O Grêmio tem três jogadores no departamento médico e, paradoxalmente, ainda coloca um goleiro titular em campo. A crise de lesões que atingiu o Tricolor gaúcho em 2026 remonta — em escala — ao colapso físico do clube em 1994, quando o time perdeu Caio Júnior e Paulo Nunes simultaneamente por mais de quatro meses e ainda assim terminou a temporada na liderança do Sul. A diferença, agora, é que os desfalques afetam setores mais sensíveis.

Marlon fora por cinco meses após cirurgia no tornozelo

Marlon, lateral-esquerdo e capitão do Grêmio, fraturou o tornozelo direito aos 31 minutos do segundo tempo do confronto com o Vitória, válido pela 7ª rodada do Brasileirão. A lesão ocorreu em uma dividida com o volante Caíque: o defensor caiu sobre o próprio pé, provocando deslocamento imediato. Jogadores de ambas as equipes sinalizaram em desespero para a entrada da equipe médica, e a ambulância foi acionada para retirá-lo imobilizado do gramado.

O clube confirmou a cirurgia no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, na sexta-feira (20). O prazo oficial de retorno é de cinco meses — o que projeta a volta do capitão somente em meados de setembro, já na reta final do campeonato.

Marlon fora por cinco meses após cirurgia no tornozelo O Grêmio perdeu três gole
Marlon fora por cinco meses após cirurgia no tornozelo O Grêmio perdeu três gole

Volpi e o tratamento com células-tronco sem prazo definido

Tiago Volpi sentiu o primeiro problema muscular na coxa no empate contra o Flamengo, no Maracanã, em 31 de agosto. Uma queda sofrida no jogo seguinte, contra o Botafogo, na Arena, agravou o quadro. O goleiro passou por tratamento com células-tronco em hospital de Porto Alegre — procedimento que indica a gravidade do edema muscular — e segue sem data definida para reintegração ao grupo.

"Volpi é um goleiro experiente e não vejo motivo algum para arriscar. Eu tive uma conversa com ele e disse que a nossa segurança era que o Grando entrou muito bem. Isso nos dá tranquilidade para fazermos as coisas certas", declarou o técnico Mano Menezes — que comandou o clube antes da chegada de Luis Castro.

Volpi participou de 41 das 52 partidas do Grêmio na temporada, incluindo gols marcados de pênalti contra Flamengo e Botafogo. Sua ausência pesa tanto pelo rendimento quanto pelo peso hierárquico no elenco.

Gabriel Grando quebra o dedo e aprofunda o problema na meta

Antes da partida contra o Flamengo neste domingo (10), pela 15ª rodada do Brasileirão, o Grêmio anunciou que Gabriel Grando fraturou o quinto dedo da mão direita. O goleiro, que havia assumido a titularidade na ausência de Volpi e atuado bem nos últimos três jogos, ficará fora por oito semanas.

Com Grando fora, Luis Castro tem à disposição apenas Thiago Beltrame e Gabriel Menegon como opções imediatas para o gol. Nenhum dos dois tem experiência consolidada no Brasileirão.

O elenco no limite e o que Castro pode fazer

Na lateral esquerda, a saída de Marlon abre espaço para opções que o técnico já tinha à disposição: Reinaldo, quando disponível, e eventuais adaptações táticas. No gol, a situação é mais delicada — Beltrame e Menegon nunca foram testados em sequências longas de Série A.

"Quando surgiu a lesão do Volpi, teve comentários de que ele não voltaria mais na temporada. Mas não temos ainda um prognóstico. Sabemos que tudo depende de cada atleta", afirmou Mano Menezes, reforçando a incerteza sobre o retorno do titular.

O Grêmio soma 14 pontos e ocupa a 15ª posição do Brasileirão após 14 rodadas. Com o confronto contra o Flamengo neste domingo às 19h30min, na Arena, o clube enfrenta um adversário direto por classificação enquanto opera com o terceiro goleiro do elenco — e o número que resume o tamanho do problema é simples: zero dos três goleiros do grupo estará em condições normais de jogo pelos próximos 56 dias.