O nome no telão do Emirates Stadium causou uma pausa. Não era Zubimendi — o espanhol contratado por 70 milhões de euros para ser o pilar do meio-campo. Era Myles Lewis-Skelly, 19 anos, cria da base dos Gunners, que até pouco tempo atrás ocupava a lateral-esquerda sem que ninguém soubesse exatamente qual era seu melhor posto. Na noite de terça-feira, 5 de maio, contra o Atlético de Madrid, Mikel Arteta respondeu essa pergunta com um bilhete de classificação para a final da Champions League.

O que Arteta viu que os números não mostravam

Lewis-Skelly cresceu na base do Arsenal como volante. Primeiro volante, segundo volante — a posição clássica de quem organiza e distribui. Mas quando chegou ao time profissional, na temporada passada, ganhou espaço como lateral-esquerdo. Era o que o time precisava naquele momento, e o garoto entregou. Aos 18 anos, foi titular no Santiago Bernabéu contra o Real Madrid — detalhe que Declan Rice guardou na memória.

"Lembro do ano passado, quando ele jogou tantas partidas e foi titular contra o Real Madrid fora de casa, no Bernabéu, aos 18 anos. Pensei: 'Uau, que jogador'", disse Rice ao Amazon Prime após a classificação.

Arteta testou a fórmula primeiro contra o Fulham, no final de semana anterior, e o resultado foi uma vitória por 3 a 0 com Lewis-Skelly dominando o meio-campo — 78 ações com bola, dinamismo e passes limpos onde Zubimendi estava sentindo o peso das partidas consecutivas. O técnico espanhol, questionado por não ter feito isso antes, foi direto: "Provavelmente eu não faço ideia. Talvez eu devesse ter feito isso antes, não sei." Mas logo emendou a explicação real.

"Preciso tomar decisões quando acredito que o jogador está pronto, o time está pronto e o adversário é o certo para utilizá-lo naquela posição. Era um grande risco, porque eu sabia o que ia acontecer. Se desse certo, ótimo. Se tivéssemos perdido o jogo, perguntariam: 'Como você coloca um garoto dessa idade nesse cenário, em uma posição em que ele nunca jogou?'. Eu sabia disso, mas tive a sensação de que era o jogo certo para ele", afirmou Arteta.

Os números de Lewis-Skelly contra o Atlético e o que eles revelam

O Emirates estava tenso antes do apito inicial. O Atlético de Madrid de Simeone é exatamente o tipo de adversário que sufoca, que atrapalha o ritmo, que faz o jogo feio quando precisa. E foi justamente nesse ambiente que Lewis-Skelly somou 55 ações com bola, um passe decisivo e 90% de aproveitamento nos passes. Somando as duas partidas como meio-campista — Fulham e Atlético — o jovem acumulou 133 ações com bola, 108 passes certos em 115 tentados (93% de aproveitamento) e 2 passes decisivos.

Para o SportNavo, que acompanhou a trajetória do Arsenal nesta Champions, o dado mais revelador não é o percentual de acerto — é o contexto. Jogar no centro do campo contra uma equipe treinada por Diego Simeone, em uma semifinal europeia, com 19 anos e sem experiência prévia naquela posição no futebol profissional, é um teste que elimina qualquer dúvida sobre maturidade técnica.

Jamie Carragher, ídolo do Liverpool e comentarista da CBS, resumiu o confronto com precisão cirúrgica: o Arsenal foi superior em qualidade, convicção e intensidade. Sobre o Atlético, foi implacável — classificou a atuação como apática, com Griezmann isolado, meio-campo dominado e zero criatividade ofensiva. "Sem ideias, sem ameaças, sem luta real quando o Arsenal pressionou", disse o ex-zagueiro inglês, sintetizando o que a torcida do Emirates sentiu do primeiro ao último minuto.

O que Arteta viu que os números não mostravam O garoto de 19 anos que Arteta esc
O que Arteta viu que os números não mostravam O garoto de 19 anos que Arteta esc

A festa, o fiscal e o que Ian Wright respondeu

Quando o apito final soou com placar favorável ao Arsenal, a festa começou. E com ela veio a polêmica. Wayne Rooney, campeão da Champions pelo Manchester United na temporada 2007/08, assistiu às comemorações e disparou: "Eles merecem estar nesse lugar agora, mas ainda não ganharam nada. Acho que essas comemorações são um pouco exageradas. Comemore quando você de fato vencer."

Ian Wright não esperou nem 24 horas para responder. Sem citar o nome de Rooney diretamente, o ídolo histórico dos Gunners postou um vídeo nas redes sociais com um recado claro: "Torcedores do Arsenal, quero dizer algo a vocês: aproveitem muito esse momento. O fiscal de comemoração vai tentar coibir a festa, mas não fiquem intimidados. Aproveitem, pois o futebol é sobre momentos, e esse é um grande momento." O Arsenal não chegava a uma final da Champions há 20 anos — e Wright sabe o peso disso melhor do que ninguém.

A final acontece no dia 30 de maio, no Estádio Ferenc Puskás, em Budapeste, na Hungria. O adversário sairá do confronto entre Bayern de Munique e PSG. Antes disso, o Arsenal ainda tem três rodadas de Premier League: West Ham em casa no dia 10, Burnley em casa no dia 18 e Crystal Palace fora no dia 24. Com Lewis-Skelly agora firmado como opção real no meio-campo, cada um desses jogos será um laboratório — e vale acompanhar de perto para ver se Arteta mantém a aposta ou rotaciona com Zubimendi antes da grande decisão em Budapeste.