Chorou. O Riyadh Air Metropolitano chorou antes mesmo do apito inicial deste domingo, 17 de maio. Antoine Griezmann, o francês que virou ídolo rojiblanco duas vezes na vida, entra em campo às 19h pela última vez como anfitrião neste estádio — e a homenagem formal que o clube preparou para depois do apito final promete parar Madri por alguns minutos. Frente a ele, um Girona em pânico, que chega à jornada 37 da La Liga com apenas um ponto de vantagem sobre a zona de rebaixamento e sabendo que um tropeço aqui pode não ter conserto.
O último passo de Griezmann no gramado de casa
Impossível não sentir o peso do momento. O calor de Madri neste fim de tarde de maio é quase simbólico — como se a cidade recusasse deixar o tempo passar. Griezmann foi confirmado no onze titular pelo técnico Diego Simeone ao lado de Sorloth, como havia sido antecipado nas prováveis escalações. A formação do Atlético conta com Oblak no gol; Pubill, Le Normand, Hancko e Ruggeri na defesa; Giuliano Simeone, Koke e Obed Vargas no meio; e Álex Baena e Lookman apoiando o ataque. É um time com a Champions League já garantida — e com um único compromisso emocional na tarde: fazer Griezmann se despedir de pé.
Na avaliação do SportNavo, os números desta temporada revelam o quanto o Atlético ainda depende da inteligência posicional do francês. O xG gerado nas jogadas que passam por Griezmann — métrica que estima a qualidade das chances criadas, independentemente do resultado do chute — é consistentemente superior a 0,4 por partida, acima da média do elenco, o que traduz, para o leigo, que o camisa 7 ainda transforma jogadas comuns em oportunidades reais de gol.
Um Girona que chega à beira do abismo
A frieza dos números não tem cerimônia. O Girona acumula apenas três pontos nos últimos 18 disputados — um colapso que transformou o que parecia uma reta final administrável numa corrida contra o relógio. A surpreendente vitória do Levante em Balaídos nas rodadas recentes devolveu o time de Míchel ao campo do rebaixamento temporariamente, e o empate arrancado por Cristhian Stuani — que voltou a jogar infiltrado, como havia feito em Vallecas — contra a Real Sociedad manteve o time fora do buraco por um único ponto. Levante e Mallorca estão abaixo, mas a margem é microscópica.
"Com quatro pontos, seguro, mas é possível que com três, é possível com seis... não sei. Creio que, com quatro, seguro, mas podemos conseguir seis", calculou o técnico Míchel ao analisar o que precisa para garantir a permanência nas duas rodadas restantes.
Para este jogo, Míchel escala Gazzaniga no gol; Álex Moreno, Vitor Reis, Alejandro Francés e Arnau Martínez na defesa; Ounahi, Witsel e Iván Martín no meio; com Joel Roca, Tsygankov e Bryan Gil no ataque. O retorno de Donny van de Beek ao grupo — ausente desde setembro após romper completamente o tendão de Aquiles em San Mamés — é a única boa notícia de uma semana difícil. As baixas de Abel Ruiz, Marc-André ter Stegen, Portu e Juan Carlos Martín pesam na profundidade do elenco.
O que Simeone joga quando não tem nada a perder
Perigo disfarçado de festa. O Atlético não tem pressão de resultado — está classificado para a Champions e briga pelo terceiro lugar, a três pontos do Villarreal a duas rodadas do fim, com duelo direto na última jornada no estádio La Cerámica. Mas times de Simeone sem obrigação na tabela costumam ser imprevisíveis: ou relaxam visivelmente, ou jogam com a intensidade de quem tem algo a provar. No Metropolitano, neste domingo, a emoção do adeus pode funcionar como combustível extra.
"Não posso pedir mais aos jogadores. Tiveram alma", disse Míchel após o empate contra a Real Sociedad, frase que resume o espírito de um grupo que opera no limite físico e emocional.
Nos últimos cinco confrontos diretos, o Atlético registra três vitórias, dois empates e nenhuma derrota diante do Girona. Como mandante, a equipe colchonera marca em média 2,1 gols e sofre apenas 0,9 — enquanto o visitante marca 1,0 e cede 1,5 fora de casa. As ausências de Barrios, Julián Álvarez e Nico González, além da suspensão de Marcos Llorente, tiram potência do meio-campo atleticano, mas o favoritismo segue intacto.
Depois do apito final, a homenagem que Madri não vai esquecer
Quando o árbitro encerrar o jogo, o Metropolitano vira palco. O clube preparou uma cerimônia de despedida formal para Griezmann — o francês que chegou pela primeira vez em 2014, foi campeão da Europa pela seleção francesa em 2018 e voltou ao clube em 2021 depois de uma passagem pelo Barcelona que nunca funcionou como esperado. A homenagem ainda não teve seus detalhes revelados publicamente, mas fontes próximas ao clube indicam que será à altura de uma lenda.
O próximo e último compromisso do Atlético na temporada será fora de casa, no domingo seguinte, contra o Villarreal no estádio La Cerámica — jogo que pode definir o terceiro lugar na La Liga 2025-26. Já o Girona enfrenta o Elche na rodada 38, numa decisão direta: o clube catalão precisa ao menos empatar para garantir matematicamente a permanência na primeira divisão espanhola.









