Quantas vezes na história das Copas um atacante entrou em campo sabendo que aquelas poderiam ser suas últimas 90 minutos antes de uma convocação — e saiu sem gol, sem vitória e com um cartão amarelo por mostrar um papel ao árbitro? O domingo de Neymar no Brasileirão 2026 foi exatamente esse tipo de tarde que os analistas guardam em planilhas e os torcedores preferem esquecer.

Na Neo Química Arena, neste domingo (17), o Santos foi derrotado pelo Coritiba por 3 a 0 — resultado que deixa o Peixe perigosamente próximo da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O placar contrasta com o 2 a 0 que o próprio Santos havia aplicado no mesmo Coritiba apenas quatro dias antes, em 13 de maio, pela Copa do Brasil. Oscilação de rendimento que Ancelotti, certamente, já tinha mapeado antes de abrir qualquer prancheta.

O erro do quarto árbitro e o cartão que Neymar não precisava

O episódio mais comentado da partida não foi nenhum dos três gols visitantes. O quarto árbitro levantou a placa indicando a saída do camisa 10, quando o jogador a ser substituído era, na verdade, o lateral-esquerdo Escobar. Neymar foi até a beira do gramado reclamar da situação e recebeu cartão amarelo. Em seguida, exibiu o papel oficial da substituição diretamente para a câmera de transmissão — um gesto que confirmou o erro, mas que também expôs um jogador em estado de tensão justamente no dia em que precisava transmitir serenidade. O técnico Cuca havia escalado Rollheiser e Moisés ao lado do atacante, com Oliva e Barreal no banco por dores na panturrilha e Igor Vinícius cortado por febre.

Na avaliação do SportNavo, o incidente sintetiza o ambiente de instabilidade que cerca o Santos neste início de Brasileirão — e que inevitavelmente contamina a leitura individual sobre Neymar. Sem gols nas últimas partidas pela Série A, o atacante chega à véspera da convocação com números que não fecham o argumento por si só.

O que Ancelotti declarou e o que os números de Copa revelam

Carlo Ancelotti já afirmou publicamente que Neymar é um dos melhores jogadores do mundo — declaração que, historicamente, tem peso diferente quando vem de um treinador que convocou Kaká em 2006 e dirigiu Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale no Real Madrid. A ressalva do próprio técnico, porém, recai sobre a forma física: lesões recorrentes desde 2023 reduziram a presença do atacante em campo a períodos fragmentados.

Os dados históricos ajudam a calibrar o debate. Neymar é o artilheiro da Seleção Brasileira em Copas do Mundo com seis gols — dois em 2014, dois em 2018 e dois em 2022 —, superando Ronaldo Fenômeno (15 gols no total em Mundiais, mas distribuídos em quatro edições) em termos de presença ofensiva por edição entre os atacantes brasileiros recentes. Em 2014, foram 4 jogos disputados antes da lesão; em 2018, 5 jogos e um pênalti perdido contra a Bélgica nas quartas; em 2022, 4 jogos e eliminação nos pênaltis para a Croácia. A pergunta que Ancelotti responde amanhã não é sobre o legado — é sobre o atleta de 34 anos que entrou emocionado no Pacaembu, chorou durante o hino e saiu de campo sem balançar a rede.

A cerimônia de amanhã e o que Ancelotti vai revelar no Museu do Amanhã

A CBF organizou para esta segunda-feira (18) um evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com mais de mil convidados e transmissão ao vivo. A leitura dos 26 nomes está prevista para as 17h40, seguida de coletiva de Ancelotti às 18h. Segundo a ESPN, profissionais de imprensa de ao menos 13 países foram credenciados para o anúncio — escala que reflete o alcance global da Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México.

Segundo a ESPN, Ancelotti participará de ações comerciais após o evento, deixando o Museu do Amanhã de carro em direção à Bolsa de Valores do Rio e seguindo de helicóptero até o Jardim Botânico, onde participará ao vivo do Jornal Nacional.

Depois do Jornal Nacional, o país vai dormir sabendo se Neymar embarca ou não para o Mundial. A imagem que ficará desta tarde de domingo é a do camisa 10 segurando um papel na beira do gramado da Neo Química Arena — a prova de que o erro era do árbitro, não dele. Se Ancelotti leu o mesmo papel, só as 17h40 de amanhã confirmam.