O asfalto de Le Mans ainda estava quente quando Marc Márquez chegou ao chão na curva 13 — cabeça primeiro, moto capotando no ar como folha em vendaval. A duas voltas do fim da corrida sprint do GP da França, o heptacampeão da MotoGP tocou na faixa zebrada ao tentar uma ultrapassagem, perdeu o controle da Ducati e saiu mancando da pista neste sábado (9). O diagnóstico confirmou fratura no quinto metatarso do pé direito. Ele está fora do GP da França e pode perder etapas seguintes.

A queda que interrompeu a sprint de Márquez em Le Mans

Márquez havia largado em 2º no grid da sprint, mas recuou para a 6ª posição quando tentou a ultrapassagem que resultou no acidente. A curva 13 do Circuito de Le Mans é uma sequência de alta velocidade onde qualquer contato com o limite da pista pode ser fatal para o equilíbrio da moto — e foi exatamente o que aconteceu. A Ducati do espanhol capotou repetidas vezes no ar enquanto ele rolava pelo asfalto, chegando a bater com a cabeça no chão antes de se levantar sob aplausos tensos da torcida. Os médicos da competição o atenderam imediatamente na saída da curva.

"Uma queda enorme para Márquez na penúltima volta", registrou o comunicado oficial da MotoGP nas redes sociais, enquanto a equipe médica avaliava o piloto ainda no circuito.

A sprint foi vencida por Jorge Martin, da Aprilia, seguido por Francesco Bagnaia, da Ducati, e Marco Bezzecchi, também da Aprilia. Com o resultado, Bezzecchi lidera o campeonato com 108 pontos; Martin aparece em segundo com 102. Márquez, protagonista involuntário do episódio mais dramático do dia, soma 57 pontos e ocupa o 5º lugar — distância que se tornará ainda maior enquanto ele estiver fora das pistas.

O impacto imediato e as próximas semanas no campeonato

A fratura no quinto metatarso é uma lesão que, dependendo do grau de deslocamento ósseo, pode exigir entre quatro e oito semanas de imobilização. Para Márquez, isso significa que o GP da França — corrida principal marcada para este domingo (10) — já está descartado. A dúvida recai sobre as etapas seguintes do calendário da MotoGP, que prevê corridas em Mugello (Itália) e em Barcelona nas próximas semanas. Segundo apuração do SportNavo, a equipe Ducati aguarda avaliação médica mais detalhada para definir o cronograma de retorno.

De acordo com o jornal espanhol As, o piloto não participará de nenhuma atividade no restante do fim de semana em Le Mans, com seu estado sendo monitorado pela equipe médica da Ducati.

A janela de corridas que Márquez pode perder é precisamente aquela em que o campeonato costuma ganhar forma definitiva. Com Bezzecchi e Martin separados por apenas seis pontos no topo, qualquer ausência prolongada do espanhol o retira matematicamente da briga pelo título — e consolida a disputa entre os dois líderes atuais.

O histórico de lesões que assombra a carreira do heptacampeão

Aos 33 anos, Marc Márquez acumula um currículo de lesões que rivaliza com seus sete títulos mundiais — mesmo número de conquistas de Valentino Rossi, ficando ambos atrás apenas de Giacomo Agostini, com oito títulos nos anos 1960 e 70. Em 2020, uma fratura no úmero do braço direito sofrida no GP da Espanha o tirou de praticamente toda a temporada e exigiu três cirurgias. Em 2022, uma lesão na visão dupla (diplopia) voltou a interrompê-lo. Cada retorno foi seguido por um processo de reabilitação que testou os limites físicos e psicológicos do piloto de Cervera.

A fratura no metatarso é anatomicamente menos grave do que as lesões anteriores, mas o contexto é diferente: Márquez chegou a Le Mans em plena fase de consolidação na Ducati oficial, equipe que integra desde o início desta temporada, e qualquer interrupção agora representa uma ruptura no ritmo que ele vinha construindo. A próxima etapa confirmada do calendário da MotoGP após Le Mans é o GP da Itália, em Mugello, nos dias 30 e 31 de maio — data que já funciona como primeiro horizonte real para avaliar se o espanhol terá condições de retornar à pista.

Mugello será o teste. O campeonato não espera.