Não é Kvaratskhelia o grande segredo do PSG de Luis Enrique. O georgiano marca, seduz, desequilibra — mas o que levou o clube parisiense a uma segunda final consecutiva de Champions League é algo mais difícil de encapsular num nome só: é uma idea de juego que transformou o Parc des Princes num laboratório tático dos mais sofisticados da Europa. O mesmo laboratório que, em dezembro de 2025, no Estádio Ahmad bin Ali, em Doha, deixou o Flamengo olhando para o céu do Catar depois de uma derrota nos pênaltis que ainda dói nas redes sociais rubro-negras.

Como Luis Enrique construiu uma equipe capaz de superar o Bayern duas vezes seguidas

O agregado de 6 a 5 contra o Bayern de Munique nas semifinais desta Champions 2025/26 não conta a história completa. O PSG venceu a ida por 5 a 4 em Paris — um recital de pressing alto e transições verticais — e confirmou a classificação com um 1 a 0 em Munique, onde Ousmane Dembélé abriu o placar antes de Harry Kane empatar nos acréscimos. No cômputo geral, o time francês marcou mais gols nessas duas semifinais do que o Real Madrid inteiro marcou nas últimas quatro edições da competição até a fase de quartas. É o tipo de dado que situa a produção ofensiva parisiense numa dimensão diferente.

Defensivamente, a solidez também chamou atenção. Willian Pacho foi seguro diante do ataque bávaro, e João Neves — não Vitinha, como muitos esperavam — dominou o meio-campo com desarmes e movimentação inteligente. Manuel Neuer fez uma tarde brilhante no gol do Bayern, mas não foi suficiente para segurar a vantagem construída pelo PSG na ida. Luis Enrique montou um time sem estrela única, o que, paradoxalmente, o torna mais imprevisível: quando qualquer um dos três atacantes pode decidir, o adversário não sabe onde colocar o double-team.

Como Luis Enrique construiu uma equipe capaz de superar o Bayern duas vezes segu
Como Luis Enrique construiu uma equipe capaz de superar o Bayern duas vezes segu

A noite em Doha e a memória que o Flamengo não consegue apagar

A torcida rubro-negra acompanhou a classificação do PSG nesta quarta-feira com aquela mistura específica de rancor e esperança que só quem perdeu uma final nos pênaltis consegue sentir. Em dezembro de 2025, no Mundial de Clubes, Flamengo e PSG empataram em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Kvaratskhelia havia aberto o placar após passe de Mayulu; o Fla buscou o empate, mas nas penalidades o goleiro Safonov defendeu cobranças de Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo — um placar final de 2 a 1 que coroou o PSG campeão mundial.

Marquinhos, capitão e símbolo da era pós-Mbappé, foi direto ao falar sobre o momento do clube após a classificação contra o Bayern.

"Essa era minha quinta semifinal, minha terceira final, em 13 anos de PSG. É muito difícil chegar. A gente tem que aproveitar esse momento bastante e lutar por esse título agora", disse o zagueiro à TNT Sports.
O brasileiro também recusou o rótulo de favorito diante do Arsenal:
"A gente não pode cair nessa armadilha. Ano passado jogamos contra eles — foi um dos times mais difíceis que a gente jogou. É um time que sabe muito bem jogar contra a gente, contra esse estilo de jogo nosso e do Bayern."

A noite em Doha e a memória que o Flamengo não consegue apagar O PSG que bateu o
A noite em Doha e a memória que o Flamengo não consegue apagar O PSG que bateu o

Budapeste, Arsenal e a possibilidade de um reencontro com o Flamengo

A final acontece em 30 de maio, às 13h (de Brasília), na Puskás Aréna, em Budapeste — estádio com capacidade para mais de 67 mil espectadores. O Arsenal chega após superar o Atlético de Madrid por 2 a 1 no agregado, com Gabriel Magalhães sendo um dos destaques defensivos na vitória por 1 a 0 em casa. Para os Gunners, será a primeira final de Champions em 20 anos — desde 2006 —, e Bukayo Saka marcou o gol que garantiu a vaga, embora Declan Rice tenha sido o mais completo em campo, com nota 7,8 no Sofascore.

O cenário que anima parte da torcida do Flamengo é matemático: se o PSG vencer a Champions e o Rubro-Negro conquistar a Libertadores de 2026, os dois clubes podem se reencontrar no Mundial de Clubes em dezembro. A revanche que Doha não permitiu teria uma segunda chance. Antes disso, porém, Luis Enrique precisa resolver o problema Arsenal — e The Killers, confirmados para o show de abertura em Budapeste, já devem estar ensaiando Mr. Brightside enquanto os técnicos discutem pranchetas. É o mesmo cenário que o Barcelona de Guardiola viveu em 2011, chegando à final de Wembley como campeão em exercício e favorito absoluto — só que agora a aposta parisiense não vem de um tiki-taka de posse, mas de um gegenpressing com alma latina que ninguém ainda sabe como parar por 90 minutos.