O melhor técnico do Palmeiras nos últimos anos ficou de fora por sete jogos. O time não perdeu nenhum. Esse paradoxo, que parece desafiar toda lógica do futebol moderno, tem uma explicação — e ela revela muito sobre o que Abel Ferreira construiu no Allianz Parque.

O Brasileirão 2026 e um líder que não freia

O Palmeiras chega à 16ª rodada do Campeonato Brasileiro como líder isolado, com 34 pontos — quatro a mais que o Flamengo, segundo colocado. A invencibilidade soma 16 jogos entre Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores: 11 vitórias e cinco empates. O último tropeço foi justamente contra o Vasco, ainda nas rodadas iniciais da competição. Desde então, o Verdão atropelou o Jacuipense por 7 a 1 no agregado da Copa do Brasil e garantiu vaga nas oitavas de final.

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O confronto deste sábado (16) acontece na Arena Barueri, às 21h (horário de Brasília), e tem transmissão pelo SporTV e Premiere. Do outro lado estará o Cruzeiro, que saiu da zona de rebaixamento e ocupa agora a 11ª posição com 19 pontos. A Raposa venceu o Bahia por 2 a 1 na rodada passada e eliminou o Goiás na Copa do Brasil com 3 a 2 no agregado. Não perde há três jogos em todas as competições.

Sete jogos de suspensão e o que eles provaram sobre o sistema

Abel Ferreira foi punido após expulsões nos jogos contra São Paulo e Fluminense. Sete rodadas fora do banco. A equipe técnica conduziu o time sem o treinador português — e a engrenagem não parou. Esse dado, longe de diminuir Abel, confirma a tese que ele mesmo defende há anos: um time bem treinado funciona com ou sem o técnico na beira do campo.

A solidez defensiva com Carlos Miguel no gol, Gustavo Gómez e Murilo na zaga, e Marlon Freitas organizando o meio foram o esqueleto que sustentou a invencibilidade. A escalação confirmada para este sábado mantém essa espinha dorsal: Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur; Marlon Freitas, Andreas Pereira, Arias e Felipe Anderson; Sosa e Flaco López.

Segundo apuração do SportNavo, o retorno simultâneo de Abel ao banco e de Andreas Pereira ao meio-campo é tratado internamente como um reforço de qualidade, não como uma correção de rota — porque rota nenhuma precisou ser corrigida.

Andreas Pereira na pré-lista da Copa e o que ele representa para o Palmeiras

Andreas Pereira estava ausente por lesão na coluna e retorna justamente em um momento de alta visibilidade: o meia figura na pré-lista de convocação para a Copa do Mundo. Sua presença muda a dinâmica do meio-campo palmeirense, que ganha um jogador com capacidade de construção e finalização de fora da área — características que Marlon Freitas, mais voltado à marcação, não tem como função principal.

Arthur também retorna, recuperado de edema na coxa direita, e assume a lateral-esquerda. O Cruzeiro, comandado por Artur Jorge, vai a campo com Otávio; Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki; Lucas Romero, Gerson, Christian e Matheus Pereira; Arroyo e Kaio Jorge. A presença de Gerson e Matheus Pereira no meio dá à Raposa criatividade suficiente para incomodar.

Abel volta — e o título começa a ter endereço

Com 34 pontos em 15 rodadas, o Palmeiras projeta uma campanha que, se mantida, beira os 86 pontos ao final das 38 rodadas — número suficiente para ser campeão em praticamente todas as edições do Brasileirão na era dos pontos corridos. A vantagem de quatro pontos sobre o Flamengo, a essa altura, não é confortável, mas é real.

O Palmeiras volta ao campo na próxima rodada do Brasileirão, e Abel Ferreira terá pela primeira vez desde abril a chance de moldar o time do banco — com Andreas Pereira em campo e a liderança intacta. O paradoxo do começo tem resposta: o Palmeiras ficou mais forte quando Abel não estava lá porque ele já havia construído algo maior que a sua própria presença. Agora ele está de volta.