Não, o novo formato da Copa do Brasil não criou as zebras desta edição — ele apenas colocou os grandes clubes num palco mais cedo, sob holofotes mais impiedosos, onde qualquer rachadura vira fissura exposta. A eliminação do Flamengo para o Vitória na quinta fase é o dado mais simbólico de uma competição que, em 2026, decidiu parar de proteger quem não merecia proteção.

O Flamengo e a eficiência que o Vitória teve e o Rubro-Negro não

O jornalista Mauro Beting foi preciso ao diagnosticar o caso rubro-negro: o Flamengo criou volume, teve finalizações, mas não converteu. Nas palavras dele, faltou "poder de fogo" ao time carioca diante do Barradão. O Vitória, comandado por Jair Ventura, não esperou convite — aproveitou cada espaço e eliminou, pela primeira vez na história da Copa do Brasil desde 1989, o Flamengo logo na fase de estreia. Trinta e sete anos de competição sem esse precedente. Isso não é coincidência de calendário, é colapso de eficiência.

FIM DE RELACIONAMENTO! | #shorts | sportv
"No caso do Flamengo, é a primeira vez na história, desde a primeira Copa do Brasil em 1989, que o Flamengo não consegue passar de dois jogos ou cai na fase em que entra, como foi agora. Mas cai para o Vitória, que vem bem, faz um Brasileiro com Jair Ventura melhor do que a encomenda, e cai merecidamente" — Mauro Beting, ao Lance!

O Vitória não foi uma zebra caçando sorte. Foi um time em forma, com identidade tática definida pelo seu treinador, pegando um adversário que chegou à quinta fase sem a intensidade que o mata-mata exige. Beting ainda destacou que, de 2013 para cá, cenários com eliminações surpresa se repetiram poucas vezes — e que a quinta fase de 2026 concentrou mais zebras do que qualquer fase equivalente nos últimos anos. São Paulo, Botafogo e Bahia também caíram. Quatro clubes de Série A, todos fora antes das oitavas.

O Santos mostrou o outro lado dessa fase — e pagou preço físico por isso

Enquanto os favoritos tombavam, o Santos cumpriu seu papel. No dia 13 de maio, no Couto Pereira, o Peixe venceu o Coritiba por 2 a 0 com gols de Gabriel Bontempo e Adonis Frías, garantindo vaga nas oitavas. A classificação, porém, teve custo imediato: os meias João Schmidt e Gabriel Menino saíram lesionados com problemas musculares na região posterior da coxa direita. Exames confirmados na sexta-feira (15) indicaram lesões que devem tirar ambos das próximas partidas, incluindo o duelo contra o próprio Coritiba pelo Brasileirão, marcado para o domingo (17) na Neo Química Arena.

Gabriel Menino, que havia acabado de retornar de lesão na mesma região após mais de um mês afastado, deixou o campo chorando e foi consolado por Neymar ainda no gramado — imagem que sintetiza o desgaste físico de uma quinta fase disputada no meio de uma semana densa de competições. O técnico Cuca terá Willian Arão como substituto natural de Schmidt, enquanto Luan Peres, recuperado de fratura na mão esquerda, deve retornar à lista de relacionados. A classificação custou caro, mas o Santos está nas oitavas.

O formato novo não é o vilão — é o espelho que os grandes não queriam encarar

O contra-argumento mais comum é de que a CBF, ao criar a quinta fase e inserir os 20 clubes da Série A nessa etapa, aumentou artificialmente o risco para os favoritos. A lógica parece razoável: mais jogos, mais exposição, mais chance de tropeço. Beting, porém, aprova o novo formato implementado na gestão de Samir Xaud e não atribui as eliminações ao desenho da competição — atribui ao estado dos times.

"Desde 2013 para cá a gente tem tido poucas zebras. E dá para dizer que até agora tivemos, talvez nessa fase, mais zebras do que nos últimos anos. Agora, o motivo eu não sei dizer" — Mauro Beting

O diagnóstico honesto é que Botafogo chegou à Copa do Brasil em crise institucional declarada, Bahia tropeçou diante do Remo em circunstâncias que o próprio Beting classificou como plausíveis dadas as dificuldades do clube, e São Paulo — tricampeão continental — segue com o histórico de fragilidade na competição, com exceção de 2023. O formato novo não enfraqueceu ninguém. Ele apenas antecipou a conta que esses clubes já deviam.

Os confrontos das oitavas de final serão definidos em sorteio no dia 26 de maio. Santos está dentro. Flamengo, São Paulo, Botafogo e Bahia, não — e nenhum novo formato da CBF tem culpa nisso.