Quinta-feira, 18h19. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda ainda apontava o centro do campo quando a Arena Condá já entendia o que havia acontecido: Marcinho, formado nas categorias de base do Botafogo, tinha acabado de bater no ângulo de Neto com um chutaço da intermediária que ainda tocou na trave antes de entrar. Era o primeiro gol do confronto, o empate no agregado e o começo do fim para o time carioca na Copa do Brasil.
O que Marcinho carregou da formação no Botafogo para Chapecó
Marcinho integrou o elenco profissional do Botafogo em 2021, quando o clube vivia o processo de reestruturação que culminaria, anos depois, na formação da SAF. O atacante não consolidou espaço no Nilton Santos — saiu sem ter somado minutos expressivos no time principal — e seguiu carreira por outros clubes até chegar à Chapecoense, onde se tornou peça de referência ofensiva. Na Copa do Brasil 2026, o jogador já figurava como o segundo maior artilheiro da história do clube catarinense na competição antes mesmo desta quinta-feira. O gol desta noite ampliou essa marca e colocou seu nome em definitivo na memória verde do Verdão do Oeste.
O lance que abriu o placar aos 19 minutos do primeiro tempo foi técnico e calculado: Ênio acionou Marcinho na esquerda, o atacante avançou em direção à área, encontrou a marcação, parou, limpou a jogada e bateu colocado no ângulo. A bola ainda tocou na trave antes de entrar — crueldade poética para a defesa do Botafogo, que havia chegado a Chapecó com a vantagem de 1 a 0 construída no Nilton Santos.

O placar agregado virado em 45 minutos e o papel de Anderson
A Chapecoense resolveu a eliminatória ainda no primeiro tempo. Aos 49 minutos, Everton cruzou da direita e Bolasie desviou de cabeça para fazer 2 a 0 — placar que já garantia a classificação direta às oitavas de final. O Botafogo, que havia acertado a trave com Arthur Cabral aos 38 minutos quando ainda estava no jogo, viu a partida escorregar antes do intervalo.

Uma métrica que ajuda a entender o desequilíbrio do segundo tempo é o xG, ou gols esperados — um índice que mede a qualidade das chances criadas com base em posição, ângulo e contexto da finalização. O Botafogo acumulou volume de finalizações na reta final, mas a maior parte foi de baixo xG: chutes de fora, cabeçadas em ângulos desfavoráveis e, sobretudo, erros individuais. Kadir desperdiçou a mais clara de todas ao isolar por cima do travessão com o gol aberto, após Anderson espalmar e a bola sobrar limpa na área. O goleiro da Chape ainda fez quatro grandes defesas após os 40 minutos do segundo tempo para garantir o resultado.
"Quando você joga com a vantagem do empate e não consegue controlar o primeiro tempo, o adversário cresce e você perde o controle emocional do jogo. Foi exatamente isso que aconteceu", avaliou um comentarista esportivo durante a transmissão ao vivo.
O meia Danilo, apontado pelo SportNavo ao longo da temporada como o principal criador do Botafogo e nome de confiança do técnico para situações decisivas, teve uma noite abaixo do esperado. Furou sozinho dentro da área aos 40 minutos do segundo tempo, em lance que poderia ter mudado o rumo da classificação.
O que a eliminação impõe ao calendário do Botafogo
Com a saída da Copa do Brasil, o Botafogo perde uma fonte de receita relevante em um torneio que paga prêmios progressivos a cada fase. O clube agora concentra suas fichas no Campeonato Brasileiro e na CONMEBOL Sul-Americana. O próximo compromisso é domingo, 17 de maio, contra o Corinthians, em casa, pelo Brasileirão — um jogo que já nasce sob pressão adicional depois da eliminação desta quinta.
A Chapecoense, lanterna do Brasileirão e com a última vitória em torneio nacional registrada na 1ª rodada contra o Santos, conhecerá seu adversário nas oitavas de final no sorteio marcado para 26 de maio, às 11h, na sede da CBF no Rio. Antes disso, o Verdão do Oeste recebe o Remo no domingo, 17 de maio, às 18h30, pelo Brasileirão — com Marcinho na vitrine e um Botafogo que vai precisar de respostas rápidas.









