Um pilar que sustenta o peso da estrutura — até o dia em que alguém decide levá-lo para outra obra. Alexander Barboza, 28 anos, zagueiro titular do Botafogo, é exatamente isso para o sistema defensivo alvinegro em 2026: o elemento que organiza a saída de bola, orienta o posicionamento e absorve os erros ao redor. O Palmeiras já sabe disso, e é por isso que o clube paulista trata a contratação do argentino como negócio praticamente encerrado.
Hoje: o que já é fato
Neste sábado, 2 de maio, o Botafogo perdeu para o Remo por 2 a 1 de virada no Nilton Santos, pela 14ª rodada do Brasileirão 2026. A equipe abriu o placar, controlou os primeiros 25 a 30 minutos, mas cedeu o controle do jogo no segundo tempo e viu o adversário paraense converter dois gols em transições rápidas. O resultado encerrou uma sequência de nove jogos sem derrota em todas as competições e deixou o Botafogo na nona colocação, com 17 pontos — quatro abaixo do Bahia, primeiro time do G6.
O capitão Alex Telles resumiu o sentimento no vestiário com precisão cirúrgica:

"A frustração é grande porque, obviamente, jogando no Brasileiro em casa, a gente precisa pontuar. No segundo tempo, baixamos um pouco; o Remo veio forte, soube sair no contra-ataque. Não aproveitamos as chances que tivemos no primeiro tempo de matar o jogo, fazer o segundo, o terceiro."
O técnico português Franclim Carvalho foi ainda mais duro na autoavaliação. Segundo ele, o Botafogo fez zero finalizações ao gol no segundo tempo — dado que, por si só, explica a virada. "O meu Botafogo não pode fazer isso", disse o treinador em entrevista coletiva. A saída de Kadir no intervalo para a entrada de Edenílson foi apontada por especialistas como o ponto de inflexão ofensivo da partida, embora Franclim tenha defendido a mudança como necessidade tática para ter mais presença no meio.
E foi nessa mesma coletiva que o nome de Barboza dominou a pauta. Franclim confirmou uma conversa direta com o zagueiro na véspera do jogo:
"O Barboza é um homem, tem que ser tratado como tal. Há assuntos que têm que ser tratados olho no olho. Tive uma conversa com o Barboza ontem. Todos sabemos que há uma possibilidade. Até ontem era uma possibilidade, hoje não sei, só falo sobre jogo em dia de jogo."
A ressalva do treinador — "hoje não sei" — é um sinal claro de que a situação evoluiu entre sexta e sábado. Segundo apuração do SportNavo, o Palmeiras já havia resolvido a questão das comissões do empresário do jogador, que era a única pendência que travava o negócio.
Esta semana: o que se desdobra
Franclim garantiu que conta com Barboza para o duelo contra o Racing, da Argentina, na quarta-feira (6), às 21h30, no Nilton Santos, pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. O zagueiro treinou normalmente com os relacionados neste sábado e, segundo o técnico, estará disponível na próxima semana. Mas a janela de transferências só abre em 20 de julho — o que significa que, mesmo com o negócio acertado, Barboza seguirá vestindo a camisa alvinegra por mais de dois meses.
O problema não é imediato, portanto. O problema é o que esse período de indefinição produz no ambiente: um zagueiro titular sabendo que sua transferência está encaminhada, um vestiário que lê nas entrelinhas das coletivas, e um técnico que precisa gerenciar expectativas enquanto ainda depende do jogador para resultados concretos. O Botafogo tem pela frente, além do Racing na Sul-Americana, o Atlético-MG fora de casa no dia 10 de maio e a Chapecoense pela Copa do Brasil no dia 14.
A análise do SportNavo sobre os números defensivos de Barboza em 2026 reforça a dimensão do problema: o argentino é o zagueiro com mais interceptações e duelos aéreos ganhos na equipe na temporada, além de ser o principal responsável pela saída de bola pelo lado esquerdo da defesa — função que nenhum substituto imediato no elenco atual desempenha com a mesma consistência.
Próximas 4 semanas: o que vai mudar
O Botafogo terá de responder a uma pergunta que não tem resposta fácil: quem ocupa o espaço de Barboza a partir de 20 de julho? O clube não anunciou nenhuma movimentação concreta no mercado para a posição, e o elenco atual não apresenta um substituto de perfil equivalente — especialmente no que diz respeito à leitura de jogo e à capacidade de comandar a linha defensiva em situações de pressão alta.
A derrota para o Remo, paradoxalmente, oferece um dado relevante para essa equação: os dois gols sofridos vieram de transições rápidas, exatamente o tipo de situação em que a velocidade de leitura de um zagueiro experiente faz diferença. Franclim reconheceu isso ao dizer que "sofremos dois gols de transições, mas é um processo coletivo com e sem a bola" — uma forma elegante de distribuir responsabilidades sem apontar nomes.
O Palmeiras, por sua vez, segue sua própria agenda: enfrenta o Sporting Cristal fora de casa na segunda-feira (5) pela Libertadores e o Remo no dia 10 pelo Brasileirão. A chegada de Barboza em julho representaria um reforço para o segundo semestre, período em que o clube paulista historicamente concentra suas disputas mais decisivas.
No Nilton Santos, enquanto os torcedores deixavam o estádio após a derrota para o Remo, Franclim Carvalho ficou parado à beira do campo por alguns segundos, olhando para o gramado vazio. Ao seu lado, nenhum zagueiro argentino.








