O melhor time da NBA em 2025-26 perdeu quatro vezes para o mesmo adversário. O Oklahoma City Thunder, com 64 vitórias e a melhor campanha da liga, foi derrotado em quatro dos cinco confrontos contra o San Antonio Spurs durante a temporada regular. Esse paradoxo é o ponto de partida para entender por que a Final do Oeste, que começa nesta segunda-feira (18) no Paycom Center, é muito mais equilibrada do que os odds sugerem — Thunder favoritos a -260, Spurs a +210.

O número 4-1 que reescreveu a narrativa desta série

Quatro vitórias dos Spurs em cinco jogos contra o Thunder não é coincidência estatística — é padrão. E o centro desse padrão tem 2,24 metros, 20 anos e o troféu de Defensor do Ano de 2025-26 nas mãos. Victor Wembanyama terminou a temporada liderando a liga em bloqueios por jogo e foi o principal responsável por transformar San Antonio na equipe com 62 vitórias, segunda melhor campanha da NBA. Contra o Thunder especificamente, ele alterou rotas de passe, protegeu o garrafão e forçou Shai Gilgeous-Alexander a buscar soluções fora do seu repertório habitual.

O impacto defensivo de Wembanyama vai além dos bloqueios. Seu defensive box plus-minus foi o mais alto entre pivôs na temporada, e o Spurs terminaram com um defensive rating de elite quando ele estava em quadra. Chet Holmgren, do Thunder — que ficou em segundo no mesmo prêmio de Defensor do Ano — vai encontrar um espelho tático praticamente sem precedentes nos playoffs modernos. A NBA.com destacou que é a primeira vez desde 1998 que uma série de playoff apresenta esse nível de superposição entre candidatos ao prêmio defensivo.

O que muda com Jalen Williams saudável no Thunder

A variável que pode deslocar esse equilíbrio tem nome e voltou a treinar. Jalen Williams, All-NBA e peça central no título do Thunder em 2024-25, confirmou em seu canal no YouTube que está pronto para o Jogo 1. Ele foi limitado a apenas 33 partidas na temporada regular por duas cirurgias no pulso e duas distensões no tendão da coxa — a última delas ocorreu no Jogo 2 contra o Phoenix Suns, em 22 de abril.

"É bom que eu não precisei correr de volta por causa do meu problema no tendão. Na verdade, estou tomando dias extras além do que estava planejado originalmente, porque estávamos 3 a 0. Não fazia sentido entrar nessa série e possivelmente me machucar antes de jogar contra os Timberwolves ou os Spurs. Vou entrar na próxima série saudável", disse Williams em vídeo publicado antes da eliminação do Lakers.

O técnico Mark Daigneault, Coach do Ano em 2023-24, foi deliberadamente vago com a imprensa, mas confirmou a evolução do atleta. "Progredindo. Mesmo esquema. Ele continua evoluindo e está fazendo um ótimo trabalho", declarou Daigneault. Com Williams em quadra, o Thunder deixa de ser o show de Shai e passa a ter um segundo criador capaz de explorar as ajudas defensivas que Wembanyama provoca quando se posiciona para bloquear.

Como os Spurs podem desbancar o Thunder mesmo com Williams de volta

O Thunder foi 8-0 nos playoffs sem Williams — varreu Suns e Lakers com eficiência cirúrgica. Mas o contexto importa: o Lakers entrou sem Luka Dončić, e os Suns não chegaram perto de representar o nível de San Antonio. Os Spurs têm Keldon Johnson, Sexto Homem do Ano, e Stephon Castle, candidato ao All-Defensive Team, criando pressão perimetral que obriga Wembanyama a sair menos do garrafão do que normalmente faria.

A chave tática dos Spurs é conhecida pelos analistas do SportNavo que acompanham as métricas avançadas da temporada: forçar isolamentos de Gilgeous-Alexander sem ajuda de Holmgren, mantendo Wembanyama posicionado para punir qualquer penetração. Nas quatro vitórias sobre o Thunder, San Antonio conseguiu reduzir o usage rate efetivo de SGA abaixo de 30% em três partidas — número significativamente inferior à sua média de temporada de 34,2%. Quando Gilgeous-Alexander opera com restrição de espaço, o Thunder perde seu diferencial principal.

"As pessoas não sabem o que estão vendo com o Shai. Elas só veem os números e não entendem a experiência. Eu queria que todo mundo pudesse sentar na beira da quadra pelo menos uma vez na vida para ver o que ele faz", afirmou Williams ao ESPN.

A frase de Williams captura exatamente o que está em jogo. Gilgeous-Alexander, bicampeão MVP, é o melhor jogador em quadra pela maioria dos critérios mensuráveis — PER, true shooting percentage, win shares. Mas Wembanyama é o tipo de força gravitacional que distorce todos esses cálculos. O Jogo 1 acontece nesta segunda-feira, às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão pela NBC e Peacock. Se os Spurs vencerem em Oklahoma City, o número 4-1 deixa de ser história da temporada regular e começa a se tornar a narrativa dos playoffs. O Jogo 7 está agendado para 30 de maio — e é até lá que saberemos se Wembanyama é grande o suficiente para reescrever o que 64 vitórias construíram.