Diz-se que Hulk chegou ao Fluminense como uma contratação de impacto emocional — nome grande, torcida empolgada, marketing garantido. Na verdade, não é isso que está em jogo. O que se avaliou no CT Carlos Castilho nesta terça-feira, 12 de maio, foi algo bem mais concreto: um corpo atlético de 39 anos submetido a exames de composição de gordura, massa muscular e morfologia, sob o olhar do fisiologista Juliano Spinetti. E o resultado desse check-up importa mais do que qualquer apresentação no Maracanã.
O que os exames de Spinetti indicam sobre a condição de Hulk
Spinetti detalhou publicamente as três frentes do protocolo aplicado ao novo camisa 7: avaliação do componente de gordura, do componente muscular e da morfologia corporal. Esse trio de indicadores não é rotina de burocracia médica — é o mapa que o departamento físico do Flu vai usar para montar o cronograma de integração do atacante ao grupo de Zubeldía. Um atleta com excesso de gordura visceral ou déficit de massa muscular funcional simplesmente não aguenta o volume de carga de uma pré-temporada acelerada.
A FluTV transmitiu imagens do primeiro dia de trabalhos, e o próprio clube publicou nas redes sociais sob a hashtag #NosTemosOHulk. A comunicação foi estratégica, mas o conteúdo foi técnico: Spinetti falou de dados, não de elogios. Esse tipo de transparência metodológica é incomum nos clubes brasileiros — e sugere que o Fluminense quer gerenciar expectativas antes que a torcida comece a cobrar minutos de jogo.

"O primeiro dia de trabalhos do Hulk no CT Carlos Castilho foi de exames e avaliações físicas", informou o Fluminense FC em publicação oficial no dia 12 de maio de 2026.
A estreia do atacante está programada para depois da Copa do Mundo, o que significa que Hulk não entra em campo pelo Flu antes de julho de 2026, no mínimo. Esse prazo não é arbitrário: é o tempo que o departamento médico precisa para construir a base física de um atleta que chegou sem pré-temporada e com calendário fragmentado pela competição mundial.
A Copa do Brasil desta noite e o Fluminense sem Hulk disponível
Enquanto o novo reforço passava pelos testes físicos, o Fluminense se preparava para uma das partidas mais delicadas da temporada: a volta da quinta fase da Copa do Brasil contra o Operário-PR, no Maracanã, às 21h30. O jogo de ida, disputado no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, terminou em 0 a 0 — resultado que coloca o Tricolor na obrigação de vencer em casa para avançar às oitavas de final sem depender de pênaltis.
O jornalista Venê Casagrande, do SBT Sports, foi direto ao avaliar o confronto:
"Pode parecer um time bobo, um time fácil de passar. Mas a gente sabe como a Copa do Brasil é traiçoeira e a gente vê muitos clubes, muitas zebras acontecendo durante essa competição. Independentemente de qual time o Zubeldía mande a campo, eu acho que o Fluminense tem a obrigação de passar pelo Operário."
Casagrande tem razão no diagnóstico — e os dados da competição sustentam o alerta. Desde 2019, ao menos quatro clubes da Série A foram eliminados por times da Série B ou C na fase de oitavas ou anterior. O 0 a 0 fora de casa não é confortável; é uma armadilha disfarçada de neutralidade. O Operário-PR, atual participante da Série B de 2026, não tem nada a perder e tudo a ganhar numa noite de inspiração coletiva.
Bruno Vicari, da ESPN Brasil, apostou em 2 a 1 para o Fluminense — placar que reflete tanto a superioridade técnica do Tricolor quanto o respeito pelo adversário. A projeção de Vicari é razoável: o Flu tem mais qualidade individual, mas o ambiente de mata-mata nivela condições táticas com frequência.
Como Hulk vai se encaixar no esquema de Zubeldía quando estiver pronto
Luis Zubeldía opera com um sistema que exige mobilidade e pressão alta dos atacantes. A questão que os dados físicos de Hulk vão responder é objetiva: um centroavante de 39 anos consegue sustentar o pressing que o treinador argentino demanda por 70, 80 minutos de jogo? A resposta não está no histórico do jogador no Atlético-MG — está nos números que Spinetti coletou nesta tarde.
No Galo, entre 2021 e 2024, Hulk marcou 86 gols em 181 partidas, média de 0,47 por jogo — desempenho que envergonha atacantes dez anos mais jovens. O problema nunca foi qualidade técnica ou instinto de área. O problema, em atletas dessa faixa etária, é a manutenção da capacidade aeróbica e a recuperação muscular entre jogos com intervalo curto. A Copa do Brasil, por ser mata-mata, oferece justamente esse perfil de demanda: jogos espaçados, concentração máxima, sem necessidade de acumular minutagem semanal.
Isso significa que Hulk pode ser o jogador ideal para a fase decisiva da competição — se o cronograma físico permitir que ele chegue às quartas ou semifinais em condição plena. O Fluminense não precisa dele no primeiro jogo após a Copa do Mundo. Precisa dele nos jogos que definem título.
"Independentemente do time que o Zubeldía mande a campo, o Fluminense tem a obrigação de passar do Operário", reforçou Casagrande, sinalizando que o padrão de exigência no clube não diminui com a chegada de um reforço de peso.
A Copa do Brasil retorna com seus confrontos de oitavas de final em julho de 2026 — exatamente quando Hulk deverá estar disponível para integrar o grupo de forma competitiva. Se o check-up desta terça-feira revelar um atleta dentro dos parâmetros exigidos por Spinetti, o camisa 7 pode estrear diretamente numa fase eliminatória de alto nível. Em julho de 2026, quando o Fluminense entrar em campo pelas oitavas, saberemos se o investimento no atacante foi uma aposta física sólida ou um risco calculado mal.









