O estádio estava lotado, a vitória sobre o Parma acabara de ser confirmada, e o atacante parou diante dos microfones sem dar a resposta que todos esperavam. Era Paulo Dybala, 32 anos, vínculo com a Roma expirando em 30 de junho, e um futuro que ele mesmo admitiu não controlar.
"Não sei de nada, eu também gostaria de saber. Mas, hoje, o contrato diz que faltam dois jogos. A única coisa que posso dizer é que o clássico pode ser minha última partida diante destes torcedores. Minha decisão eu guardo para mim; veremos ao final do campeonato", declarou o argentino após a partida.
A proposta da Roma que travou tudo
A diretoria romanista não esconde a cautela. Dybala acumulou seguidos problemas físicos ao longo das últimas temporadas, e a oferta de renovação colocada sobre a mesa reflete esse histórico: redução salarial de 75%, de € 8 milhões anuais (R$ 47,1 milhões) para € 2 milhões (R$ 11,7 milhões), com bônus variáveis atrelados a desempenho e disponibilidade. O técnico Gianpiero Gasperini sinalizou interesse em manter o jogador no plantel, mas a palavra final pertence à diretoria — e os números propostos tornaram o impasse praticamente inevitável.
A negociação está estagnada.
Como o Boca Juniors foi construindo o terreno
O Boca Juniors chegou a esse cenário por caminhos indiretos. O primeiro foi a contratação de Leandro Paredes, ex-companheiro de Dybala, que declarou publicamente que o atacante tem interesse em defender o clube de La Boca. O segundo movimento foi mais silencioso: Dybala trocou recentemente a gestão de sua carreira para o empresário Kristian Bereit, em parceria com a empresa Behind The Athletes (BTA) — a mesma que representa nomes do elenco xeneize, como os meio-campistas Ander Herrera, Santiago Ascacíbar e Tomás Belmonte.
Essa mudança de representação não passou despercebida em Buenos Aires.
A postura do clube é deliberadamente calculada: o Boca não pretende se posicionar oficialmente enquanto existir qualquer chance de renovação com a Roma. O motivo é financeiro e direto — o clube argentino não tem intenção de pagar qualquer compensação à Roma pela liberação do atleta. A estratégia depende, portanto, da saída de Dybala como agente livre ao fim de junho.
O que os números dizem sobre a viabilidade
Dybala está fora do futebol argentino desde 2012, quando deixou o Instituto de Córdoba rumo ao Palermo, na Itália. Ao longo de 14 anos na Europa, o atacante acumulou passagens por Palermo, Juventus e Roma, com valor de mercado estimado atualmente em torno de € 12 milhões pelo Transfermarkt — queda expressiva frente ao pico de € 90 milhões registrado em 2019.
A apuração do SportNavo indica que o Boca trabalha com a premissa de que um contrato livre de taxas de transferência viabiliza uma oferta salarial competitiva dentro dos padrões do futebol sul-americano, sem comprometer o equilíbrio financeiro do clube. O modelo é semelhante ao adotado para Paredes.
O prazo para a decisão é curto. O Campeonato Italiano encerra suas rodadas finais nas próximas semanas, e a janela de transferências sul-americana abre em julho. Se Dybala não renovar com a Roma até 30 de junho, o Boca estará pronto para formalizar a proposta — o clube montou o cenário, ajustou os representantes e aguarda o sinal verde do próprio jogador.
O retorno ao futebol argentino está arquitetado — falta Dybala assinar embaixo.









