A última vez que um time chileno venceu fora de casa na fase de grupos da Copa Sudamericana com dois gols de diferença, o continente ainda processava os efeitos da pandemia. Nesta terça-feira (26/05/2026), o O'Higgins repetiu a façanha no Estadio Nemesio Camacho El Campín, em Bogotá, derrotando o Millonarios por 2 a 0 na sexta e última rodada da fase regular.
O time mandante entrou pensando em
O Millonarios precisava de uma reação. Jogando em casa, diante de sua torcida no El Campín, o time colombiano montou uma estrutura com linha de pressão alta e proposta de compactação no meio-campo — o objetivo era impedir a saída de bola do O'Higgins e forçar erros no campo adversário.
A ideia inicial era clara: controlar a posse nos setores centrais e usar as tabelas laterais para criar superioridade numérica nas transições ofensivas. O pivô no ataque deveria funcionar como referência para os meias chegarem pelo segundo plano.
O problema foi a execução. Nos primeiros minutos, a linha de pressão do Millonarios ficou descoordenada entre o bloco defensivo e o setor de meio-campo. Esse vão foi explorado com precisão pelo O'Higgins logo no início da partida.
O time visitante entrou pensando em
O O'Higgins chegou a Bogotá com um plano claro de transição rápida. A equipe chilena apostou em um bloco médio compacto, com linhas próximas entre si, e ativação veloz do corredor central após a recuperação da bola.
Francisco González foi o eixo de tudo. O meia organizou a saída de bola com passes curtos e verticais, funcionando como conector entre a linha defensiva e os atacantes. Sua participação nas duas assistências da partida não foi coincidência — foi padrão tático repetido e bem treinado.
Aos 7 minutos, González encontrou Bastián Yáñez em profundidade. O atacante recebeu entre as linhas do Millonarios, girou sobre o marcador e finalizou com precisão para abrir o placar. O gol foi produto direto da falha na compactação colombiana e da qualidade de leitura do meio-campo visitante.
Aos 38 minutos, o segundo gol seguiu estrutura semelhante. González novamente acionou Alan Robledo em espaço gerado pela transição ofensiva do O'Higgins. Robledo dominou, ajeitou e concluiu. 2 a 0 antes do intervalo.
O ponto de inflexão que deu certo para um e não para o outro
O intervalo entre o primeiro e o segundo gol — dos 7 aos 38 minutos — foi onde a partida foi decidida. E foi também onde os cartões moldaram o comportamento tático dos dois times.
Aos 22 minutos, Francisco González levou cartão amarelo. A punição foi relevante porque o meia é o principal agente de criação do O'Higgins. Com o risco de suspensão, o time chileno passou a administrar melhor a posse e a reduzir as saídas individuais.
Aos 33 minutos, Felipe Faúndez foi amarelado. Dois minutos depois, Andrés Llinás também recebeu cartão. Três jogadores do O'Higgins advertidos em sequência — uma concentração de infrações que poderia ter desestabilizado o time. Não desestabilizou.
Por que o Millonarios não aproveitou esse período de desgaste disciplinar do adversário?
Porque quem não tem cão caça com gato — e o time colombiano, sem um pivô funcional e sem profundidade nos lados do campo, tentou pressionar com volume, não com organização. O resultado foi um ataque previsível e facilmente neutralizado pelo bloco defensivo chileno.
Na avaliação do SportNavo, o O'Higgins demonstrou maturidade tática ao gerir os cartões sem abrir mão da estrutura. O Millonarios, ao contrário, não conseguiu transformar pressão em finalizações reais de perigo.
No intervalo, o técnico do Millonarios promoveu três substituições simultâneas: saíram Álex Castro, Jorge Hurtado e Carlos Sarabia; entraram Andrés Llinás, David Silva e Sebastián Viveros del Castillo. A mudança triplicou o número de variáveis no segundo tempo, mas também revelou a falta de alternativas táticas reais no banco colombiano.
O que sobra para cada um daqui
Para o O'Higgins, a vitória em Bogotá encerra a fase de grupos com um resultado que reforça a credibilidade do projeto. Dois gols marcados, dois assistidos pelo mesmo jogador — Francisco González encerra a fase regular como o principal nome ofensivo da equipe chilena na competição.
Destaques individuais do O'Higgins:
- Francisco González — duas assistências, organizador da saída de bola, pivô criativo do sistema
- Bastián Yáñez — gol aos 7', movimentação eficiente entre as linhas
- Alan Robledo — gol aos 38', definição clínica na área
Para o Millonarios, o resultado fecha uma fase de grupos abaixo do esperado. Jogar em casa e sofrer dois gols no primeiro tempo — sem conseguir reagir mesmo após três substituições no intervalo — expõe fragilidades estruturais que vão além de um resultado isolado.
Problemas identificados no Millonarios:
- Linha de pressão descoordenada nos primeiros minutos
- Ausência de pivô referência que fixe a defesa adversária
- Transição ofensiva lenta e previsível
- Substituições em bloco no intervalo sem impacto tático visível
A Copa Sudamericana segue. O O'Higgins avança com moral e sistema funcionando. O Millonarios encerra a fase regular com a necessidade de rever fundamentos antes de qualquer próxima etapa continental. O El Campín ficou em silêncio quando o apito final soou — e esse silêncio é o diagnóstico mais honesto do que aconteceu nesta noite.










