Quinta-feira, 1º de maio de 2026. Enquanto o Real Madrid ainda digeria os desdobramentos de uma temporada turbulenta, o jornal espanhol AS publicava uma informação que reconfigurou o debate sobre um dos jovens mais acompanhados do futebol mundial: Endrick retornará à capital espanhola após o encerramento do empréstimo ao Lyon, e nenhuma nova cessão ou venda está sendo considerada pela diretoria merengue.
O que o Lyon enxergou que Madri ainda não tinha visto
Há algo de coming-of-age na trajetória de Endrick na Ligue 1 — aquele arco narrativo clássico, quase como em Billy Elliot, em que o protagonista precisa sair de casa para descobrir o que sempre foi capaz de fazer. Sob o comando de Paulo Fonseca, o brasileiro acumulou sete gols e seis assistências em 17 partidas, números que dificilmente seriam possíveis na atmosfera sufocante do Bernabéu, onde ele sequer estreou na temporada 2025/26 por conta de uma lesão no tendão posterior da coxa direita.
A versatilidade tática foi outro ativo que emergiu em Lyon. Fonseca o utilizou sistematicamente pela ponta direita, revelando uma dimensão do jogador que o Real Madrid ainda não havia explorado em contexto competitivo real. Essa capacidade de ocupar diferentes funções no ataque amplia consideravelmente o leque de soluções que o próximo treinador merengue — com Jürgen Klopp e José Mourinho sendo sondados para a vaga — terá à disposição.

O papel que Endrick herda ao lado de Mbappé e Vini Jr
A diretoria do Real Madrid já comunicou formalmente ao jogador que ele fará parte do novo projeto esportivo. Internamente, o clube o enxerga como o reserva imediato de Kylian Mbappé na função de centroavante, uma hierarquia que o próprio AS descreveu como a do "camisa 9 de referência após o francês". Trata-se de um status que Rodrygo, Brahim Díaz e o jovem Mastantuono também disputarão, mas que o desempenho no futebol francês coloca Endrick em posição privilegiada.
Segundo informações do portal Somos Fanáticos, o Arsenal chegou a sondar o atacante durante o empréstimo — sinal de que o mercado europeu reconheceu a evolução. A resposta do brasileiro foi inequívoca: ele quer a Espanha, quer o Bernabéu, e chega, nas palavras de pessoas próximas ao jogador, "mais maduro e fortalecido" após a experiência em Lyon.
"Endrick precisa dar um passo à frente se quiser ter um papel relevante no Real Madrid", escreveu o jornal AS no início da temporada 2025/26, quando o brasileiro ainda lutava contra a lesão. Agora, a mesma publicação confirma que esse passo foi dado — só que em território francês.
A leitura de conjunto para a temporada 2026/27
Existe uma diferença estrutural entre ser emprestado por falta de espaço e retornar com papel definido. O Real Madrid de 2026/27 será, em grande medida, moldado por quem assumir o comando técnico — e tanto Klopp quanto Mourinho têm histórico de valorizar atacantes versáteis com capacidade de pressionar a linha defensiva adversária. O pressing alto de Klopp, em especial, parece feito sob medida para as características físicas e a intensidade que Endrick demonstrou na Ligue 1.
A Copa do Mundo de 2026 é outro vetor que eleva o peso desta decisão. Chegar ao torneio como titular ou reserva consolidado de um dos maiores clubes do mundo tem impacto direto na credibilidade dentro da Seleção Brasileira. Com a competição no horizonte imediato, cada minuto em campo no Bernabéu na próxima temporada funcionará como argumento para Dorival Júnior — ou quem estiver no comando do Brasil.
"O clube já planeja duas situações para Endrick: mantê-lo pela direita, como tem feito no Lyon, ou sendo o reserva imediato de Mbappé", informou o portal Somos Fanáticos, reforçando que a decisão final caberá ao próximo treinador merengue.
A reapresentação de Endrick ao Real Madrid está prevista para o início da pré-temporada, em julho de 2026. Será o momento em que o novo treinador — cuja contratação deve ser anunciada nas próximas semanas — terá seu primeiro contato com um atacante que chegou adolescente ao clube, passou por lesões graves, foi emprestado para ganhar ritmo e volta com estatísticas que justificam, de forma concreta, a confiança que Florentino Pérez sempre demonstrou nele.








