Todo mundo sabe que o Fluminense vive uma crise real no Brasileirão. O que poucos perceberam é que existe uma linha de fratura clara dentro do clube — e ela não passa pelo vestiário.
No empate de 2 a 2 com o Vitória, pela 15ª rodada do Brasileirão 2026, a torcida tricolor chamou Zubeldía de burro no Maracanã. Nas duas partidas seguintes, contra Operário-PR e São Paulo, o nome do técnico foi vaiado quando apareceu no telão. A mensagem das arquibancadas está dada.
Zubeldía ouve vaias, mas o vestiário fala mais alto
Dentro do clube, o clima é outro. Membros do elenco e da diretoria elogiam o ambiente gerado pelo argentino nos treinos — intensidade, exigência e presença constante do técnico são os pontos mais citados internamente.
Canobbio foi o porta-voz mais direto desse sentimento:
"A gente se sente representado por ele [Zubeldía], por sua filosofia, a forma que entende o futebol. A gente apoia ele e o staff, que são muito maneiros. Treino muito intenso, a gente gosta demais dos treinos, da exigência. Ver como ele vive o jogo como se sempre fosse uma final. Colocamos isso na mente e ele representa."
O uruguaio também aproveitou para responder a rumores de sondagem do River Plate: "Me dedico 100% ao Fluminense". Foco declarado, sem margem para interpretação.
Até jogadores que estão fora da rotação principal mantêm boa relação com o técnico — dado que a SportNavo apurou ser incomum em elencos sob pressão, onde a insatisfação costuma aparecer primeiro justamente entre os reservas.
O Fluminense que ataca bem e sangra na defesa
A crise tricolor tem um perfil estatístico atípico. O time possui o segundo melhor ataque do Brasileirão 2026, com John Kennedy como artilheiro isolado da equipe — 11 gols na temporada, a um de igualar sua melhor marca histórica. Mas defensivamente o cenário é de colapso.
Nos últimos 12 jogos, o Fluminense foi vazado em 10. Nos quatro mais recentes, levou sete gols. O PPDA — métrica que mede a intensidade da pressão defensiva (quanto menor, mais agressivo o time sem a bola) — indica que a equipe não está pressionando cedo o suficiente para evitar jogadas trabalhadas pelo adversário na entrada da área, especialmente em bolas paradas.
O próprio Zubeldía reconheceu o problema:
"Estamos tendo um número mais alto em relação às bolas paradas, mas é a equipe em geral, não apenas a defesa. A equipe em geral não está tendo a segurança que precisa ter. Você tem duas formas de ter segurança: com a bola e sem a bola."
O empate com o Vitória ilustrou esse diagnóstico com precisão cirúrgica. O Fluminense dominava o jogo até os 18 minutos do segundo tempo, quando um pênalti de Alisson virou o gatilho para o desmoronamento. O time perdeu a virada e só evitou a derrota com o gol de Serna nos acréscimos. Salvo, mas não convencido.
A Libertadores como divisor de águas para o técnico argentino
A boa colocação no Brasileirão ainda funciona como amortecedor para o trabalho de Zubeldía. A diretoria entende as oscilações como parte de um calendário brutal e avalia positivamente a gestão do argentino, mesmo com a campanha incômoda na fase de grupos da Libertadores.
A confiança interna aposta na virada contra o Bolívar, pela quinta rodada do Grupo H. O Fluminense precisa vencer por três gols de saldo para não depender de outros resultados e garantir a classificação às oitavas. Para esse jogo, mais de 52 mil torcedores já estão confirmados no Maracanã — o maior público tricolor na temporada fora dos clássicos.
A equação é direta: se Zubeldía classificar o time na Libertadores e avançar na Copa do Brasil, o respaldo interno encontra respaldo nas arquibancadas. Se os resultados continuarem travados, nenhum elogio de vestiário segura o cargo por muito tempo. O Fluminense enfrenta o Bolívar na quinta-feira, no Maracanã, com a obrigação de vencer por ampla margem para fechar a classificação sem depender de terceiros.









