/4, acumulou sua 32ª vitória consecutiva em torneios Masters 1000 e apagou do topo da lista um nome que parecia inapagável — Novak Djokovic.

O que os números de Sinner revelam sobre esta sequência

A invencibilidade começou a ser costurada em novembro de 2025, no Masters de Paris, com a discrição de quem não anuncia o que está construindo. De lá para cá, Sinner não apenas venceu — ele dominou. Em 2026, o italiano somou títulos em Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Madri antes de chegar a Roma, onde já acumula quatro vitórias sem ceder um set sequer nas duas primeiras rodadas. A sequência de cinco títulos consecutivos de Masters 1000 — de Madri para trás — é outro feito sem precedente na história do circuito masculino.

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Contra Rublev, o roteiro foi de precisão cirúrgica. O primeiro set terminou em 6/2 com Sinner quebrando o serviço do russo duas vezes e convertendo seus break points com uma frieza que desconcertou até os torcedores neutros. No segundo, o italiano abriu 4/1 com um backhand cruzado que cortou o ar com precisão milimétrica, deixando Rublev imóvel na linha de fundo. O russo ainda reagiu para 4/3, mas foi apenas um sobressalto — Sinner não cedeu mais um game sequer.

Na avaliação do SportNavo, o que torna esta sequência ainda mais impressionante é o contexto das superfícies: saibro, piso duro e saibro novamente, sem qualquer queda de rendimento entre uma e outra. Isso é algo que nem mesmo os grandes dominadores do passado conseguiram de forma tão consistente.

Sinner e Djokovic — o que separa 2026 de 2011

A marca anterior pertencia a Novak Djokovic, construída ao longo de 2011 — talvez a temporada individual mais dominante que o tênis masculino havia visto até então. Naquele ano, o sérvio venceu os três primeiros Grand Slams, terminou a temporada com 70 vitórias e apenas 6 derrotas, e acumulou 31 triunfos consecutivos em Masters 1000 numa sequência que incluiu títulos em Indian Wells, Miami, Madri, Roma e Montreal. Durante 15 anos, esse número ficou intocado — sobreviveu a Federer, a Nadal, ao próprio Djokovic em outras temporadas brilhantes.

"Não penso na sequência jogo a jogo. Penso no próximo ponto, no próximo game. Se começo a calcular o que já conquistei, perco o foco no que ainda preciso fazer." — Jannik Sinner, em entrevista coletiva no Foro Italico após a vitória sobre Rublev.

A comparação entre as duas eras revela uma diferença de contexto relevante: em 2011, o circuito Masters 1000 tinha menos profundidade no top 20. Hoje, Sinner enfrenta uma geração de adversários com físico, dados e preparação radicalmente superiores. Carlos Alcaraz, Daniil Medvedev, Alexander Zverev e uma nova leva de tenistas como o espanhol Martin Landaluce — possível adversário na semifinal de Roma — tornam cada partida uma negociação de alto risco. Chegar a 32 vitórias neste ambiente é de uma raridade diferente.

Roma e o que ainda está em jogo para o número 1 do mundo

Garantido nas semifinais do Internazionali BNL d'Italia, Sinner aguarda o vencedor do duelo entre Medvedev e Landaluce. Uma vitória no torneio não apenas estenderia a sequência para 34 partidas — ela abriria caminho para um feito que só Djokovic conseguiu: conquistar todos os títulos vigentes de Masters 1000, façanha conhecida como Career Golden Masters. O sérvio é o único tenista a ter alcançado esse patamar na era aberta.

Há ainda uma dimensão local que o Foro Italico carrega com peso especial. O último tenista italiano a vencer em Roma foi Adriano Panatta, em 1976 — há exatos 50 anos. Panatta, que naquele mesmo ano venceu Roland Garros, é até hoje o último italiano a conquistar um Grand Slam antes de Sinner quebrar o jejum em Melbourne. A possibilidade de Sinner fechar o círculo em casa, diante de uma torcida que o venera com a intensidade de um estádio de futebol, transforma a final de domingo em algo que vai além do esporte.

"Jogar em Roma é sempre especial. A torcida me dá energia de uma forma que não consigo descrever — é diferente de qualquer outro torneio." — Sinner, ao ser questionado sobre o apoio do público italiano no Foro Italico.

A semifinal está marcada para sábado, 16 de maio, no Stadio Centrale. Se Sinner avançar à final — e o favoritismo é inegável —, o duelo pelo título acontece no domingo. Para quem acompanha tênis com atenção, vale reservar o domingo à tarde: raramente um jogo carregou tanto peso histórico antes mesmo de começar.